sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Dirigente dos Azuis à Porto



Relatam os jornais de hoje, dia 28/12/2012, com maior destaque no JN, diário que ele domina, de que Jorge Nuno Pinto da Costa , com Lima lá pelo meio, faz anos - 75. Conta o tal jornal do Porto, que ele domestica, que o Jorge, herdou da mãe o sentido de humor. O mesmo é dizer, de que herdou da mãe, o tesão na língua. Extrai-se do seu currículo, que só teve êxito no futebol, ou seja, no mundo da trapaça e da espertice, e até alguma azeiteirice. Acrescentam, que estudou(!) no "Caldinhas" de stº tirso, santo que não lhe valeu de muito, já que não foi bom aluno. Nota-se. Por isso é que só sabe(!) declamar dois poetas menores: José Régio e António Nobre. O homem é demais, carago!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A "coisa" em baixo


Em Portugal, o número de velhos continua a crescer, mais do que muito, enquanto o número dos recém-gerados e que chegam à vida, com cabeça, tronco e membros, é menos do que o desejável e até necessário. A causa para esta situação, está diagnosticada, difundida, e apreendida pela camada social mais limitada da população, há já alguns anos - o medo da pobreza continuada -  gerada pelo país pobre e incapaz de dar trabalho, para ganhar o sustento da vida, e embrulhado mesmo, nas maiores dificuldades para saír de tal défice, lastimável. As autoridades políticas e até religiosas, repetem os apelos a todos os casais, para que façam aumentar a família. Mas sem estimulantes que entusiasmem, a coisa, não dará resultados. A Economia e o Emprego, estão pelas ruas da amargura, em baixo, e este drama que pulsa no vermelho, vai persistir por longa noite, com repercussões que amolecem relações, entre lençóis. Este cenário de falência e estado de flacidez em que se vive, não traz ninguém animado, e a cabeça, parte superior por onde tudo passa e a corrente sanguínia provoca vontades, não funciona, nem comunica como deve ser. E quando a cabeça não está metida no sítio certo, não cria. A manter-se o frio económico que nos encolhe, que não nos excita, que não permite que se erga a vontade ou a virilidade procriadora de mais braços e de maior riqueza, dentro de poucos anos só teremos velhos, ou casais em que o filho(a) mais novo(a) terá sessenta anos, com pais a passar dos oitenta anos. Reunidos agora debaixo do mesmo tecto, por imposição das dificuldades surgidas e por regresso, cada vez mais, de uns quantos à casa paterna porque perderam a sua, teremos assim dois casais juntos, um de reformados e outro a caminho da aposentação, se a ela tiver direito quando lá chegar. Se não há nascimentos não há renovação das gerações, que garantam e sustentem um futuro com assistência social adequada aos que lá chegam, e por esta causalidade, o número de "velhos" dentro de uma casa, sobe considerávelmente. Às dificuldades que isso acarreta, somam-se as da escassez dos proventos, as doenças que se multiplicam, e o desfecho natural vai-se aproximando e acontece - a morte. Quer isto dizer, que dentro de alguns anos, as famílias são constituídas só por idosos, que não farão outra coisa senão funerais, no curto período de vida carunchosa que se lhes perspectiva. Pela "ordem natural das coisas", partem à frente os pais octogenários, seguidos dos filhos, filhas, genros e noras, que envelhecem e morrem sem deixar descendentes. É que isto de fazer filhos nos tempos que correm, é roubar-lhes o amor que eles merecem, porque é fazê-los, para serem mão d´obra barata e escravos dos senhores dos dinheiros. Portugal, a partir daqui e com tanto funeral, uns atrás de outros, não será mais, um jardim, mas apenas e só um grande cemitério à beira-mar enterrado. Os "coveiros" estão devidamente identificados.

                                       

 

 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"Silent Night"




O Natal está à porta, mas cada vez mais, de gente sem casa. No tempo que corre, pesaroso, o "lar", sem a lareira do costume, está a transformar-se em caixa de cartão à luz duma montra, ou numa enxerga, sob um túnel ventilado, ungido de urina de vagabundo e de ratazana, na companhia do esterco. Aproximamos-nos da noite mais triste do ano. "A noite da ceia de natal", a que os poderosos e os seus acólitos, evangelizadores e políticos, tentam hà séculos fazer passar por "noite mágica ou luminosa", não é mais, hoje, para a maioria dos portugueses, a "noite do apagão e do pão ázimo". A de amanhã, a prometida, a abençoada por Deus, logo se saberá. Os corações estão vazios, tal como os sentidos e as algibeiras estão vazias, e assim será a mesa, manchada de negro, e que não reclama sequer uma toalha com motivos a pretexto. Nenhum rosto velho e novo se abrirá como em noites antigas, nenhum sorriso será descansado, e os olhos não luzirão de alegria, mas de lágrima. Nessa noite, que será a menos bela do ano, não haverá quem se disfarce de Pai Natal, para quando soar a meia-noite, distribua prendas consoladoras de famílias, destroçadas. Ainda porque, entre todos, só há magricelas, escanzinados, ou sem proeminente barriga, incapazes para desempenharem tal papel. Olhos enterrados em olheiras como grutas, não faltarão. Quem montou este actual presépio de cacos humanos, retirou-nos da vida, como quem afasta animais que faziam a tradição feliz, com filhos em volta, depois de nos ter negado ou retirado o emprego, o ensino apoiado, as reformas dignas, a saúde mais acalmada, a velhice mais sustentada. Na anunciada "noite de natal", muitos de nós, só vão querer adormecer, bem antes da hora do galo cantar. E se acordar, acordar para quê? Para regressar de novo ao dia velho e gasto na fila da fome, o da sopa do desespero e da vergonha, ou ao frio do medo, que o amanhã, já prometido ser melhor, tarde ou nunca se revelará?

