quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Historiadores e Afins



"Expressa-se" por aí, uma História de Portugal, distribuída em nove tranches ou volumes, que tem suscitado muito e vivo debate, e polémica q.b. neste jornal ímpar - Público. Na minha situação de iletrado, leigo, e afastado da arena desses profundos assuntos, que, parece-me, correspondem ao "período jurássico moderno"(!), tenho seguido com a maior atenção e o máximo respeito, tão aceso confronto, entre especialistas na Era da matéria escalpelizada. Uns, esgrimem argumentos com que pretendem provar, que a "sua" História, é que é boa. Outro, grita que a "dele" é a melhor e mais fiel. E colhem apoios. Quase empatam, à direita e à esquerda. Entre os apoiantes, destacam-se uns curiosos intrometidos, que hà muito se acham, "tudólogos", como é o caso, de um jornalista despromovido, um sociólogo bem-retirado, um cronista periódico e provocador, e uma Mónica sem aura nem prestígio, que não é aquela da B.D, mas antes aquela, que nem sequer é capaz de uma boa legenda ou um "balão" numa tira. Sobre esta personagem em especial, parece-me contudo, que há unanimidade, em proclamá-la, malcriada - é o que ressalta de todas as exposições publicadas, pelos autores, de barba rija na cara, e de conhecimento científico, maior. No entanto, os tais leigos como eu, interrogam-se, afinal por qual História se digladiam eles? Daquela que nos empobreceu, reprimiu, encarcerou, mobilizou para a guerra e matou, atrasou, estupidificou, e que os historiadores de Direita, usando reagentes espumosos, tentam lavar, agora nesta edição aos bocados, ou, da História actual que nos traz pobres e aflitos, cada vez mais, mas com direito a protestar, sem correr riscos de ir parar ao Limoeiro, Caxias, Peniche, ou ao Tarrafal? E em que medida(nova pergunta), a pesquisa dos assentos antigos e alguns de má memória, nos pode ajudar, a ultrapassar com dignidade e sucesso, esta história de maldição que hoje vivemos, e que tem como protagonistas no governo, uns líderes, que não eram sequer nascidos no tempo do "não-fascismo" ou “fascismo-light”, segundo os pró-ramos e anti-loffs? E será mais importante saber, quem ganha ou perde, nesta contenda, entre estesdoutores-dos-acontecimentos-passados, ou saber, quem está a ser derrotado no dia-a-dia pelo que acontece e faz a História actual dos portugueses, erguida pelos falsos doutores recém-eleitos, que nos "iluminam" e nos conduzem de novo ao "jurássico cavernoso"? Eu, um leigo histórico, aguardo que os historiadores clássicos, os do velho e os do novo, regime, se manifestem com o mesmo ardor, para que nós possamos compreender, porque estamos em pior estado e com menos Estado, como saír disto e desta condição de mexilhão, e deixem lá os afonsinhos salazarentos, com cheiro a môfo, que pela realidade, diáriamente, são desmentidos.

                                        

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