Decidi corresponder, ao pedido, ordem ou conselho, não se sabe bem, do
secretário de estado para a saúde, com o apoio à rectaguarda do ministro da
tutela, e recusar-me a adoecer. Preparei já a mente, para suportar algumas
consequências por estar vivo - a fome e o frio por exemplo, e tendo em
consideração, a tese defendida e avançada por um médico espanhol, que nos veio
dizer em tempos, que a maioria das doenças não existem, que a maior parte das
"feridas", são apenas do foro psicológico, o que provocou nos seus
pares uma revolta e condena. Mais ainda, porque, há notícias, de vez em quando,
que apresentam teorias novas, que contrariam as que andam por aí a fazer
escola, em vigor, e que satisfazem a pretensão do membro do governo. Comer
muita vez faz mal, engordar não é saudável, e resistir ao frio é económico - a
energia gasta neste exercício, para manter o corpo quente, não é da rede
eléctrica e o país poupa. O combate à obesidade tem constituído uma gorda
despesa, que faz emagrecer o Orçamento do sector da saúde, ainda mais. Como a
Ciência que investiga - uma vez diz que o café e o chocolate fazem mal, outras,
que fazem bem; que o vinho prejudica, outras, que beneficia, um copinho tinto é
que está a dar, e nós acreditamos, e que o digam os bêbados apanhados da
assembleia da nação; que dormir muito embrutece, que devemos antes estar
activos e vigilantes, o que para tal é preciso estar acordado. Como não tenho
dinheiro, nem para festejar aniversários que nos envelhece, recuso-me a fazer
anos, o que é bom para atrasar as maleitas da idade,e nem sequer para ir a
algum lado, caminho ao pé da porta que é mais barato e bastante recomendado,
para manter a linha, o peso, e testar o coração. Assim quase obrigado, a
manter-me cheio de vigor, e a espalhar saúde, já não recorro às consultas
médicas, nem às farmácias, e longe das urgências hospitalares, evitando o risco
de morrer, por ter de esperar pelo "médico de serviço que estando a comer,
não atenderá a chamada", nem se vir
a saber o que possa comer, desde que
nenhuma enfermeira se encontre por perto. Aliás, passo a passos, tudo está a desaparecer, tal como os direitos dos
portugueses, que até há pouco estavam consagrados. Até agora, os portugueses
não se aviavam nas farmácias, porque não tinham "carcanhol". A partir
do pedido oficial do secretário do governo, não vão passar a aviar-se, porque
vendem saúde, e as farmácias fecham cheias de dívidas, e porque não têm
clientes, apesar dos fármacos terem baixado de preço. O que nos é exigido, é
apenas saúde... de aço!
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