Abro com Eduardo Galeano, escritor uruguaio - " a primeira condição
para modificar a realidade consiste em conhecê-la". Dentro do pouco que
julgo saber por dentro da minha ignorância tamanha, permito-me pensar que a
cambada de personalidades, com muitos rapazes à mistura, que chegam ao coro do
Poder em vários países da UE e que apoiam os EE.UU cegamente, e que são responsáveis
por muito desequilíbrio sócioprofissional e familiar, e muito dos seus efeitos
e vincados males que percorrem algumas nações que lutam pela sua soberania
económica ou independência territorial e financiamento capaz, mostram a
verdadeira face quando são chamados a intervir nos conflitos dolorosos que vão
estalando pelo mundo. Portugal, moço dos pregos, incluído. A sua forma de
actuação diverge ou difere sempre de acordo com os seus mais elevados
interesses, sejam políticos, estratégicos, geográficos, económicos, e
escondidos. Desestabilizadores, sobretudo. Todos incendeiam e minam tudo quando
podem e lhes convém. De seguida fazem de conta que deitam água na fogueira que
atearam "diplomáticamente" e para acalmar excessos quando acham que
estão a ser ultrapassados, ou a perder o controlo da besta ou inferno que
originaram. A esses países vítimados, pobres, frágeis e por tal, de fácil
manipulação, espoliados das suas riquezas ou aonde pretendem entrar para os
explorar ainda mais, catalogam-nos de ditaduras ou pertencentes ao "Eixo
do Mal". Vejam só. Chamam-lhes aquilo de que deviam ser chamados eles
mesmo. Deixemos as maldades históricas levadas a cabo em todo o Oriente Médio,
Ásia e África, e passemos ao que se passa hoje na Venezuela, mas sobretudo na Ucrânia,
mas sejamos sintéticos devido ao espaço que é pouco e ao talento que é menos
ainda. A UE em conluio com os Estados Unidos e a Nato, apoiam os rebeldes que
erguem a desordem civil e exortam-nos à luta contra os governos legítimos
nesses países de continentes afastados e atractivos bem diferentes, eleitos pelo
povo sem ou através de iguais manigâncias às de cá. As razões desses povos que
os levam aos protestos são as mesmas razões que no nosso país bastam.
Mal-estar, fome, desemprego, destruição das estruturas culturais, de protecção
social, dos bens pessoais e da família e nenhuma perspectiva de futuro, e cada
vez menos liberdade e igualdade de oportunidades, e com uma grande mistura por
lá de fascismo disfarçado, que renasce e se espalha com sustento Ocidental. Mas
os EE.UU. essa sim, nação valente e dona da NATO, que está por detrás de quase
tudo o que é convulsão de estratégias e de paz social no planeta – e aqui
regressamos a Galeano, que não é cá de modas, mas o autor de”As veias abertas
da América Latina”, quando disse que “de cada vez que os estados unidos vão
salvar um povo convertem-no num cemitério ou num manicómio”- carregado ao colo
pelos moços dirigentes da UE, pretendem convencer-nos que estão sempre do lado
do Homem, do Bem e da verdadeira Democracia. Deve ser por isso que se imiscuem
até na Justiça Suprema da Ucrânia, ao exigirem a libertação da mulher da rosca
entrançada, a cumprir pena por crime de corrupção, Iulia Timochenko, como
condição para assinar um Acordo de Associação, enquanto na Turquia Ocalam
continua detido como terrorista e na “lista americana”, e não como rebelde que
luta pela independência do seu “curdistão”, tal como o fizeram Xanana em Timor
ou Yasser Arafat na Palestina e outros. Sendo assim e estando nós a precisar de
derrubar tudo quanto nos ofende, compromete, e agride no dia-a-dia, esperemos
que quando na rua levantarmos barricadas contra o governo em funções,
incendiarmos praças, pegarmos em armas, para exigirmos melhores condições de
vida, o regresso dos filhos e dos pais “expulsos do país”, e à semelhança da
Timochenko a libertação de Vale e Azevedo, de Isaltino, Lima, etc, possamos
contar com os apoios dos que agora aplaudem, incitam e financiam os movimentos
e grupos fascistas na Venezuela e na Ucrânia, a uma Revolução sem projecto e de
sentido perigoso.
Sem comentários:
Enviar um comentário