                             

 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Palavra contra palavra


Catalina Pestana, ex-provedora da Casa Pia e de outros destinos, mulher que parece ser de "antes quebrar que torcer", diz que enviou informação ou deu conhecimento “sobre”, à santa madre igreja, e D. José Policarpo refere, que não recebeu nada. Se ambos falam verdade, algum grão de areia ou pedregulho maior,se intrometeu, durante o percurso que fez - a denúncia. Tendo a igreja uma presença próxima e privilegiada com Deus, não poderá o cardeal de Lisboa e de mais além, desasossegar ou desenvolver as diligências que urgem, contactar com o mistério que bloqueou a chegada até ele, da denúncia, sobre os casos de pedofilia levados a cabo, pelos servidores de Deus e consoladores das almas terrestres e frágeis? Aonde parou a notícia, que dava conta da prática hedionda, perversa, e pecado sem perdão, que agentes da fé religiosa entremeada de lascívia, que debaixo do campanário aconteceu? Se Catalina não pestaneja naquilo que diz, reforça a sua credibilidade, ou se não fala verdade, deve ser responsabilizada por levantar um véu de suspeitas falsas. Mas se o chefe da igreja lusa, nega, só para defender os seus apóstolos de batina, implicados nas graves ofensas aos jovens, deve também ele, prestar contas, não só a Deus, mas ainda aos Homens que nele e no credo que ele representa e propaga, confiam.

                               

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Viva Portugal!


Portugal está a ficar forte, bonito e saudável. Já há menos doentes a entrar à pressa nas urgências, já não precisam tanto das farmácias a toda a hora, dispensam cada vez mais os postos de saúde, e nem se submetem ao dentista. Os dentes, aliás, são um luxo dispensável, que só quem tem dinheiro é que os tratam e os conservam, e quem não os tem também não precisa deles, pois há pouco que trincar, e isso é benéfico porque não engordamos como vinha acontecendo até aqui, o que se estava a tornar uma epidemia e ameaça para as estatísticas sobre a obesidade. As medidas severas de austeridade, têm um efeito bastante positivo. Fazem diminuir o consumo de medicamentos, diminuem as horas extras dos profissionais da saúde, baixam o número de exames que utilizam sofisticado e caro equipamento, os custos com a energia despendida baixam também. O lucro terá que aparecer forçosamente, e os sinais de riqueza por tanta poupança hão-de surgir, a montante ou a jusante, como agora se diz. Estamos a dar "passos" certos e seguros, no sentido de uma sociedade perfeita. Fica apenas a faltar o remédio para a morte, mas isso com o tempo e com os actuais governantes, resolve-se. Somos governados no maior conforto, podem crer. Não nos falta o aquecimento a gás ou eléctrico nesta época de natal, que se quer frio e humilde, como é retratado em alguns postais. Nas actuais condições, podemos considerar que temos as costas quentes. O Natal vai ser com certeza um sucesso de luz e cor, e não vai haver coração que não se acenda de felicidade. Só há um senão. À porta dos supermercados, estão lá uns teimosos e renitentes voluntários, a recolher cada vez mais pão de Deus abençoado, para distribuír por cada vez mais gente, vinda sabe-se lá de onde. Mas isto deve ser uma brincadeira, ou ocupação de tempos livres para os desempregados ou gente de férias. Espalhem a notícia. Portugal é um país recomendável, onde não há dengue que nos pegue. Devemos estar contentes e sentirmos-nos orgulhosos por todo o passado e presente. Viva Portugal e quem cá ficar, que eu vou emigrar - e é já!

                                      

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"BENITO-ME"

                                                                   Joaquim Benite
                                                                     1943 - 2012

             
                                                          ... e o Natal aqui tão perto

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"nem bacalhau nem Coelho"


Em minha casa, nunca tivemos um Natal folgado, porque o dinheiro que precisávamos para o enfeitar e fazê-lo mais luminoso, apagava-se logo no início da época escolar. A obrigatoriedade de comprar os materiais exigidos, no arranque das aulas, levava-nos à penúria, de tal maneira, que o Natal impunha-se sempre soturno e numa atmosfera de desconforto que só o vazio provoca. As montras da abundância e do luxo, que se acendem e movem angústias nesta época, aos nossos olhos luziam como ofensas. No conjunto de três filhos que tenho, número que passou de moda, esfolaram-me cerca de 26 500euros, em equipamento, sem nunca lhes ter dado artigos de marca, durante os anos de ensino obrigatório, e sem que nesse montante aplicado, entrassem despesas com vestuário, calçado, alimentação, transportes e saúde. Equipados com lápis de merceeiro, mochilas de feira, estojos de irmão para irmão, cadernos de supermercado, aguças do chinês, etc. os três filhos lá foram "cantando e rindo" como podiam, agarrados à côdea, vencendo a tormenta do ensino público, mas necessário. Agora, (parece que não tão, agora), vem o ministro, que dizem, ocupa o lugar de primeiro no governo, à frente de Gaspar, e de Portas mais atrás, alertar, que as despesas do ensino obrigatório, terão de ser "repartidas", entre o Estado e os cidadãos, pondo deste modo em causa, a gratuitidade da escolaridade oficial. A pergunta que a minha angústia levanta, é esta; - quando foi que o Estado sustentou, suportou, apoiou os meus filhos, durante os anos que os amarrou à formação académica básica e secundária, que a Constituição da República, declara ser universal, gratuita e um direito para todos, para vir agora (parece que já não),dizer que as custas com o financiamento nessa juvenil formação, devem ser "repartidas", se até hoje só houve um investidor, os pais, que fazem das tripas coração e das sardinhas, bifes, para que eles chegassem ao fim da etapa instituída na lei, com sucesso, neste país sem trabalho nem futuro? E se mandássemos este ministro, dar uma volta ao bilhar grande ou à caça de gambusinos nas próximas eleições? Um governante imberbe, que hoje dá o dito por não dito, que o que é carne hoje, amanhã é peixe, que se contraria repetidamente, querendo fazer de nós intérpretes tontos, que anda cá a fazer? ONG´s de que já não se lembra? Enquanto isso não acontece, nós lá por casa, procuramos por entre a escuridão, que se alojou faz tempo, não chocar uns com os outros, e a tentar encontrar a porta de saída para dias com mais Sol.

                                            

sábado, 1 de dezembro de 2012

Quem ri por último é...


