segunda-feira, 31 de março de 2014

"Pelo raspar é que vamos..."

Os portugueses puseram-se a raspar e a sonhar. Já não para sítio longe e bom, como o fizeram Constâncio, Guterres, Barroso e Gaspar, que nos deixaram para trás abandonando-nos à nossa sorte, afogados em dívidas. Agora, mais mulheres do que homens pelo que vejo, procuram outra sorte no meio de tanto azar, ao balcão do quiosque ou do café mais a jeito e metem-se com ambas as mãos a raspar resmas de cartões da Santa Casa, mais conhecidos por - "raspadinhas". Saem de suas casas com "passos" decididos e esperançados em tirar "coelho" da cartolina, para entrar numa daquelas que pode ser a casa de sorte escondida, que a da Misericórdia licenciou, espalhou, mobilizou e pôs em marcha pelo país fora e nos "casinou". E para se porem a raspar, qualquer tasca serve. Não é preciso sair de saco às costas, nem apanhar avião ou comboio. Bastam-lhes umas moedas de baixo teor, atrás de outras até ao vício, e pedirem num desses agentes, um cartão seguido de outro até ao sonho, e raspar, voltar a raspar, "et voilà"! - ganharem a ilusão de que por aquele processo mil vezes repetido outro tanto de cartões para o caixote do lixo, a vida pode dar o salto. São mulheres de rosto marcado, sobretudo, que apostam os anéis dos dedos que raspam, com a barriga aflita pelos filhos encostada aos balcões da sorte e do azar. Os trocos, que levam à entrada das casas de jogo de risco, nunca mais serão os mesmos que trazem à saída. Quando lhes sai dois euros de prémio(!) já lá deixaram dez nas apostas, que prometem, como programa de governo. Assim vai Portugal. A raspar é que a gente se safa. Mas que safado país nos calhou em sorte, que só dá ao povo esta altern(e)ativa de se porem a raspar daqui para fora o mais rápido possível, ou permanecerem, até que fiquem mais tesos e vencidos na penúria que todos os números revelam.


sábado, 29 de março de 2014

"Ucrânimeia"

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar", e quando a noite cai, deitamos-nos depois de quase tudo interrompido, com uma pergunta a bailar na boca, numa nuvem de som "kalinka", algo perturbadora, talvez provocadora, que nos interroga; - quantos ucranianos há na Ucrânia para além de Kiev, onde são mais os ucranófonos de que russófonos, mas sem certezas? E quem e quantos são os que se rebelaram na capital contra o governo legal, primeiro aceite e depois rejeitado, saido de acto eleitoral livre, observado internacionalmente, com aperto de mão dado e acordado com assinatura reconhecida? E a mando de quem transformaram aquela parte da nação numa Praça obscura de carvão a arder, preso a um sinal de avançar suspeito, e continuaram a chamar-lhe Praça da Independência, ocupada e incendiada por "Banderistas e Maidanistas" pró ilusório mundo do Ocidente e da UE? Imaginam eles, impondo o seu propósito, alcançando os seus objectivos, teimando na violência do sangue e das ideias de que nós europeus com governos pró americano, súbditos do capitalismo desumano, vivemos em fortuna e não em sistemas políticos mentirosos, enganadores, que nos roubam a liberdade e o pão, e nos mergulham na pobreza e na miséria sem happy end à vista, que destruiu o bem do passado, nos sufoca o presente e hipoteca o futuro? Perseguem eles um Estado assim? E na Crimeia, agora de regresso ao colo da mãe natural, quantos e de onde são os que a querem para si? Russos na maioria e de facto, que a entendem como sua numa união de terra e língua, lágrima e sangue, e que mão estrangeira intervém camufladamente, a querer desmanchar o laço e desfazer a história de uma grande nação, numa velha e continuada tentativa de a fazer implodir desde à muito e que se chama - Rússia. Que podem esperar os ucranianos da UE e dos USA, senão iguais carências às nossas, europeus, que gelam de frio e de medo, sem tecto nem trabalho, sem saúde e escola, de qualidade? Que podem esperar os ucranianos bem perto de si, senão uma árvore e uma corda, um abandono ou a companhia de uma seringa carregada de veneno e de demagogia sob acordos com aperto de mão e assinaturas reconhecidas, repetidamente, e sem qualquer efeito para melhor, na vida do povo? Que será que eles vêem, ouvem e lêem, que os fazem ignorar toda esta realidade? Quem corre a avisá-los para que não se deixem arrastar para a armadilha do Ocidente? Eu pus-me já a caminho!

