quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A "coisa" em baixo


Em Portugal, o número de velhos continua a crescer, mais do que muito, enquanto o número dos recém-gerados e que chegam à vida, com cabeça, tronco e membros, é menos do que o desejável e até necessário. A causa para esta situação, está diagnosticada, difundida, e apreendida pela camada social mais limitada da população, há já alguns anos - o medo da pobreza continuada -  gerada pelo país pobre e incapaz de dar trabalho, para ganhar o sustento da vida, e embrulhado mesmo, nas maiores dificuldades para saír de tal défice, lastimável. As autoridades políticas e até religiosas, repetem os apelos a todos os casais, para que façam aumentar a família. Mas sem estimulantes que entusiasmem, a coisa, não dará resultados. A Economia e o Emprego, estão pelas ruas da amargura, em baixo, e este drama que pulsa no vermelho, vai persistir por longa noite, com repercussões que amolecem relações, entre lençóis. Este cenário de falência e estado de flacidez em que se vive, não traz ninguém animado, e a cabeça, parte superior por onde tudo passa e a corrente sanguínia provoca vontades, não funciona, nem comunica como deve ser. E quando a cabeça não está metida no sítio certo, não cria. A manter-se o frio económico que nos encolhe, que não nos excita, que não permite que se erga a vontade ou a virilidade procriadora de mais braços e de maior riqueza, dentro de poucos anos só teremos velhos, ou casais em que o filho(a) mais novo(a) terá sessenta anos, com pais a passar dos oitenta anos. Reunidos agora debaixo do mesmo tecto, por imposição das dificuldades surgidas e por regresso, cada vez mais, de uns quantos à casa paterna porque perderam a sua, teremos assim dois casais juntos, um de reformados e outro a caminho da aposentação, se a ela tiver direito quando lá chegar. Se não há nascimentos não há renovação das gerações, que garantam e sustentem um futuro com assistência social adequada aos que lá chegam, e por esta causalidade, o número de "velhos" dentro de uma casa, sobe considerávelmente. Às dificuldades que isso acarreta, somam-se as da escassez dos proventos, as doenças que se multiplicam, e o desfecho natural vai-se aproximando e acontece - a morte. Quer isto dizer, que dentro de alguns anos, as famílias são constituídas só por idosos, que não farão outra coisa senão funerais, no curto período de vida carunchosa que se lhes perspectiva. Pela "ordem natural das coisas", partem à frente os pais octogenários, seguidos dos filhos, filhas, genros e noras, que envelhecem e morrem sem deixar descendentes. É que isto de fazer filhos nos tempos que correm, é roubar-lhes o amor que eles merecem, porque é fazê-los, para serem mão d´obra barata e escravos dos senhores dos dinheiros. Portugal, a partir daqui e com tanto funeral, uns atrás de outros, não será mais, um jardim, mas apenas e só um grande cemitério à beira-mar enterrado. Os "coveiros" estão devidamente identificados.

                                       

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário