sexta-feira, 19 de outubro de 2012

M. António Pina


 


As saudades dele já eram muitas, e suspeitávamos de uma razão má para a sua ausência, que agora teve resposta. A pior que nos podiam dar. Morreu o homem que trazia consigo um poeta. É muito difícil nesta hora, custa mesmo muito, encontrar palavras que transmitam a mágoa, a tristeza maior, que nos percorre, ao saber da morte do escritor. Tendo sido ele,um autor, dos mais respeitados e querido, dos leitores do JN, ficará para sempre um vazio neste jornal e um silêncio no espaço onde ele marcava presença, naquela coluna da última página, que nos levava a apressar a leitura, numa sofreguidão, como quem procura o entendimento das e para as coisas que nos cercam e quase esmagam. A sua sensibilidade, perspicácia, cultura, inteligência, constituíam um grau elevado de intervenção, que "por outras palavras" ninguém mais será capaz de ocupar. Contundente, polémico q.b, preocupado, provocador até e logo doce, de fino humor, mas uma voz escrita, uma pena livre, que ninguém dispensava, ou passava ao lado indiferente. Com o seu silêncio, o País emudece, de tanta dor, e chora. Paz à sua alma.

                                  

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