Dando como certezas indesmentíveis, as provas contra Lance Amstrong, o
ciclista norteamericano, de dopagem forte e feio, e do uso de substâncias
proibidas, para alcançar objectivos relevantes, que só em condições normais, dão
do Homem uma dimensão mais fiel e mais verdadeira, caímos na burla maior do
desporto e no maior artifício de fabricação de atletas de alto rendimento, e de
fama. As acusações provadas contra o "super- atleta e campeão
universal", para lá das montanhas, do asfalto, e de todas as etapas que o
relógio controlou e a história regista, são de tal modo graves, que por
constituírem o pior exemplo de desportistas e das redes médico-laboratoriais,
clandestinas,devem constar dos manuais escolares e das teses superiores sobre o
Desporto, como crime contra a humanidade, pela decepção imensa e pelo
aniquilamento da modalidade, onde tudo correu, e pela descredibilidade que
"lan(ç)ou" a todas as outras. Um jovem ciclista, iniciado, amador,
que alguma vez pensou ter visto em Lance Amstrong, um ídolo, um super-herói,
que outra coisa verá hoje nele, após a descoberta da mega-fraude, senão um
criminoso no luxo sustentado? Em cima de que moral assentam os títulos, a sua
obra e a sua Fundação, que colhe proventos milionários, mas que afinal,
ergueram-se em sucessivos atentados à verdade e à saúde? Que cancro desportivo
constitui o americano, e para o ciclismo em especial, enquanto festejou títulos
desde os Campos Elísios até às olímpíadas, que os "media" cobriram e
espalharam pelo mundo? Que devemos pensar,nós, quando nos espalhamos também, ao
longo das estradas, e os aplaudimos, vibramos, os incentivamos à vitória, que
deve ser alcançada, só através do esforço, do querer, da vontade de superar a
dor que o corpo e a mente preparada, aguenta, sem truques nem fantasias, sem
drogas que só dão alucinação do êxito, que nos faz caír do cavalo, da
bicicleta, do pódio, que falsamente conquistamos, e que tem o condão de fazer
de nós, adeptos maravilhados, sem equipa nem cor, já que somos admiradores de
todos, desde o primeiro ao último classificado? Quem está capaz e autorizado a
acalmar estas tristes interrogações, surgidas de um pelotão de resultados, que
alteraram para sempre a classificação geral das etapas, e das voltas que a vida
nos prega até à meta, a que cada um se propôs atingir com honestidade, nas
áreas diversas? A partir de agora, não mais fará sentido nem ânimo, bater-lhes
palmas, nem colar o poster da coroação, numa porta, ou numa parede de ilusões,
vazias, perto de nós.
Sem comentários:
Enviar um comentário