Em Portugal, o número de velhos continua a crescer, mais do que muito,
enquanto o número dos recém-gerados e que chegam à vida, com cabeça, tronco e
membros, é menos do que o desejável e até necessário. A causa para esta
situação, está diagnosticada, difundida, e apreendida pela camada social mais
limitada da população, há já alguns anos - o medo da pobreza continuada - gerada pelo país pobre e incapaz de dar
trabalho, para ganhar o sustento da vida, e embrulhado mesmo, nas maiores
dificuldades para saír de tal défice, lastimável. As autoridades políticas e
até religiosas, repetem os apelos a todos os casais, para que façam aumentar a
família. Mas sem estimulantes que entusiasmem, a coisa, não dará resultados. A
Economia e o Emprego, estão pelas ruas da amargura, em baixo, e este drama que
pulsa no vermelho, vai persistir por longa noite, com repercussões que amolecem
relações, entre lençóis. Este cenário de falência e estado de flacidez em que
se vive, não traz ninguém animado, e a cabeça, parte superior por onde tudo
passa e a corrente sanguínia provoca vontades, não funciona, nem comunica como
deve ser. E quando a cabeça não está metida no sítio certo, não cria. A
manter-se o frio económico que nos encolhe, que não nos excita, que não permite
que se erga a vontade ou a virilidade procriadora de mais braços e de maior
riqueza, dentro de poucos anos só teremos velhos, ou casais em que o filho(a)
mais novo(a) terá sessenta anos, com pais a passar dos oitenta anos. Reunidos
agora debaixo do mesmo tecto, por imposição das dificuldades surgidas e por
regresso, cada vez mais, de uns quantos à casa paterna porque perderam a sua,
teremos assim dois casais juntos, um de reformados e outro a caminho da
aposentação, se a ela tiver direito quando lá chegar. Se não há nascimentos não
há renovação das gerações, que garantam e sustentem um futuro com assistência
social adequada aos que lá chegam, e por esta causalidade, o número de
"velhos" dentro de uma casa, sobe considerávelmente. Às dificuldades
que isso acarreta, somam-se as da escassez dos proventos, as doenças que se
multiplicam, e o desfecho natural vai-se aproximando e acontece - a morte. Quer
isto dizer, que dentro de alguns anos, as famílias são constituídas só por
idosos, que não farão outra coisa senão funerais, no curto período de vida
carunchosa que se lhes perspectiva. Pela "ordem natural das coisas",
partem à frente os pais octogenários, seguidos dos filhos, filhas, genros e
noras, que envelhecem e morrem sem deixar descendentes. É que isto de fazer
filhos nos tempos que correm, é roubar-lhes o amor que eles merecem, porque é
fazê-los, para serem mão d´obra barata e escravos dos senhores dos dinheiros.
Portugal, a partir daqui e com tanto funeral, uns atrás de outros, não será
mais, um jardim, mas apenas e só um grande cemitério à beira-mar enterrado. Os
"coveiros" estão devidamente identificados.

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