  

segunda-feira, 24 de março de 2014

Com vistos para o mar


Na Crimelândia, o país dos vistos Gold com vistas para o mar, e paraíso situado no sul da europa, que a partir de um gabinete luso emite e propaga boucher´s guide de olhos fechados, composto ainda de serviços de lavandaria de excelência para "financeiros" de bolsos suspeitos, do tipo, Ravelo, Mogilevic, Gerena, Messina Denaro, Guzman e outros com olhos em bico, escuros e amarelos de expressão codificada ou eslava, são entregues tais "vistos" por mão mendicante e suplicante, à tona e por baixo de água também suspeita, pelo não menos famoso ministro dos buques, "Paulux Porthax", e dos estrangeiros sujos por manchas de burlas, para que se instalem a troco de investimento VIP de pelo menos 500 mil euros, ou por pacote mais elevado, o que os tornam mais atraentes, apetecíveis, e é do agrado dos governantes desse paraíso que se espuma na dívida infernal, mas que festejam com champanhe tais contratos. Acolhedora e simpática como carapinha de negro para alemão acariciar, a Crimelândia é pouco maior que uma falésia instável banhada pelo atlântico, que banha ainda as costas e as contas de fortunas que chegam do mar negro ou vermelho, que a convite lusitano são seduzidas e protegidas. Coisa alarmante que não tenha sido já denunciada pela eurodeputada estridente "Hanna Semgulla Gomes", mulher de fitas e de avisos musculados, polémicos mas atempados. Com processos, projectos, planos e práticas deste calibre para cativar investimentos que ajudem a uma saída limpa, adivinha-se ou teme-se agora, que dentro de algum tempo, tal país que mete as mãos pelos pés e se contorce de cócoras diante da germânia, tenha que devolver aos legítimos donos todos os investimentos estrangeiros, aplicados para lavagem sorrateira e descoberta, à semelhança de valores roubados por criminosos apanhados com a mão na massa e em flagrante, à entrada no país dos penhores por polícias internacionais que os reclamam.


quarta-feira, 19 de março de 2014

Que Dia de que Pai

Como terá sido este último Dia do Pai? Vivido com alegria, sem preocupação, ou antes com angústia e uma lágrima escondida no canto do olho apagado? Quantos pais deseperados, não puderam festejar com os filhos o Dia que lhes é consagrado, que simboliza um amor, admiração, orgulho, respeito mútuo, comprometimento entre os membros de uma família, e quantos desses lhes apeteceu desaparecerem nesta data que hoje tanto lhes pesa, por estar com a vida tão vazia, e sem resposta para dar ao filho que o admira e dele tanto espera? E quantos pais sem meios nem métodos, envergonhados, não puderam cumprir com a palavra dada sobre a promessa feita, e sentiram cair-lhes em cima o chumbo e a cinza do Dia enquanto homem derrotado e sem perspectiva de futuro melhor, ou de passado recuperado mesmo com a ajuda de S.José? E se o santo deu em político, e já só nos atende por interesse no voto que de nós pretende, e agora até se chama Pedro, Cavaco, ou outra coisa assim, e que nos vem repetir os enganos e as esperanças frustradas, adiar-nos para sempre, e garantir-nos que somos pais castigados, de filhos castigados, de famílias castigadas, até um dia sem data e sem capacidade de regresso à festa que já foi, e que nos trouxe unidos até aqui? Responda quem deu os passos irresponsáveis que estilhaçaram o presente e que prometem cacos para o futuro. Pode ser o Coelho!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma estória à nossa medida

