Os portugueses não fornicam quanto se pede e se espera de um latino,
porque o "psique" do hipotético garanhão, anda em baixo. E é tanto
mais em baixo quanto nos esvaziam o salário e emagrecem a carteira. As
estatísticas dadas à luz por órgãos da comunicação social, com causas que já
vêm de longe, dizem-nos coisas sabidas. Sem trabalho, bolsos cheios apenas de
cotão, preocupação em alta e constante, não há ninguém que se aguente firme e
em pé. A coisa dá em moleza e desmotivação. A vida presente apenas nos endurece
a alma e não nos anima ao acto de amar e reproduzir para povoar o futuro. O
sofrimento não é alimento, nem o viagra é solução. Com o homem do fraque a
bater-nos à porta, a sombra da penhora a rondar-nos a casa, as ameaças de
desemprego, o espectro da fome que nos enche a barriga, mulher e homem não
engravidam de sonhos, e só vêem abortar as esperanças a cada dia que passa, sem
sentir que o país aonde nos acolhemos nos alivia para uma relação feliz. Com
esta pressão a habitar-nos o coração, quem é que é capaz de querer trazer
filhos com amor a este mundo despido de garantias e num país sem projectos de
as conceber? Só se for muito cruel!
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