sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

É só Saúde




Decidi corresponder, ao pedido, ordem ou conselho, não se sabe bem, do secretário de estado para a saúde, com o apoio à rectaguarda do ministro da tutela, e recusar-me a adoecer. Preparei já a mente, para suportar algumas consequências por estar vivo - a fome e o frio por exemplo, e tendo em consideração, a tese defendida e avançada por um médico espanhol, que nos veio dizer em tempos, que a maioria das doenças não existem, que a maior parte das "feridas", são apenas do foro psicológico, o que provocou nos seus pares uma revolta e condena. Mais ainda, porque, há notícias, de vez em quando, que apresentam teorias novas, que contrariam as que andam por aí a fazer escola, em vigor, e que satisfazem a pretensão do membro do governo. Comer muita vez faz mal, engordar não é saudável, e resistir ao frio é económico - a energia gasta neste exercício, para manter o corpo quente, não é da rede eléctrica e o país poupa. O combate à obesidade tem constituído uma gorda despesa, que faz emagrecer o Orçamento do sector da saúde, ainda mais. Como a Ciência que investiga - uma vez diz que o café e o chocolate fazem mal, outras, que fazem bem; que o vinho prejudica, outras, que beneficia, um copinho tinto é que está a dar, e nós acreditamos, e que o digam os bêbados apanhados da assembleia da nação; que dormir muito embrutece, que devemos antes estar activos e vigilantes, o que para tal é preciso estar acordado. Como não tenho dinheiro, nem para festejar aniversários que nos envelhece, recuso-me a fazer anos, o que é bom para atrasar as maleitas da idade,e nem sequer para ir a algum lado, caminho ao pé da porta que é mais barato e bastante recomendado, para manter a linha, o peso, e testar o coração. Assim quase obrigado, a manter-me cheio de vigor, e a espalhar saúde, já não recorro às consultas médicas, nem às farmácias, e longe das urgências hospitalares, evitando o risco de morrer, por ter de esperar pelo "médico de serviço que estando a comer, não atenderá a chamada", nem se vir a saber o que possa comer, desde que nenhuma enfermeira se encontre por perto. Aliás, passo a passos, tudo está a desaparecer, tal como os direitos dos portugueses, que até há pouco estavam consagrados. Até agora, os portugueses não se aviavam nas farmácias, porque não tinham "carcanhol". A partir do pedido oficial do secretário do governo, não vão passar a aviar-se, porque vendem saúde, e as farmácias fecham cheias de dívidas, e porque não têm clientes, apesar dos fármacos terem baixado de preço. O que nos é exigido, é apenas saúde... de aço!

                               

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