sábado, 5 de julho de 2014

"Fecuntalidade"

Os portugueses não fornicam quanto se pede e se espera de um latino, porque o "psique" do hipotético garanhão, anda em baixo. E é tanto mais em baixo quanto nos esvaziam o salário e emagrecem a carteira. As estatísticas dadas à luz por órgãos da comunicação social, com causas que já vêm de longe, dizem-nos coisas sabidas. Sem trabalho, bolsos cheios apenas de cotão, preocupação em alta e constante, não há ninguém que se aguente firme e em pé. A coisa dá em moleza e desmotivação. A vida presente apenas nos endurece a alma e não nos anima ao acto de amar e reproduzir para povoar o futuro. O sofrimento não é alimento, nem o viagra é solução. Com o homem do fraque a bater-nos à porta, a sombra da penhora a rondar-nos a casa, as ameaças de desemprego, o espectro da fome que nos enche a barriga, mulher e homem não engravidam de sonhos, e só vêem abortar as esperanças a cada dia que passa, sem sentir que o país aonde nos acolhemos nos alivia para uma relação feliz. Com esta pressão a habitar-nos o coração, quem é que é capaz de querer trazer filhos com amor a este mundo despido de garantias e num país sem projectos de as conceber? Só se for muito cruel!


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