Já sei que algúem, e não um qualquer, tentará explicar o inexplicável, e justificar com seriedade de ocasião, o desaire no augusto Axa de Braga. A teoria está montada. O FCP, jogou com as "reservas", e poupou os craques para o "match da champions" e assim ganhar a "pole position" na série. Todavia, ninguém gosta de perder mesmo que seja a feijões, o que não era o caso, uma vez que estamos a considerar, da 2ª prova do campeonato de Portugal. Ninguém aprecia esbanjar a possibilidade, de acrescentar mais um título ao palmarés já conquistados, e à vista no museu dos troféus, em luzidios vitrais, nem a nível do currículo pessoal. O treinador do F. Clube do Porto, especialista em dar risadas a seco, para adepto se embevececer, mas parecendo-se, como aqueles putos travessos, que tossem sem vontade, só para chamarem atenção, engole agora a imprudência ridícula, por troçar da tabela salarial, onde o técnico do clube rival exerce igual ofício, mas onde recebe maquia de nível internacional. Vítor Pereira, não percebe, que um clube rico, é como um país mais rico. Este pode pagar melhor aos seus trabalhadores do que pode um país pobre, para além de que o trabalhador em causa tem um histórico, quer como técnico quer com jogador, mais rico também. Isto de rir sem vontade, para lá de patético, traduz mau carácter, ressabiamento, mau perder. É sabido da limitada expressão/comunicação do treinador, como se sabe que é pela boca que morre o peixe. E isso foi o que aconteceu ao "mister" dos dragões - bicho, que como é sabido também, cospe fogo pela boca e morde com certeza. Um desaire destes em vésperas de Natal, prenuncia que o "Jesus", está a chegar, tem via aberta para deitar a mão ao "caneco desejado", e ser ele a fazer a festa, e a rir melhor porque ri no fim.

 

                       

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A minha 1ª vez com valter hugo mãe




Aproximei-me do balcão do pavilhão da editora Campo das Letras, e olhei demoradamente os livros expostos e alinhados. Peguei num, poisei, abri outro, voltei a poisar e a pegar, até que me decidi por "aquele". O preço não devia ter assustado, já que consegui pagá-lo, e o desconto ajudou. Nada sabia do seu autor, desconhecido para mim, e por isso a minha curiosidade cresceu - "quem é este gajo, com um nome destes"? – perguntei à rapariga que estava do lado de dentro a atender. " Quem é este hugo mãe com minúsculas, de quem nunca ouvi falar"? Ela respondeu com o cansaço do fim da tarde; - "ele anda por aí. Ainda hà pouco estava aqui. Olhe é aquele que ali está"! Virei o olhar na direcção indicada, estendi a vista por cima dos livros vizinhos dos pavilhões geminados, e dei uns passos tímidos até "ele", que aparentava estar meio perdido entre as tendas;- " desculpe.Você é que é o valter hugo mãe"? Olhou para dentro de mim, deu um jeito à cabeça a fazer que confirmava o que via - " desculpe lá, mas é que eu nunca ouvi falar de si, e agora que comprei este livro, gostava que o autografasse". Olhou de novo, com aquele ar de quem se interroga,- "mas quem é este patego, que chega aqui de rompante e dispara como inquisidor,- "você é que é o valter hugo mãe, autor deste livro?- e que não satisfeito, acrescenta, que não me conhece de lado nenhum"? Dado o autógrafo com alguma relutância mas sem vaidade, pareceu-me, e recebido com satisfação por mim, rematei; - "agora que já o conheço, vou lê-lo, e logo saberei o que fazer dele e de si"! Ainda hoje , e passados alguns anos desde aquele dia na Feira do Livro de 2000 no Palácio de Cristal, ainda o conservo junto dos outros, como se fosse um troféu. Hoje e decorrido o tempo vivido, verifico, que o autor de "A Máquina de Fazer Espanhóis", provou com talento e génio, que é "uma máquina de fazer leitores", cada vez mais, e por isso os prémios sucedem-se e são merecidos. Foi assim que o conheci, e "ele" se me revelou. Os meus filhos seguem-no, enquanto "ele" já não se pode “esconder mais, na cor amarga do fim da tarde", dos dias que seguem por cá.

                                           

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Imprensa e liberdades em Portugal"


Diz um jornal, o "Público", que Luís Fazenda e Pacheco Pereira, foram convidados por outro jornal, este de Angola, a visitar a sua Redacção, para perceberem como se faz ali, um espaço de criação e de "liberdade como poucos existem". Estes dois escribas, que se insurgem a partir da notícia de outro jornal, o semanário Expresso, numa espécie de, diz-se diz-se, ou como quem mete a foice em seara alheia armados em especialistas da má língua, tricotam, palavra a palavra coladas umas às outras, até que dali saia um têxto estruturado, que resvala para a ofensa. Estes dois, um "opinion maker" e dissidente, de direita, e que já foi esquerdista, e outro, parlamentar e político do quadrante de choque, arvoram-se como críticos de uma comunicação social, que lhes é estranha, longínqua, debitam à distância, comentários, que assentam no que ouvem ou lêem na nossa(!) imprensa suspeita, hoje muito dependente e hipotecada "aos poderes", com raras excepções, descaradamente no espaço que lhes concedem, tecem críticas ao editorial do jornal africano, e como diz o seu director, "são prova da hipersensibilidade que atravessa hoje as elites portuguesas e mostram que hà muita gente desactualizada em relação à nova realidade angolana", quando numa banca lusa, perto deles, se encontram jornais, cujos editoriais estão hà muito sob vigilância, dos leitores pelo menos, sem que tenham reagido. Agora, só nos resta verificar da coragem deles, em aceitar o convite ou desafio sensato, que lhes foi lançado pelo Jornal de Angola, e pelo seu director, José Ribeiro, em bom português, ou se eles não passam de dois bem falantes com discursos da treta. Aguardemos que eles tragam a verdade.

