quarta-feira, 12 de março de 2014

O stripper e o sindicalista

O presidente da Associação de Profissionais da Guarda(APG-GNR), veio a palco emitir parecer em defesa do cabo militar que desafiou o pudor e a ordem num acto de altruísmo para levantar a moral feminina, quando num bar de diversão nocturna, e de mulheres à procura da felicidade, de copos, e outros consumos fora da lei, e disse aquilo que está ao alcance da sua capacidade intelectual, e mostrou os seus atributos que a solidariedade exige para com um colega. Entre o acto praticado pelo stripper armado de glock e algemas mais robustas do que as que estão à venda nas sexyshops, e as conclusões justificativas do sindicalista para o insólito espectáculo, a querer limpar os fluidos saídos do estabelecimento que serviu de estrelato provocador e libertador dos mais (im)púdicos sentidos, fico sem saber o que é mais grave. Que erro grave foi e reconhecido por todos. O sindicalista pouco abonado de argumentos válidos mas com a fé habitual da impunidade que faz escola naquelas fileiras, defendeu que não se deve "crucificar o guarda pelo acto irreflectido". Ora estando o guarda apanhado em traje já muito próximo das vestes das do cristo crucificado, após se despir peça a peça da farda oficial de serviço com que saiu de casa ou do quartel, não se percebe por que é que o acto praticado é "irreflectido" e não deva ser crucificado. Depois acrescenta, que conhece lindamente, bem mesmo, o "cristo" da pistola à cintura, e garantiu que se trata de "um bom profissional que até aqui não tinha infringido deveres". Ou seja, até ser apanhado. Como qualquer um de nós não tem, até ser pela primeira vez apanhado  fora das regras e dos códigos de conduta e violação dos deveres. Diz ainda, aumentando o flagelo, "que  prefere o que o militar stripper fez, do que ver profissionais comprometidos nas malhas da corrupção". Este discurso, é um reconhecimento bem grave de que há agentes da Guarda que se movem no âmbito da corrupção, mas justifica tal mobilidade nessa área com a "crise e as penalizações que todos os dias estamos a ter". Considerando este princípio uma razão para não se ficar nú, o povo português que há muito foi despido de tudo, tem razões de sobra para entrar na dança da ilegalidade e da corrupção sem passar factura, para se desenrascar do desconforto em que vive. Certamente que as forças da ordem e o presidente da APG-GNR, César Nogueira, compreender-nos-ão a partir de agora, e não nos prenderão mais por incumprimento das normas, bem longe das luzes da ribalta, por entre as sombras do crime, que nos levam nessas noites e em vários palcos da vida, a ter actos "irreflectidos" e a não cumprir as Leis, mesmo que sejamos apanhados com a arma engatilhada apontada a olhos arregalados a observar-nos e a aplaudir ou a reprovar. Brilhante!


Sem comentários:

Enviar um comentário