O homem da batina morreu, não se sabendo com exactidão a causa da morte, se natural por velhice, ou provocada por inalação excessiva do fumo dos círios erguidos no lugar de oração ou ainda pelos cigarros que devorou durante a sua misericordiosa pastorícia. Certo, é que agora na hora em que foi chamado para junto de Deus, seu Chefe e Senhor, fez juntar altas personalidades e baixas figuras cinzentas, que em momentos tais fazem-se notar e ouvir, tecendo-lhe os maiores elogios, dando asas a encomiásticas frases que nem anjos ousam libertar, que vão muito além do que um dicionário vulgar contém ou suporta, mas que a previdência recomenda levem no bolso, se for o caso de virem a precisar. Um autêntico cortejo de finos seguidores, carregados de palavras de circunstância para pesar e ter efeito. Eu povo, confesso, que não entendo nem metade do que se diz do homem que se diz que fez isto e aquilo. Que a criatura fez coisa de monta deve tê-lo feito pois até o presidente da nação decretou luto nacional. Eu é que não dei por nada em mais de meio século que levo de vida e mais uns tantos de canseira e sofrimento, longe de qualquer tacho ou sacristia. Mas se tal alma subida é superiormente enaltecida por tão elevadas personagens que a gente identifica, por cá andarem há muito e irem a todas, e por enfiarem as mãos nos bolsos de tão luxuosos sobretudos escuros, os pés em sapatos italianos, que botam pelas costas xailes negros e chiques, quem sou eu para duvidar da humanidade do defunto, pela qual será recordado? Mais ainda pela obra deixada que contribuiu para aliviar a pobreza do país e fortalecer a riqueza do povo de onde eu venho? Se assim não fosse para que serviria um homem desta estatura, se não servisse ao povo que dele haveria tirar proveito, e da obra exemplar que com certeza deixou e que alimentou uns e salvou da miséria, outros? Desconheço, mas suspeito da importância do "ido de março" a avaliar pelas palavras, palavras,palavras, dos que por perto choraram a sua morte inesperada. Da compilação ou da conversa da treta, destaquem-se algumas:- "personalidade de excepção; inteligência sereníssina; príncipe da inteligência; a alta síntese de lucidez e bondade; lucidez com que sempre abraçou as grandes causas; grande bondade com que acompanhou o clero e os fiéis" - E uma reitora até agradece a Deus a benção que sobre ela caiu por ter privado com o prelado que revelava um "humor fino e bem disposto para além da capacidade de afecto e dádiva". A que juntava,- "raras qualidades morais e intelectuais. Homem de acção determinada e empenhada. Norte de sempre novos futuros". Fantástico não há dúvida. Porém, eu povo, é que não entendo por mais voltas que dê à cabeça vulgar, como é que com homens desta craveira, de elevada estirpe, tão ilustres, tão celestes antes de chegarem ao céu e serem próximas de Deus, o nosso país e o nosso povo está como está;-enxuto. Interrogo-me sobre este paleio que não enche barriga e de que o mundo está farto.Que equipamento existe em escola ou hospital que tenha sido ofertado pelo patriarca? Que pão está em cima da mesa dos famintos saído do seu celeiro? Sinceramente acho que eu devo ser muito burro, para não entender nada sobre tal homem emérito, e os seguidores finos que fazem questão de aparecer no velório ou exéquias. Pelo menos, mais burro quanto o Jesus - o cardinal Jorge, que mesmo com atitudes de ordinário sabe contar com os dedos até três, querendo dizer quatro(!). Este terrestre encarnado, sempre tem muita "experiência que lhe dá o altíssimo conhecimento"... que a mim falta!