 

                              

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Presidente"operário"



O direito à greve que assiste aos trabalhadores, devia estar consagrado na Constituição da República, mas apenas e só para inglês-ver, e nunca como arma legal de luta extrema, contra a prepotência e as injustiças cometidas pelos poderes. As declarações irónicas e patéticas do Presidente da República, de não ter aderido à greve nacional, porque preferiu "trabalhar" e encontrar-se com o seu homólogo da Colômbia, no seu sofá fofo, diz-nos bastante, do nível elevado que tem o "nosso presidente" e do volume de suor, que da sua abnegada testa, pingou, durante a conversa mantida nesse "latino" encontro. Tal esforço só encontra paralelo, com o despendido por ocasião da venda das acções, dele e da filha, após aviso divino e atempado, que detinham no banco-de-todos-os-problemas, o BPN, gerido então pelo seu amigo e ex-secretário, Oliveira e Costa, o José, dos assuntos fiscais. Cavaco, assim como o actual primeiro-ministro,  repetem que respeitam, como bons democratas, o "polémico e intragável" Direito Constituicional, mas deixam, mais denunciado que entre-linhas, de que se pudessem retirá-lo da Carta Magna, e acabar até, com tal disposição constituicional, onde só vêem entraves, seria o ideal. A Constituição da República, que nunca é respeitada, mesmo se jurada cumprir e fazer cumprir, tem sido para estes governantes, uma má digestão, a mãe de todos os males, atrasos, e das dívidas colossais que entalam a nação e os portugueses. Mas é esta mesma Constituição, que contém o fundamental direito dos trabalhadores, à greve, e que Cavaco agora ridicularizou, que permite encher os bolsos aos que a atacam e engordar as contas dos seus mais chegados, e colaboradores, mesmo de forma ilícita. Talvez, um dia, a "maldita Constituição" possa ser revista e melhorada, e passar a consagrar também, o direito dos trabalhadores portugueses puderem condená-los a trabalhos forçados e perpétuos, com uma corda por perto e com as esfínges leoninas a assistir... sem rugirem.

 

                                

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A feira/festa de s.martinho



A feira de s.Martinho, que se estende pelas ruas da cidade de Penafiel, entre os dias 10 e 20 deste mês "acastanhado", para incómodo dos seus habitantes, e para gozo de outros, não serve só interesses poéticos e brejeiros num qualquer concurso de quadras, que rimam invariávelmente, com vinho. Arrasta consigo, sobretudo, durante esta quinzena, a balbúrdia, instala a confusão, e o desrespeito pelos residentes, que nesta maré, são abandonados, esquecidos, desprezados pela autarquia e até pelas forças da ordem. O caos provocado pela massa de gente que se desloca a este evento anual, em euforia festiva, e pior ainda, pelo estacionamento à balda das suas viaturas de todos os volumes, sem que alguém fiscalize ou discipline, faz com que os moradores acabem impedidos ou sejam sequestrados nas suas casas, pois não se podem deslocar em transporte próprio, para as suas tarefas quotidianas ou numa qualquer urgência, uma vez que os acessos de entrada ou saída das suas casas, estão-lhes barrados pelos carros forasteiros, impedindo-os assim de abrirem os portões da garagem onde moram, de nada valendo proceder a queixa junto das autoridades locais, quando solicitadas a intervir, que não podem fazer nada, justificando-se que estão requisitadas para prestar outra função, ou nem sequer atendem, como é o caso da polícia municipal. Chamar a esta confusão, "festa", vai lá vai! Eu chamo-lhe bebedeira.

                     

terça-feira, 13 de novembro de 2012

e ao 12º dia D.José, diz...


Talvez lembrando-se, de que quem mais contribui para a caixa das esmolas da igreja, sejam os pobres que enchem o Templo do Senhor, no silêncio, no credo e em recolhimento, D. José Policarpo, sob a protecção da Virgem, em Fátima, falou e disse, que afinal os manifestantes têm razão de existir, e quando saiem às ruas a protestar, por pão menos amargo, trabalho e Vida mais suave, são por ele hoje compreendidos e respeitados. Seria bom saber, se o Cardeal-patriarca da secular religião que une ainda muitos fiéis, exprimiu-se em nome da Igreja, como chefe D.José Policarpo, ou se como homem e banal, José. Sabemos, de acordo com as "orações" e outros comentários, que os jornais registam, que o cardeal gosta de mandar umas bocas, entre fumaradas, sobre o estado da nação e a tormenta por que passa o povo, sempre no dia 12. Tamanha atracção por este número, só pode ser uma aparição da santa trupe que se sentou à mesa, onde não faltou o pão nem o vinho, (milagre, que hoje falta em muitas casas) e que ficou para a história como, a Ceia dos Apóstolos, que eram doze. O bispo, neste seu "actualizado sermão", espreita a possibilidade de ver na crise uma oportunidade para aumentar a clientela e filiação, para evangelizar, sendo talvez, esta a fórmula intencional, que encontra para mitigar a fome aos mais desfavorecidos que estão a sofrer e a penar, mas ao mesmo tempo, a quererem "governar a partir da rua" quando a ela saiem a protestar, e que já mereceu da sua parte, reprovação. Que raio de luz iluminou agora o "cata-vento que encima a torre da nossa igreja"?

                

domingo, 4 de novembro de 2012

"Deng-Xoão - o moscardo"



A ilha da Madeira, está assolada pela picada de um mosquito do egipto, que não sendo faraónico, tem incomodado muita gente. Mas a ilha, há muito que se coça por causa da liderança de um "moscardo", este sim, um faraó, que impunha(!) respeito e medo, cá e além-mar. De acordo com os resultados das eleições no PSD/Madeira, o grande lider, Alberto João Jardim, mais uma vez ganhou-as, mas não uma vez mais com a folga asiática, a que nos tinha habituado. Desta vez, a vitória soube a fel, tem rédea curta, não permite perna longa, língua tão afiada, nem a arrogância histórica. Se o dengue, provoca uma febre amarela, a provocada por "Deng-Xoão Xardim" vai continuar a ser laranja, mas menos acentuada. Mas não se crê, que o homem se dê por vencido, e vendo-se com o mal na garganta, não reaja, picando tudo e todos à sua volta. As asas de "Deng Xoão", não são tão transparentes quanto as do insecto verdadeiro, procurado e combatido. Ele vai continuar a batê-las por lá, o mais que puder, para que se oiçam cá e se faça sentir a ventania reivindicativa que elas levantam. O “grande e querido líder” da pequena ilha, não dará o braço a torcer. Mesmo sentindo a chegada da hora do despejo, e durante o período que dura em estertor, vai desenvolver as garras e aplicar as maiores picadas nos adversários que ousaram desafiar a sua velha autoridade, como mau perdedor e numa espécie de fuga em frente. Os comentários jocosos, feitos logo a seguir á divulgação dos votos, e encostado contra a percentajem que lhe deu uma vitória de pirro, são disso o melhor prenúncio. As mazelas que ele abriu e que agora diz querer sarar, é tudo fogo de artifício, que até à passagem do ano na ilha, irá atingir o seu auge. O homem duro esmoreceu, o semblante fechou-se, mas a picada está garantida. Não podemos ignorar o repelente aconselhado, e eliminá-lo de vez, a fim de evitar males maiores. O voto é a arma.

