terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"nem bacalhau nem Coelho"


Em minha casa, nunca tivemos um Natal folgado, porque o dinheiro que precisávamos para o enfeitar e fazê-lo mais luminoso, apagava-se logo no início da época escolar. A obrigatoriedade de comprar os materiais exigidos, no arranque das aulas, levava-nos à penúria, de tal maneira, que o Natal impunha-se sempre soturno e numa atmosfera de desconforto que só o vazio provoca. As montras da abundância e do luxo, que se acendem e movem angústias nesta época, aos nossos olhos luziam como ofensas. No conjunto de três filhos que tenho, número que passou de moda, esfolaram-me cerca de 26 500euros, em equipamento, sem nunca lhes ter dado artigos de marca, durante os anos de ensino obrigatório, e sem que nesse montante aplicado, entrassem despesas com vestuário, calçado, alimentação, transportes e saúde. Equipados com lápis de merceeiro, mochilas de feira, estojos de irmão para irmão, cadernos de supermercado, aguças do chinês, etc. os três filhos lá foram "cantando e rindo" como podiam, agarrados à côdea, vencendo a tormenta do ensino público, mas necessário. Agora, (parece que não tão, agora), vem o ministro, que dizem, ocupa o lugar de primeiro no governo, à frente de Gaspar, e de Portas mais atrás, alertar, que as despesas do ensino obrigatório, terão de ser "repartidas", entre o Estado e os cidadãos, pondo deste modo em causa, a gratuitidade da escolaridade oficial. A pergunta que a minha angústia levanta, é esta; - quando foi que o Estado sustentou, suportou, apoiou os meus filhos, durante os anos que os amarrou à formação académica básica e secundária, que a Constituição da República, declara ser universal, gratuita e um direito para todos, para vir agora (parece que já não),dizer que as custas com o financiamento nessa juvenil formação, devem ser "repartidas", se até hoje só houve um investidor, os pais, que fazem das tripas coração e das sardinhas, bifes, para que eles chegassem ao fim da etapa instituída na lei, com sucesso, neste país sem trabalho nem futuro? E se mandássemos este ministro, dar uma volta ao bilhar grande ou à caça de gambusinos nas próximas eleições? Um governante imberbe, que hoje dá o dito por não dito, que o que é carne hoje, amanhã é peixe, que se contraria repetidamente, querendo fazer de nós intérpretes tontos, que anda cá a fazer? ONG´s de que já não se lembra? Enquanto isso não acontece, nós lá por casa, procuramos por entre a escuridão, que se alojou faz tempo, não chocar uns com os outros, e a tentar encontrar a porta de saída para dias com mais Sol.

                                            

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