Um ou outro meio de informação diz; " morreu o comando, que manteve
Abril no 25 de novembro de 75". Dizemos nós, que também somos gente e
temos voz autónoma, que morreu o "comando" que travou a marcha da
Revolução de Abril que se propunha eliminar os abusos ditatoriais e
reaccionários, e com os sobreviventes do velho regime ou dele herdeiros. Se
Jaime Neves, em vez de ser um militar do antigo regime, tivesse sido
cozinheiro, talvez Abril hoje, não cheirasse tanto a esturro, e não encontrasse
Portugal a definhar e a sua pobre gente, porque foi entregue à cambada velha e
à bicharada nova, que tem conduzido o País desde então, á desgraça, envolto em
corrupção e compadrio do mais fino recorte, em tudo quanto é Administração da
coisa pública, absolutamente dependente e de mão estendida, com o seu povo
empobrecido cada vez mais, despojado dos seus haveres, e de ter entregado todo
o ouro aos bandidos, que todos os dias se vê obrigado a penhorá-los ou
vendê-los às escondidas, para cumprir obrigações fiscais e prestacionais, e mil
pressões que o entalam, como as de dar de comer aos filhos, e de os manter
activos na sua caminhada educacional e com saúde, para que não sintam a falta
das coisas básicas, até que a corda aguente, e o suicídio continue adiado.
Elogiado pela Direita que tanto lhe deve, nesta democracia(!) que só serve a
exploração do homem simples português, o "abominável jaime das neves"
leva com ele para o mundo onde se acertam as contas, histórica culpa, por
termos caído no (E)estado deplorável em que nos despenhámos. Subserviência e
pobreza generalizada, foi no que deu a sua "heroicidade", que lhe
vale agora rasgados louvores dos beneficiados, que já não pode juntar aos
atribuídos, por sectores que estão muito agradecidos, de todos os favores e
desvarios com(o) que têm governado desde que aquele enublado novembro permitiu
à canalha e demais ganapada, que nunca vergou a espinha, ascender ao Poder, e
feito a caldeirada e outros guizados, que só servem a mesa do grande capital.
Ascenção ao poder, de uma classe política oportunista, das jotas partidárias,
incompetente, que desvastaram toda a riqueza e recursos nacionais, em proveito
próprio e dos "empreiteiros ou entourage" que os trazem bem escorados,
e na redoma da impunidade até hoje. O e(E)stado em que nos encontrámos, a ele
também se deve, pois com a sua acção, determinou " que nos tornássemos na
democracia(!) que somos hoje", e como é do agrado de alguns articulistas.
A nossa voz menos académica mas mais assumida, repete-nos, que com Jaime Neves
fora do mapa e das chaimites da ameaça sangrenta, Portugal não estaria pior do
que está. Antes pelo contrário, pois pior é impossível.
(carta, políticamente incorrecta)
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