                

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Una paloma para el ministro


Na edição de Domingo, 28 de outubro pág.6, noticia o Público, que - "entre o desvio colossal e TSU, as contas de Victor Gaspar saíram erradas". Manda a minha ingenuidade, fruto de um coração dos melhores do mundo, porque é português, segundo a definição do governante, sobre, o melhor povo do mundo, aconselhar o super-ministro, a ler " La Paloma" de Rafael Alberti, nome maior da poesia ibérica. Desconheço, se o ministro mais pausado, que Abril desabrochou, e permitiu formação cara, é um homem dedicado às letras, e em particular à poesia, ou se só aos números frios e assassinos. É algo provável, de que Víctor Gaspar prefira mais, ouvir Grândola Vila Morena, cantada pelos espanhóis lá longe, do que pelos portugueses em frente à Assembleia da República, agora que as suas previsões, são sempre um equívoco e saiem furadas. É certo, de que ninguém vive da poesia, e que ela é, um alimento dos que apenas sonham, mas se ele, enquanto calcula no isolamento ou em má companhia, mais uma "maratona" de impostos, com que pretende fustigar o tal melhor povo do mundo, e tiver tempo, propômos-lhe, e se o Público for sensível e encontrar espaço para publicar esta proposta, que é um conselho, a leitura ou a audição do poema, também conhecido por " Se equivocó la paloma", cantada por Joan Manuel Serrat ou Mercedes Sosa, se ele preferir. Para lhe abreviar a consulta, aqui reproduzo a letra do grande autor espanhol:

           "Se equivocó la Paloma.
             Se equivocaba.
             Por ir al norte, fue al sur. 
             Se equivocaba.
             Creyó que el mar era el cielo;
             que la noche, la mañana.
             Se equivocaba.
              Que las estrellas, rocío;
              que la calor, la nevada.
               Se equivocaba. 

               Que tu falda era tu blusa;
               que tu corazón, su casa.
               Se equivocaba.  

            ( Ella se durmió en la orilla.
              Tú, en la cumbre de una rama.)”

                              (Rafael Alberti - "la paloma")

                      

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Lance falso e pouco "strong"



Dando como certezas indesmentíveis, as provas contra Lance Amstrong, o ciclista norteamericano, de dopagem forte e feio, e do uso de substâncias proibidas, para alcançar objectivos relevantes, que só em condições normais, dão do Homem uma dimensão mais fiel e mais verdadeira, caímos na burla maior do desporto e no maior artifício de fabricação de atletas de alto rendimento, e de fama. As acusações provadas contra o "super- atleta e campeão universal", para lá das montanhas, do asfalto, e de todas as etapas que o relógio controlou e a história regista, são de tal modo graves, que por constituírem o pior exemplo de desportistas e das redes médico-laboratoriais, clandestinas,devem constar dos manuais escolares e das teses superiores sobre o Desporto, como crime contra a humanidade, pela decepção imensa e pelo aniquilamento da modalidade, onde tudo correu, e pela descredibilidade que "lan(ç)ou" a todas as outras. Um jovem ciclista, iniciado, amador, que alguma vez pensou ter visto em Lance Amstrong, um ídolo, um super-herói, que outra coisa verá hoje nele, após a descoberta da mega-fraude, senão um criminoso no luxo sustentado? Em cima de que moral assentam os títulos, a sua obra e a sua Fundação, que colhe proventos milionários, mas que afinal, ergueram-se em sucessivos atentados à verdade e à saúde? Que cancro desportivo constitui o americano, e para o ciclismo em especial, enquanto festejou títulos desde os Campos Elísios até às olímpíadas, que os "media" cobriram e espalharam pelo mundo? Que devemos pensar,nós, quando nos espalhamos também, ao longo das estradas, e os aplaudimos, vibramos, os incentivamos à vitória, que deve ser alcançada, só através do esforço, do querer, da vontade de superar a dor que o corpo e a mente preparada, aguenta, sem truques nem fantasias, sem drogas que só dão alucinação do êxito, que nos faz caír do cavalo, da bicicleta, do pódio, que falsamente conquistamos, e que tem o condão de fazer de nós, adeptos maravilhados, sem equipa nem cor, já que somos admiradores de todos, desde o primeiro ao último classificado? Quem está capaz e autorizado a acalmar estas tristes interrogações, surgidas de um pelotão de resultados, que alteraram para sempre a classificação geral das etapas, e das voltas que a vida nos prega até à meta, a que cada um se propôs atingir com honestidade, nas áreas diversas? A partir de agora, não mais fará sentido nem ânimo, bater-lhes palmas, nem colar o poster da coroação, numa porta, ou numa parede de ilusões, vazias, perto de nós.

               

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

M. António Pina


 


As saudades dele já eram muitas, e suspeitávamos de uma razão má para a sua ausência, que agora teve resposta. A pior que nos podiam dar. Morreu o homem que trazia consigo um poeta. É muito difícil nesta hora, custa mesmo muito, encontrar palavras que transmitam a mágoa, a tristeza maior, que nos percorre, ao saber da morte do escritor. Tendo sido ele,um autor, dos mais respeitados e querido, dos leitores do JN, ficará para sempre um vazio neste jornal e um silêncio no espaço onde ele marcava presença, naquela coluna da última página, que nos levava a apressar a leitura, numa sofreguidão, como quem procura o entendimento das e para as coisas que nos cercam e quase esmagam. A sua sensibilidade, perspicácia, cultura, inteligência, constituíam um grau elevado de intervenção, que "por outras palavras" ninguém mais será capaz de ocupar. Contundente, polémico q.b, preocupado, provocador até e logo doce, de fino humor, mas uma voz escrita, uma pena livre, que ninguém dispensava, ou passava ao lado indiferente. Com o seu silêncio, o País emudece, de tanta dor, e chora. Paz à sua alma.

