mo yan
Ai Weiwei, está desolado porque discorda, com a atribuição feita pela
Academia Sueca, do prémio maior da arte de bem escrever. Este artista e
provocador plástico, parece (não) estar-se nas tintas para tal decisão, e
avaliar os autores literários, no caso em apreço, não pela sua qualidade, mas
tão só, pelo seu posicionamento e opção de vida social e política, que difere
da dele. Para além disso, desde que está sob os holofotes dos "media"
ocidentais e norte-americanos, como convém, mais na qualidade de dissidente do
que de criador, que fala, fala, ao contrário do agora Nobel da Literatura, Mo
Yan, que não fala - escreve. E o que é que diz Ai Weiwei, com algum azedume e
severidade depreciativa? Que o agora laureado escritor, é um homem do
"regime". Ou seja, a ele não importa se o autor chinês e seu
compatriota, tem fôlego e estofo para o conto e o romance, se retrata o seu
povo com estima e nobreza, se a ele se associa com o sentimento e a crueza de
quem com ele conviveu, participou e sofreu desde muito cedo e tenra idade. A Ai
WeiWei não interessa, se Mo Yan, é digno do Prémio pela sua obra, se constitui
para o mundo, uma voz respeitável e de leitura recomendável, obrigatória até.
Ao dissidente, a quem não cabe a escolha, felizmente, interessa-lhe mais
politizar e descolorir o acto da nomeação e da galardoação, do que o
reconhecimento do melhor currículo de quem chega com mérito a tão prestigiado
prémio. Entre nós, já tivemos um caso semelhante, mas um dos protagonistas
visado, "levantado do chão", e único Nobel da Literatura, partiu em
silêncio, e o outro, ainda por aí, consta sempre da Lista soberba sediada em
Estocolmo, em busca do reconhecimento sueco, num verdadeiro "fado
alexandrino" e psiquiátrico, que no entanto respeitamos e apoiamos.
Contudo, Mo Yan, apresenta-se de "peito grande e moral larga" para receber
o cobiçado louvor. Já quem assim fala e tão mal diz ou com tal intolerância
reage, comporta-se e rasteja como um "frog" em busca de um
protagonismo abstracto e vazio de sentido diante da tela de frustração. Ai ai,
uei uei, vai-te catar!
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