A vida está dura, os ânimos andam exaltados, e as Praças encheram-se
como nunca se viu, de manifestantes. O "incêndio" na sociedade está
ao rubro, e por isso agora, marcham juntos avós, pais e netos, que de Abril de
74 para cá se fizeram família. Aos intervenientes de ontem, e que trouxeram e
defenderam a liberdade e a paz, que ainda hoje percorre as ruas e os nossos
corações, somaram-se os filhos que filhos têm. Os gritos ecoaram como armas,
ainda só carregadas de flores no cano, com alguma raiva e muita frustração. Mas
enquanto todos desfilavam ordeiramente e com esperança, de que mudar o rumo do
mau tempo político que se vive, é possível, uma mulher jovem morria carbonizada
no meio da mata que combatia. Patrícia, assim se chamava a jovem, era bombeira,
e enquanto palavras de ordem, justas, se faziam ouvir pelas "praças a
arder em febre" pelo país adentro e fora, aquela soldado da paz era vítima
do fogo, numa luta desigual e traiçoeira. Patrícia com os seus 25 anos, também
sonhava com um país melhor, e muitas vezes sem ir à cama, ainda se “manifestava”
também, no facebook. O seu lema "vida por vida, nunca abandonamos quem
mais precisa", não morreu com ela na floresta de Casal Cimeiro, na
freguesia de Barril de Alva, que para ela foi o "barril da morte", só
para que nós, possamos dormir descansados, às mesmas horas em que o fogo
avança, porque os seus colegas vão continuar a combater as chamas assassinas,
tal como as três gerações que se manifestaram este Sábado, vão continuar a
combater as políticas nefastas dos governos, que destroiem as suas vidas com
medidas, também elas assassinas. Que a morte da Patrícia não tenha sido em vão,
neste dia memorável por más razões, e que descanse em paz, enquanto a luta
neste inferno continua, por razões melhores.

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