Miguel Relvas, com a autoridade académica que se lhe reconhece e assente
em consideráveis critérios, pronunciou-se para dizer, que discordava que o Euro
esteja por um fio, e de que se tal acontecesse, o retorno à moeda própria,
territorial, nacional, seria " condenar o país ao atraso e ao
isolamento... um retrocesso inacreditável". A gente ouve, lê, e
interroga-se; - mas de que atraso e retrocesso fala ele, se já não há
rectaguarda para onde recuar? O velho reformado e mal, o novo sem emprego nem
perspectiva de o encontrar, o cinquentão desempregado e no meio da ponte, os
estudantes com continuidade em risco e com incertezas à saída para o futuro
comprometido, os professores aturdidos, as mulheres sem meios de sustento calmo
e com os filhos à perna, os empresários débeis e com as chaves na mão para
entregar ao banco e às finanças e entregarem-se aos biscates, os comerciantes
limitados que fecham as portas? Quantos passos mais podem andar para trás, se
para trás fica o mar ou a aconselhada partida para outras terras? No entanto,
este “mestre lusófono” e ministro dos assuntos do falatório, reconhece que o
país está fraco (moribundo, dizemos nós), e que sem a integração europeia,
Portugal será " demasiado fraco". Já não é mau, Mau, foi ele ter
chegado até aqui. O pior, porém, não é o que está para vir. É o que está e que
não se resolve, e se vai agravar e continuar, com ele à defesa e nós na corrida
aos anti-depressivos. Miguel Relvas, em jeito de ameaça, exibe um esquema ou
uma teoria, que lembra Netanyhu com a bomba das etapas a seguir que levam à
destruição, só para nos convencer, e a todas as cigarras e as formigas, a
pactuar com as medidas que forem tomadas. Um peditório para o qual todos os
pobres já deram, e não estão mais dispostos a dar, e por isso as praças
enchem-se de raiva e de gritos.

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