                                  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"O que diz Otelo"


Não, não! Não é Molero quem o diz, é o estratega da última Revolução do sec.xx, o Grande Otelo, que falou, e disse mais ou menos o seguinte; - "está latente uma Revolução, que não será com cravos nem rosas". Pressupõe-se, que tal revolução a acontecer, já meta espinhos dos grossos e afiados. A afirmação do Capitão de Abril, que regressa por esta via, às notícias do dia, será toda ela, uma provocação, uma ameaça, um simples desejo, uma tomada de consciência, um grito, um alerta, um levantar a lebre, um incentivo ao despertar, uma leitura do sentimento que vai no país a partir do desânimo e frustração generalizada que grassa, do pulsar das casernas e do que espreita pelas guaritas com sentinelas armados? Terá esta sua opinão, cabimento e eco, hoje em Portugal do sec.21, entalado numa Europa da moeda única mas tão desigual? Um Portugal que retorna e devolve os portugueses à época da fome e miséria, lhes rouba (n)a saúde, educação, trabalho, salário, e que os manda desenrascarem-se pelos quatro cantos do mundo, não merecerá, enão está a pedir uma intervenção fardada, em vez dos protestos de rua sem consequências, capaz de repor nos trilhos as promessas feitas, e nos eixos, a "comandita" que nos tem "governado" e que nos conduziram á falência? Será Otelo um tonto, incapaz de avaliar o alcance das palavras incómodas, quase guerrilheiras, que provocam a ira dos que não lhe perdoam o Abril de 74, e ainda daqueles, que agora em liberdade, vão dissertar e voltar à carga, zurzindo-o por todos os meios e feitios, sem cuidar antes de lhe agradecer a liberdade restituída, para o fazer? Não merecerá Otelo, a solidariedade de todo um Povo, que é o mesmo e igual àquele que na madrugada de à 38 anos, se juntou a ele, prenhe de esperança de viver num país melhor, mais próspero, mais fraterno, e menos injusto do que tinha sido e hoje volta a ser? Pela parte que me cabe, Otelo, não avançará sózinho. Quando começar a contar os homens e as armas, as vozes assinaladas, ter-me-à ao seu lado, carregado com a nova esperança, saída de nova vontade, que desta vez, será para valer. O resto, que se possa argumentar, é música de sacristia, e que não é ouvida por quem vive agora no inferno, para onde foi atirado, pelos diabos que tomaram o poder e o país, e o exauriram de forma criminosa.

                 

                      

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"A Selecção inquinada de hipocrisia"

 
 

Um resumo é coisa boa, e tem a vantagem de nos obrigar a dizer só o essencial. E o essencial é: Para os hipócritas-analistas, os ferverosos-nacionalistas, ridículos-opinantes sobre futebol e demais comentadores, que nunca o praticaram, a não ser no recreio escolar, ou nas redacções dos jornais, para quem uma bola pesa mais que um rebo, é urgente desmistificar, o que pretendem impor como, verdade. E a verdade é: Leonel Messi, ou só Messi para o mundo, é como o superior azeite mais dourado, que vai além do de Vila Flôr, enquanto Ronaldo é como o vinagre vazado do pior vinho a martelo, feito no Caniçal, ou na treta da federação dos interesses, e após um processo de fermentação e de insistência, levado a cabo pelos "media" e marketing, comerciais. Quando se compara teimosamente, o "ilhéu luso", com o "génio" da pampa argentina, colabora-se num crime de abuso, que só tem como resultado aumentar a desgraça. A Selecção das Quinas e o País, são bem o exemplo disso. Um País ser conhecido de Madrid à China, só pelo Eusébio e por CR7, que nunca nos trouxeram riqueza nem mínima vantagem seja em que campo for, é muito mas muito pouco, e é uma aposta ou investimento, medíocre. Assim, não se vai a lado nenhum!

                         
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Passelvas & Miguelho..."






A classe política, e em particular muitos governantes ou outros que o foram, estão sob investigação por prática de actos ilícitos, e cujos processos, que gatinham nas garras aparadas do Ministério Público, estão, como é óbvio, em segredo de justiça. O tempo, porém, diz-nos, que o segredo não é tanto assim, e a justiça nunca acontece como o desejável, porque pelo caminho da investigação, que pretende chegar à prova do ilícito comprovado, os tropeções que a PGR dá e a paralisa, são gritantes, esquisitos, e como é óbvio também, tudo acaba em águas-de-bacalhau. A matéria em causa e suspeita, esvanece-se, e o prevaricador investigado, se não for promovido, é colocado noutro pedestal, com benefícios e mordomias, acrescidos. Os amigos conluiados que formam o círculo de interesses e dominam, o país dos sacanas, fecham-se na hora do cerco e do aperto, pelas polícias e pelos "media" especializados em esclarecer negócios escuros, favores criminosos, aprovações de concursos e propostas de projectos fraudulentos, que aterram em outlets, ou levantam duma qualquer tecnoformadora ppc-mr, que lhes permita embolsar dinheiros públicos, sem que tenham algum dia, dado formação ao coveiro da autarquia, ou ao jardineiro, contínuo, porteiro, motorista, administrativo, afilhado, de modo a desempenharem função que cuidasse das condições que punham a voar um papagaio de papel que fosse, num heliporto que nunca existiu, e que não passa hoje de um aterro, verdadeiramente. “Passelvas” y “Miguelho”, os principais personagens, desta ficção a querer ser estória à medida que cresce, são dois exemplos de governantes que estão por detrás, “de golpadas sempre negadas, de procedimentos desmentidos, de contactos não realizados, de actos nunca praticados, de contratos jamais celebrados, de dinheiros nunca entregues e nunca recebidos”, neste Paraísugal para eles, e Portinferno para nós - lugares que só constam no sub-mapa europeu, mas inseridos na geografia do gamanço universal. Qualquer trapalhada, porém, acaba arquivada nas costas do povo, que sustenta os desmandos e a pouca vergonha, na gestão da coisa pública, e a corrupção que daí sempre emerge. No entanto, para que a culpa não morra solteira, convém encontrar culpados, para dar satisfação a alguns sectores dominantes e do Poder, que teimam em chamar a este País, um Estado de Direito, e os culpados são,(uma pausa enquanto se abre o envelope) – os Órgãos de Comunicação Social - que pagam por fim as favas, ameaçados como foras-de-lei, que ousam desvendar e revelar as redes ocultas neste país depravado, os negócios polémicos e suspeitos, entre amizades estranhas, que partilham percursos de vida. A coisa está preta e é companheira íntima do Passelvas. Esperemos que a partilha de tal coisa, nunca tenha sido feita com o Miguelho, mas se aconteceu, há que apurar e destapar o lençol. São unha da mesma carne – a sacanice irmana-os. A nós, acomodados, só nos resta aguentar no silêncio da lágrima e da lamúria, estar atentos às escutas que se fazem, às denúncias divulgadas, às investigações judiciais que se esvaziam no tempo, e que dão como resultado – nada! Parafraseando Jorge de Sena, “Que país é este, se não um fingimento”?

