Um aviso às mulheres e
aos homens que nos envolvem. A sociedade, anda sob tensão, os nervos pulsam à
flor da pele, e uma palavra mal colocada no ar, um gesto mal desenhado, uma
acusação mal construída, uma suspeita infundada ou até mesmo verdadeira,
atiradas à cara no momento inoportuno, no dia de maior amargura, no meio do
desconforto e da pressão em que se vive, que nos rói por dentro, que nos traz a
dormir mal, e sem solução à vista, que agora é o desemprego ou a falta de
dinheiro, as más condições sociais e os encargos que aumentaram, os olhares que
endureceram, o amor que esmoreceu ou se revelou frágil, o diálogo entre todos e
com filhos à mistura que padece de compreensão e solidariedade, paciência e
prudência, traz-nos a todos em pé-de-guerra. Estamos em guerra connosco e com
os outros muito sentidos e próximos quantas vezes, e por sabermo-nos desamparados
por um Estado e governos, que nos lançaram no desespero e dele tão cedo não nos
aliviam e não vão deitar a mão. No meio deste aviso, o que se nos pede, para
levarmos, a vida, para a frente, com os meios precários e que nos
surpreenderam, confusa e à beira de ataque de fúria, raiva, à mínima traição,
abandono, dificuldade, é que homens e mulheres que se rodeiam, se sentem à mesa
do entendimento, e reparem e repartam culpas, obrigações e deveres, busquem a
melhor e mais adulta solução num esforço comum, que satisfaça os quereres de
ambos, e atirem para trás das costas a violência das facas e das pistolas, e
mandar tal reacção de condição animal que as empunha, às malvas, pois o número
de mortes causadas nestes tempos adversos, inimigos, são sempre condenáveis,
ultrapassam o racional, não nos engrandece e vira-se contra nós. Para isso, já
basta a dura realidade que nos alerta, que na actualidade nos consome, erguida
e embrutecida por quem nos governa. De nada valem os argumentos e análises
académicas, sempre, dos psicólogos e psicalistas dispostos em fila a discorrer.
As razões estão decifradas no essencial - "em casa onde não há amor,
dinheiro e pão, todos ralham e ninguém tem razão". O que é preciso sempre
presente, é, muito juízinho, bom senso e pés bem assentes na terra da lealdade
e da luta em conjunto.

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