quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"O que diz Otelo"


Não, não! Não é Molero quem o diz, é o estratega da última Revolução do sec.xx, o Grande Otelo, que falou, e disse mais ou menos o seguinte; - "está latente uma Revolução, que não será com cravos nem rosas". Pressupõe-se, que tal revolução a acontecer, já meta espinhos dos grossos e afiados. A afirmação do Capitão de Abril, que regressa por esta via, às notícias do dia, será toda ela, uma provocação, uma ameaça, um simples desejo, uma tomada de consciência, um grito, um alerta, um levantar a lebre, um incentivo ao despertar, uma leitura do sentimento que vai no país a partir do desânimo e frustração generalizada que grassa, do pulsar das casernas e do que espreita pelas guaritas com sentinelas armados? Terá esta sua opinão, cabimento e eco, hoje em Portugal do sec.21, entalado numa Europa da moeda única mas tão desigual? Um Portugal que retorna e devolve os portugueses à época da fome e miséria, lhes rouba (n)a saúde, educação, trabalho, salário, e que os manda desenrascarem-se pelos quatro cantos do mundo, não merecerá, enão está a pedir uma intervenção fardada, em vez dos protestos de rua sem consequências, capaz de repor nos trilhos as promessas feitas, e nos eixos, a "comandita" que nos tem "governado" e que nos conduziram á falência? Será Otelo um tonto, incapaz de avaliar o alcance das palavras incómodas, quase guerrilheiras, que provocam a ira dos que não lhe perdoam o Abril de 74, e ainda daqueles, que agora em liberdade, vão dissertar e voltar à carga, zurzindo-o por todos os meios e feitios, sem cuidar antes de lhe agradecer a liberdade restituída, para o fazer? Não merecerá Otelo, a solidariedade de todo um Povo, que é o mesmo e igual àquele que na madrugada de à 38 anos, se juntou a ele, prenhe de esperança de viver num país melhor, mais próspero, mais fraterno, e menos injusto do que tinha sido e hoje volta a ser? Pela parte que me cabe, Otelo, não avançará sózinho. Quando começar a contar os homens e as armas, as vozes assinaladas, ter-me-à ao seu lado, carregado com a nova esperança, saída de nova vontade, que desta vez, será para valer. O resto, que se possa argumentar, é música de sacristia, e que não é ouvida por quem vive agora no inferno, para onde foi atirado, pelos diabos que tomaram o poder e o país, e o exauriram de forma criminosa.

                 

                      

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