                                     

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Ai ai, uei uei..."

                                                                        Ai Weiwei


                                                                        mo yan

Ai Weiwei, está desolado porque discorda, com a atribuição feita pela Academia Sueca, do prémio maior da arte de bem escrever. Este artista e provocador plástico, parece (não) estar-se nas tintas para tal decisão, e avaliar os autores literários, no caso em apreço, não pela sua qualidade, mas tão só, pelo seu posicionamento e opção de vida social e política, que difere da dele. Para além disso, desde que está sob os holofotes dos "media" ocidentais e norte-americanos, como convém, mais na qualidade de dissidente do que de criador, que fala, fala, ao contrário do agora Nobel da Literatura, Mo Yan, que não fala - escreve. E o que é que diz Ai Weiwei, com algum azedume e severidade depreciativa? Que o agora laureado escritor, é um homem do "regime". Ou seja, a ele não importa se o autor chinês e seu compatriota, tem fôlego e estofo para o conto e o romance, se retrata o seu povo com estima e nobreza, se a ele se associa com o sentimento e a crueza de quem com ele conviveu, participou e sofreu desde muito cedo e tenra idade. A Ai WeiWei não interessa, se Mo Yan, é digno do Prémio pela sua obra, se constitui para o mundo, uma voz respeitável e de leitura recomendável, obrigatória até. Ao dissidente, a quem não cabe a escolha, felizmente, interessa-lhe mais politizar e descolorir o acto da nomeação e da galardoação, do que o reconhecimento do melhor currículo de quem chega com mérito a tão prestigiado prémio. Entre nós, já tivemos um caso semelhante, mas um dos protagonistas visado, "levantado do chão", e único Nobel da Literatura, partiu em silêncio, e o outro, ainda por aí, consta sempre da Lista soberba sediada em Estocolmo, em busca do reconhecimento sueco, num verdadeiro "fado alexandrino" e psiquiátrico, que no entanto respeitamos e apoiamos. Contudo, Mo Yan, apresenta-se de "peito grande e moral larga" para receber o cobiçado louvor. Já quem assim fala e tão mal diz ou com tal intolerância reage, comporta-se e rasteja como um "frog" em busca de um protagonismo abstracto e vazio de sentido diante da tela de frustração. Ai ai, uei uei, vai-te catar!

                       

 

sábado, 6 de outubro de 2012

O "leão" de Bratislava


Enquanto António Costa, Edil da Câmara de Lisboa, proferia um discurso sério, contundente e republicano, nas cerimónias deste 5 de Outubro, esvaziado de povo e sem futuro no calendário, e atirado para um "gueto" luxuoso de Lisboa, Pedro Coelho, com passos perdidos entre o susto e o desprezo pelo acto, deslocou-se ou ausentou-se para Bratislava, para se reunir com um grupo "indispensável", que se auto-designa, por "Amigos da Coesão". Não sabemos se a coesão é, entre eles e os seus reais interesses, ou se se trata da Coesão dos Países e dos Povos que eles acham que governam. Pelo que se sabe, não houve coesão total, pois alguns líderes máximos e até mais ricos, falharam à reunião, porque certamente tinham mais em que pensar e a importância de tal reunião não era tanta assim, e por isso a acharam "dispensável". Pedro Passos, entendeu, à revelia do bom-senso, que estar presente na Eslováquia era uma oportunidade mais, para quem quer ir a todas, dar nas vistas, e afirmar-se como líder de um país às avessas, e com intenção forte de não ser esquecido tão rápidamente, quanto o será Sá Pinto, na sua passagem pelo Sporting de Portugal. Mas enquanto o treinador do clube de Alvalade, é substituído pelo Oceano calmo, o nosso timoneiro-ministro, parte, antes de ser despedido, e de modo a evitar e enfrentar mais protestos, para terra estranha, e deixa o País entregue e a representá-lo no Pátio da Galé, aos "Amigos do Alheio". Grupo de governantes subordinados, que nos tratam como "patos da ralé", pagadores de impostos colossais, sem trabalho, ultrajados, de cabeça desorientada como bandeira ao-deus-dará. No seu regresso crítico, merecia à chegada, uma recepção á gatinho sem garras, e nunca, á leão –(como) o rei da selva.

