-(“nada é o que parece, sempre há algo por
detrás das aparências”-Maurice Duverger)
“A história da pimenta ou a da liberdade de expressão”
Em Portugal, não há liberdade de expressão.Há a liberdade consentida de
expressão limitada. Excepto os jornais de âmbito regional, os nossos órgãos de
comunicação, especialmente os jornais nacionais de referência só aceitam
publicar os textos que estejam de acordo com o politicamente correcto, que não
mexam com a linha de conforto editorial, e que satisfaçam os seus desígnios. Os
leitores que intervêm ou pretendem "incomodar" com convicção e
objectividade, não encontram espaço nem directores dessas edições, corajosos,
que respeitem o ponto de vista, a diversidade, ou a opinião de um leitor mais
original, independente, marginal mas dentro da decência, que não se limite a
apenas repetir o que está dito e mais do que dito ou escrito por outras penas e
por gente mais especializada, e sem recurso a mexer e remexer na net.
Verifica-se, é que no espaço que é dispensado às "cartas dos
leitores", reproduzem aí só aquelas que parecem sempre as mesmas, sem
quaisquer atractivos, e que saem do punho dos mesmos de sempre e adulteradas.
Um leitor que tente e teime em ser diferente, mais original, com outra
criatividade ou fantasia sobre o verídico, é tomado de ponta e botado ao lixo
colado que nem selo à sua carta. No entanto, em cada Redacção, todos gritam
para proclamarem que lá por dentro só se respira "liberdade de
expressão". É falso, aos olhos do leitor "anónimo" e sem rosto.
Eles, os editores/redactores dos jornais, apenas se manifestam ou se
solidarizam quando a dita "liberdade de expressão" é posta em causa
ou à prova nos vizinhos do lado ou mais distantes, numa de demonstração de
unidade de classe corporativista. Entretanto dentro da sua própria casa, ainda
existem tesouras ou guilhotinas para os "anónimos escritores de
cartas", a quem nem sequer facilitam o direito a palco mas tão só ao
cadafalso e ao fosso. Sumariamente. E temos assim a história da pimenta no cú
dos outros!
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