quarta-feira, 12 de março de 2014

O stripper e o sindicalista

O presidente da Associação de Profissionais da Guarda(APG-GNR), veio a palco emitir parecer em defesa do cabo militar que desafiou o pudor e a ordem num acto de altruísmo para levantar a moral feminina, quando num bar de diversão nocturna, e de mulheres à procura da felicidade, de copos, e outros consumos fora da lei, e disse aquilo que está ao alcance da sua capacidade intelectual, e mostrou os seus atributos que a solidariedade exige para com um colega. Entre o acto praticado pelo stripper armado de glock e algemas mais robustas do que as que estão à venda nas sexyshops, e as conclusões justificativas do sindicalista para o insólito espectáculo, a querer limpar os fluidos saídos do estabelecimento que serviu de estrelato provocador e libertador dos mais (im)púdicos sentidos, fico sem saber o que é mais grave. Que erro grave foi e reconhecido por todos. O sindicalista pouco abonado de argumentos válidos mas com a fé habitual da impunidade que faz escola naquelas fileiras, defendeu que não se deve "crucificar o guarda pelo acto irreflectido". Ora estando o guarda apanhado em traje já muito próximo das vestes das do cristo crucificado, após se despir peça a peça da farda oficial de serviço com que saiu de casa ou do quartel, não se percebe por que é que o acto praticado é "irreflectido" e não deva ser crucificado. Depois acrescenta, que conhece lindamente, bem mesmo, o "cristo" da pistola à cintura, e garantiu que se trata de "um bom profissional que até aqui não tinha infringido deveres". Ou seja, até ser apanhado. Como qualquer um de nós não tem, até ser pela primeira vez apanhado  fora das regras e dos códigos de conduta e violação dos deveres. Diz ainda, aumentando o flagelo, "que  prefere o que o militar stripper fez, do que ver profissionais comprometidos nas malhas da corrupção". Este discurso, é um reconhecimento bem grave de que há agentes da Guarda que se movem no âmbito da corrupção, mas justifica tal mobilidade nessa área com a "crise e as penalizações que todos os dias estamos a ter". Considerando este princípio uma razão para não se ficar nú, o povo português que há muito foi despido de tudo, tem razões de sobra para entrar na dança da ilegalidade e da corrupção sem passar factura, para se desenrascar do desconforto em que vive. Certamente que as forças da ordem e o presidente da APG-GNR, César Nogueira, compreender-nos-ão a partir de agora, e não nos prenderão mais por incumprimento das normas, bem longe das luzes da ribalta, por entre as sombras do crime, que nos levam nessas noites e em vários palcos da vida, a ter actos "irreflectidos" e a não cumprir as Leis, mesmo que sejamos apanhados com a arma engatilhada apontada a olhos arregalados a observar-nos e a aplaudir ou a reprovar. Brilhante!


terça-feira, 11 de março de 2014

A outra homenagem

O Público deu a notícia e até destacou o assunto na tira "Sobe e Desce". E pelo que escreve através da "pena do Paulo", jornalista que assina a peça, parece juntar-se à homenagem de que foi alvo Mário Soares. O ex-presidente mais conceituado de todos os que à República presidiu, que soma agora mais esta distinção, mas que durante os seus mandatos provocou muita polémica, dissabores, e criou engulhos a muita gente, foi enaltecido pela coragem, e atitude que toma nos dias de hoje, que são de chumbo, de lama e desespero. Os amigos, os que gostam de aparecer em tais cerimónias, ainda os que não se furtam ou que até se apertam para fazer parte do retrato, estiveram lá todos. Ninguém do governo quis marcar presença, alertado que foi para o conteúdo do programa e do discurso que ali teria lugar. Do homenageado, dele disseram 60 correspondentes da imprensa estrangeira acreditados no nosso país, e que não estão sob tutela do Relvas nem do Maduro, que o Prémio Personalidade do Ano 2013, é atribuido a Mário Soares, cito, por ser uma das vozes mais activas no país com grande repercussão no estrangeiro. Que Soares não se tem calado denunciando as dificuldades na vida dos portugueses, provocada pelo actual governo, ausente da Sala dos Espelhos por medo ou vergonha de se ver réu. O ex-presidente octogenário, continua para a Associação da Imprensa Estrangeira a ser a imagem da liberdade. Reflicto nesta questão;- e que imagem terá no Estrangeiro Passos Coelho enquanto 1º ministro, já que ele por cá a que reflecte não abona nada a seufavor e até faz recordar um governante de má memória que só caiu da cadeira do poder ao fim de muito massacrar o povo conformado com o destino sorteado? Mas por outro lado, o que diz Mário Soares de diferente que os leitores que todos os dias enviam cartas aos jornais não o digam, escrevendo, e que os jornais excluem publicando só aquelas mais light, mais soft, adocicadas e repetitidas, para não ferir o Poder instalado, pressentindo-se a cada dia que passa a sua subserviência a aumentar, colocando-se assim do lado institucional, fazendo o jogo oficial do governo ou que a conjuntura actual lhes recomenda? Se se entende que Mário Soares é uma das "vozes mais activas no país" no combate à actual política da Coligação PSD/CDS, que miserabiliza e destrói os portugueses, por que não dar mais destaque às cartas dos leitores que denunciam os abusos e as medidas que nos afectam, implementadas por este governo(!) ainda em funções malévolas, e de obediência a planos diabólicos que nos empobrecem a alma e a carne? Por que é que as palavras do respeitável Mário hão-de ter um efeito mais relevante do que as queixas com dor por dentro, do joaquim, da céu, da ofélia, do albano, que não vêm publicadas na secção que os jornais lhes facultam só porque não obedecem ao critério conveniente e que a sua Direcção entende não estar conforme, ou que vão contra o "sistema ou regime instituído"? Mário Soares tem privilegiado direito a ser notícia pelo que foi, representa e pela polémica que criou desde a Marinha Grande, à ordem para que desaparecesse  dada ao batedor da GNR em serviço e não como stripping, e à onda dos salários em atraso que animou. Mas nós leitores, e intervenientes por cartas aos jornais e vítimas sobretudo, também devemos ter lugar e sermos ouvidos no "salão nobre da notícia" como é o do jornal Público. Assim, sim - será um grande Prémio!


