quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Viva Portugal!


Portugal está a ficar forte, bonito e saudável. Já há menos doentes a entrar à pressa nas urgências, já não precisam tanto das farmácias a toda a hora, dispensam cada vez mais os postos de saúde, e nem se submetem ao dentista. Os dentes, aliás, são um luxo dispensável, que só quem tem dinheiro é que os tratam e os conservam, e quem não os tem também não precisa deles, pois há pouco que trincar, e isso é benéfico porque não engordamos como vinha acontecendo até aqui, o que se estava a tornar uma epidemia e ameaça para as estatísticas sobre a obesidade. As medidas severas de austeridade, têm um efeito bastante positivo. Fazem diminuir o consumo de medicamentos, diminuem as horas extras dos profissionais da saúde, baixam o número de exames que utilizam sofisticado e caro equipamento, os custos com a energia despendida baixam também. O lucro terá que aparecer forçosamente, e os sinais de riqueza por tanta poupança hão-de surgir, a montante ou a jusante, como agora se diz. Estamos a dar "passos" certos e seguros, no sentido de uma sociedade perfeita. Fica apenas a faltar o remédio para a morte, mas isso com o tempo e com os actuais governantes, resolve-se. Somos governados no maior conforto, podem crer. Não nos falta o aquecimento a gás ou eléctrico nesta época de natal, que se quer frio e humilde, como é retratado em alguns postais. Nas actuais condições, podemos considerar que temos as costas quentes. O Natal vai ser com certeza um sucesso de luz e cor, e não vai haver coração que não se acenda de felicidade. Só há um senão. À porta dos supermercados, estão lá uns teimosos e renitentes voluntários, a recolher cada vez mais pão de Deus abençoado, para distribuír por cada vez mais gente, vinda sabe-se lá de onde. Mas isto deve ser uma brincadeira, ou ocupação de tempos livres para os desempregados ou gente de férias. Espalhem a notícia. Portugal é um país recomendável, onde não há dengue que nos pegue. Devemos estar contentes e sentirmos-nos orgulhosos por todo o passado e presente. Viva Portugal e quem cá ficar, que eu vou emigrar - e é já!

                                      

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