                         

domingo, 30 de setembro de 2012

O "inefável" Relvas



Miguel Relvas, com a autoridade académica que se lhe reconhece e assente em consideráveis critérios, pronunciou-se para dizer, que discordava que o Euro esteja por um fio, e de que se tal acontecesse, o retorno à moeda própria, territorial, nacional, seria " condenar o país ao atraso e ao isolamento... um retrocesso inacreditável". A gente ouve, lê, e interroga-se; - mas de que atraso e retrocesso fala ele, se já não há rectaguarda para onde recuar? O velho reformado e mal, o novo sem emprego nem perspectiva de o encontrar, o cinquentão desempregado e no meio da ponte, os estudantes com continuidade em risco e com incertezas à saída para o futuro comprometido, os professores aturdidos, as mulheres sem meios de sustento calmo e com os filhos à perna, os empresários débeis e com as chaves na mão para entregar ao banco e às finanças e entregarem-se aos biscates, os comerciantes limitados que fecham as portas? Quantos passos mais podem andar para trás, se para trás fica o mar ou a aconselhada partida para outras terras? No entanto, este “mestre lusófono” e ministro dos assuntos do falatório, reconhece que o país está fraco (moribundo, dizemos nós), e que sem a integração europeia, Portugal será " demasiado fraco". Já não é mau, Mau, foi ele ter chegado até aqui. O pior, porém, não é o que está para vir. É o que está e que não se resolve, e se vai agravar e continuar, com ele à defesa e nós na corrida aos anti-depressivos. Miguel Relvas, em jeito de ameaça, exibe um esquema ou uma teoria, que lembra Netanyhu com a bomba das etapas a seguir que levam à destruição, só para nos convencer, e a todas as cigarras e as formigas, a pactuar com as medidas que forem tomadas. Um peditório para o qual todos os pobres já deram, e não estão mais dispostos a dar, e por isso as praças enchem-se de raiva e de gritos.

                                       

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

"Já a formiga tem catarro"



O ministro Miguel Macedo, ministro das forças em parada, disse aí por um desses lugares vazios, de um país que marca passo, sofre e se queixa, de que Portugal "era um país de muitas cigarras e poucas formigas". É provável. Mas quem são as verdadeiras cigarras e quem são as formigas, dito de outro modo, quem são e quantos são os parasitas, e quem são os que trabalham e carregam os sacrifícios às costas? Comecemos pela Assembleia da República, uma lura onde se alojam despesistas bem pagos, e onde o número de deputados "eleitos pelos partidos", depois de sacarem o voto ao povo, são dispensáveis, e o nº dos que fazem que fazem, é demasiado. Se a estes juntarmos as formigas, que a governação manda para o desemprego, por via das políticas erradas, viciadas, contestadas,  e que lhes roubam o pão, temos que a ala das cigarras aumenta exponencialmente. Todas as médias, pequenas e microempresas, que devido à forreta austeridade, encerram diáriamente,"trabalham"para que a comunidade de cigarras cresça, e formem um imenso coro, um batalhão de gritos, que embora desarmados, são capazes de se mobilizarem e marcharem até s.bento, com o propósito de exigirem a demissão dos parasitas, piores que térmitas, provocadores da situação que se vive actualmente. E como a perspectiva política cinzenta, é de agravamento das condições de vida destes "insectos mutantes", que agora são formigas e amanhã são cigarras, que ora trabalham ora protestam, dependendo do nível de eusocialidade em que se movem, o ministro MM, que de vez em quando sai do seu "subterrâneo", vem à superfície, lembrar-nos com a sua ladaínha estéril, de quanto está a mais nos destinos da coisa pública, e se constitui anti-operário e anti-soldado. Um larva, autêntica.

 

                                 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Historiadores e Afins



"Expressa-se" por aí, uma História de Portugal, distribuída em nove tranches ou volumes, que tem suscitado muito e vivo debate, e polémica q.b. neste jornal ímpar - Público. Na minha situação de iletrado, leigo, e afastado da arena desses profundos assuntos, que, parece-me, correspondem ao "período jurássico moderno"(!), tenho seguido com a maior atenção e o máximo respeito, tão aceso confronto, entre especialistas na Era da matéria escalpelizada. Uns, esgrimem argumentos com que pretendem provar, que a "sua" História, é que é boa. Outro, grita que a "dele" é a melhor e mais fiel. E colhem apoios. Quase empatam, à direita e à esquerda. Entre os apoiantes, destacam-se uns curiosos intrometidos, que hà muito se acham, "tudólogos", como é o caso, de um jornalista despromovido, um sociólogo bem-retirado, um cronista periódico e provocador, e uma Mónica sem aura nem prestígio, que não é aquela da B.D, mas antes aquela, que nem sequer é capaz de uma boa legenda ou um "balão" numa tira. Sobre esta personagem em especial, parece-me contudo, que há unanimidade, em proclamá-la, malcriada - é o que ressalta de todas as exposições publicadas, pelos autores, de barba rija na cara, e de conhecimento científico, maior. No entanto, os tais leigos como eu, interrogam-se, afinal por qual História se digladiam eles? Daquela que nos empobreceu, reprimiu, encarcerou, mobilizou para a guerra e matou, atrasou, estupidificou, e que os historiadores de Direita, usando reagentes espumosos, tentam lavar, agora nesta edição aos bocados, ou, da História actual que nos traz pobres e aflitos, cada vez mais, mas com direito a protestar, sem correr riscos de ir parar ao Limoeiro, Caxias, Peniche, ou ao Tarrafal? E em que medida(nova pergunta), a pesquisa dos assentos antigos e alguns de má memória, nos pode ajudar, a ultrapassar com dignidade e sucesso, esta história de maldição que hoje vivemos, e que tem como protagonistas no governo, uns líderes, que não eram sequer nascidos no tempo do "não-fascismo" ou “fascismo-light”, segundo os pró-ramos e anti-loffs? E será mais importante saber, quem ganha ou perde, nesta contenda, entre estesdoutores-dos-acontecimentos-passados, ou saber, quem está a ser derrotado no dia-a-dia pelo que acontece e faz a História actual dos portugueses, erguida pelos falsos doutores recém-eleitos, que nos "iluminam" e nos conduzem de novo ao "jurássico cavernoso"? Eu, um leigo histórico, aguardo que os historiadores clássicos, os do velho e os do novo, regime, se manifestem com o mesmo ardor, para que nós possamos compreender, porque estamos em pior estado e com menos Estado, como saír disto e desta condição de mexilhão, e deixem lá os afonsinhos salazarentos, com cheiro a môfo, que pela realidade, diáriamente, são desmentidos.