segunda-feira, 10 de março de 2014

O Dia da mulher folclórica

A Mulher, Ser usado e retratado para tanto filme, romance, como flor e perfume, sombra e presença, companheira e traidora, mãe e pecadora, gosta de armar ao pingarelho, de dar nas vistas e ser notícia. Se lhe propuserem um "bouquet" de mimos, aí vai ela toda coquette rasgar-se em sorrisos e derreter-se em sedução. Os tempos não são para austeridade nem pobreza consentida, a não ser imposta como hoje é, e os apelos que entram em casa e na pele através dos "media imensos e mundanos", com nomes pomposos quanto estranhos como, facebook, instagram, twitter, selfies, etc.(que sei eu disto), despertou-lhes pensamentos e comportamentos, que - "vai lá vai, até a barraca abana" -, e tornou-as presas da ilusão, e emprenhou-as de ambições pouco abonatórias da dignidade. Bajuladas por muitos com objectivos suspeitos, elas com maior ou menor jeito, com mais ou menos casaco de vison, continuam a ser usadas disfarçadamente como convém ao predador. Tudo se inventa para lhes dar palco e despi-las. Desde a Moda e o glamour encenado, ao lugar na empresa, seja de que natureza for. E ela sem pestanejar alinha, e nem sempre tão inocentemente, como logo dirá quando se arrepende. O homem está atento, e segue-lhe os passos e a elegância que ela provoca por onde deixa rastro. Tenta surpreeder-nos com iniciativas como juntarem-se para um almoço gigante, servidas à mesa por homens travestidos para gozo delas, como jogo de espelhos, num ambiente folclórico, julgando com isso ganharem autonomia, independência, afirmação da sua condição e importância. Isolam-se e não querem companhia dos machos. O Dia é todo para elas, num gesto quase de vingança e de imitação ridícula. Todavia, a sua natureza polémica enquanto animal frustrado, atira-as sem se perceber muito bem o porquê, para lugares condenáveis e por vezes por vontade própria. Mulher decente e recatada procura ginásio para aprender a dança do ventre e do varão? Mulher decente "oferece-se" nos jornais nas páginas "relax", alterna sem procurar alternativa no mundo do trabalho simples às vezes humilde, muitas vezes mal pago mas que a mantém digna, orgulhosa, responsável e exemplo? Mulher decente "oferece-se" ao chefe para garantir emprego e melhorar(!) a sua condição e o salário? Mulher decente expõe-se enrolada ou a deslizar no varão fálico e cromado, sem que isso lhe cause qualquer arrepio? Veste de "coelhinha" em bar tapada por tabuleiro onde só há vício à venda? Esta não é a Mulher que se pretende seja a nossa mãe, a nossa companheira, colaboradora, assistente, criadora do poema, do Belo e da Obra em conjunto com o Homem, envolvidos e a par ou de mão dada na mesma luta pela igualdade. Esta é a outra mulher, a da ambição, que leva à desgraça, à discórdia, à violência que os jornais reportam diariamente nas outras páginas onde elas se publicitam, ou se divertem(!) sentadas agora em mesa separada.


