domingo, 30 de setembro de 2012

O "inefável" Relvas



Miguel Relvas, com a autoridade académica que se lhe reconhece e assente em consideráveis critérios, pronunciou-se para dizer, que discordava que o Euro esteja por um fio, e de que se tal acontecesse, o retorno à moeda própria, territorial, nacional, seria " condenar o país ao atraso e ao isolamento... um retrocesso inacreditável". A gente ouve, lê, e interroga-se; - mas de que atraso e retrocesso fala ele, se já não há rectaguarda para onde recuar? O velho reformado e mal, o novo sem emprego nem perspectiva de o encontrar, o cinquentão desempregado e no meio da ponte, os estudantes com continuidade em risco e com incertezas à saída para o futuro comprometido, os professores aturdidos, as mulheres sem meios de sustento calmo e com os filhos à perna, os empresários débeis e com as chaves na mão para entregar ao banco e às finanças e entregarem-se aos biscates, os comerciantes limitados que fecham as portas? Quantos passos mais podem andar para trás, se para trás fica o mar ou a aconselhada partida para outras terras? No entanto, este “mestre lusófono” e ministro dos assuntos do falatório, reconhece que o país está fraco (moribundo, dizemos nós), e que sem a integração europeia, Portugal será " demasiado fraco". Já não é mau, Mau, foi ele ter chegado até aqui. O pior, porém, não é o que está para vir. É o que está e que não se resolve, e se vai agravar e continuar, com ele à defesa e nós na corrida aos anti-depressivos. Miguel Relvas, em jeito de ameaça, exibe um esquema ou uma teoria, que lembra Netanyhu com a bomba das etapas a seguir que levam à destruição, só para nos convencer, e a todas as cigarras e as formigas, a pactuar com as medidas que forem tomadas. Um peditório para o qual todos os pobres já deram, e não estão mais dispostos a dar, e por isso as praças enchem-se de raiva e de gritos.

                                       

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