domingo, 2 de março de 2014

Vendedores de ilusões

Alertam ou avisam os jornais para coisa, com título enganador e mais que sabida - "Desemprego em Portugal tem a segunda maior descida na UE"-. Tal notícia várias vezes repetida, em vão, não permite esboçar sequer um sorriso a não ser pelo cinismo que esconde e pela verdade que mutila. É claro que um país no nosso estado está sujeito a análises mentirosas como esta e para consumo dos incautos, que se ficam pelos títulos, mas sem proveito para quem sente a desgraça dia-a-dia. Na tabela do insucesso que nos posiciona mais à frente ou mais atrás dos outros países, nós somos os primeiros a necessitar de emigrar para terras onde há trabalho capaz de nos matar a fome. Os indígenas desses países para onde partimos e que nos acolhem, já lá estão enraizados naturalmente, e por isso não precisam de se por na alheta, largando tudo e todos, como nós, para ganhar mais do que a côdea, que aqui nem tal está garantida - a vida. As fábricas, oficinas, as unidades e tantos complexos de produção de riqueza, e de economia saudável, é por lá que se mantêm, reforçam-se cada vez mais, modernizam-se, não fecham à velocidade das de cá, e até alargam as portas para nós entrar com o nosso saber, vontade de trabalhar e viver. Por enquanto. E na tal tabela que mede o abismo em que caímos, continuamos os primeiros com uma taxa de desemprego e sem apoio digno, das mais elevadas da UE em todos os escalões etários e académicos. Atrás de nós só os que nos perseguem no carro vassoura, oriundos de um qualquer bantustão, que faça fronteira com o Casal Ventoso, e que não demorará a ultrapassar-nos. No entanto temos um governo que diz que vamos bem, que a estabilidade mantém-se, que estamos no bom caminho, e em direcção à saída limpa,- e um povo borrado de medo dizemos nós. E ainda um presidente que anda por terras longínquas, não muito afastadas do ”magalhães chavista” que por sorte não ficou ancorado no estaleiro minhoto, a vender Portugal como uma "priority location". Credível diz ele! Boa malha ou grandes nódoas. Quem não acredita nos nossos vendedores de ilusões?


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