quinta-feira, 6 de março de 2014

A luta dos polícias em luta

Os polícias não passam fome. Ninguém os vê enfileirados ou em formatura atrás da sopa dos pobres nas Misericórdias e Instituições beneméritas e de caridade que pelo país medram depois do 25 de abril de 74. Pelo contrário, passeiam-se de barriga cheia e pesada que os impede de chegar ao local de onde foram chamados com urgência e onde o crime já era. Ninguém os vê a serem entrevistados antes de marcharem em busca de trabalho nos aeroportos, logo atrás dos licenciados, académicos diversos, e investigadores. Tudo á mistura com trabalhadores indiferenciados que levam na bagagem muito desespero e outro tanto de incerteza. Não andam a dormir debaixo da ponte após um despejo por parte de um senhorio reforçado por lei, nem se deslocam em viaturas a desfazerem-se ou com falta de inspecção e do seguro. Não percorrem casas de penhores e do desenrasca, nem casa de compra e venda de ouro para cambiar o cordão que a mãe ou avó deixou, nem o anel de casamento que os padrinhos lhes ofereceu no dia da aliança promissora e jurada diante Deus. No entanto dizem-se preocupados com o seu salário. Que não chega para as despesas contraídas com o banco, por causa do empréstimo para a casa com quintal, ou apartamento aquecido, a decoração a gosto, com as prestações do automóvel brilhante em que passeiam, com os estudos, legítimos, dos filhos, etc. Nada que tenha a haver com o pão sagrado. Tudo contraído em tempo recorde, poucos anos depois de terem entrado para a Corporação. Porém, nenhuma preocupação com procurar emprego mais bem pago numa tenda de regalias, com a telha para cobrir o tecto, ou melhorar o barraco em que porventura habitem, como a que estão obrigados os trabalhadores precários em geral, e somos a maioria. Nada disso. Estão em luta para se cobrirem da cabeça aos pés com farda confortável e cheia de bolsos onde caiba tudo - salário, subsídios e desvios, por prémios de antiguidade e de louvor. Aquilo é uma profissão de risco sim senhor, mas com actividade diminuída e apagada na maior parte do tempo, e que não merece ser abandonada. Eles não estão nela forçados, nem com uma pistola apontada à cabeça. Nada os prende a ela. São voluntários e podem abandoná-la quando entenderem, tal como os trabalhadores em geral fazem - para emigrar até. Se outro saída não houver!


domingo, 2 de março de 2014

Vendedores de ilusões

Alertam ou avisam os jornais para coisa, com título enganador e mais que sabida - "Desemprego em Portugal tem a segunda maior descida na UE"-. Tal notícia várias vezes repetida, em vão, não permite esboçar sequer um sorriso a não ser pelo cinismo que esconde e pela verdade que mutila. É claro que um país no nosso estado está sujeito a análises mentirosas como esta e para consumo dos incautos, que se ficam pelos títulos, mas sem proveito para quem sente a desgraça dia-a-dia. Na tabela do insucesso que nos posiciona mais à frente ou mais atrás dos outros países, nós somos os primeiros a necessitar de emigrar para terras onde há trabalho capaz de nos matar a fome. Os indígenas desses países para onde partimos e que nos acolhem, já lá estão enraizados naturalmente, e por isso não precisam de se por na alheta, largando tudo e todos, como nós, para ganhar mais do que a côdea, que aqui nem tal está garantida - a vida. As fábricas, oficinas, as unidades e tantos complexos de produção de riqueza, e de economia saudável, é por lá que se mantêm, reforçam-se cada vez mais, modernizam-se, não fecham à velocidade das de cá, e até alargam as portas para nós entrar com o nosso saber, vontade de trabalhar e viver. Por enquanto. E na tal tabela que mede o abismo em que caímos, continuamos os primeiros com uma taxa de desemprego e sem apoio digno, das mais elevadas da UE em todos os escalões etários e académicos. Atrás de nós só os que nos perseguem no carro vassoura, oriundos de um qualquer bantustão, que faça fronteira com o Casal Ventoso, e que não demorará a ultrapassar-nos. No entanto temos um governo que diz que vamos bem, que a estabilidade mantém-se, que estamos no bom caminho, e em direcção à saída limpa,- e um povo borrado de medo dizemos nós. E ainda um presidente que anda por terras longínquas, não muito afastadas do ”magalhães chavista” que por sorte não ficou ancorado no estaleiro minhoto, a vender Portugal como uma "priority location". Credível diz ele! Boa malha ou grandes nódoas. Quem não acredita nos nossos vendedores de ilusões?