Repito. Somos
uma data de imbecis até ao tutano, e as revoluções e avanços civilizacionais, nunca
se fizeram com um povo de braços cruzados. Não é com imbecis e ingénuos, que se
muda o curso da história e altera o caminho da humanidade, em direcção a uma
maior, justificada e imperativa felicidade. Um povo que se deixa conduzir pela
mediocridade, sempre na penúria, só tem direito a constar na História da Imbecilidade,
por falta de participação no rumo prático, que o resgate da mais vil pobreza,
acomodação, do conformismo, da paralisia em que (sobre)vive há imenso
tempo. Secularmente tratados como povo menor, somos assim, por falta de coragem
interventiva, desrespeitados, ignorados por essa Europa culta, reivindicativa,
revolucionária, capaz de abater o verdugo, enforque o político mandante, que
pretenda conduzi-la ao cadafalso, num virar de página. Um povo que não se
levanta na “hora bíblica” em que é chamado a lutar, contra os déspotas,
corruptos não reconhecidos por uma juíza “demasiado almeida e pouco cândida” ou
do tipo, maria tonta, contra os exploradores da dignidade, contra os que
governam e o arrastam mansamente, levando-o à desgraça e à miséria, não merece
ser parte, de nenhuma História nobre, ser “rei do seu reino”, ou só merece ser
nomeado na história dos lacaios, dos submissos, dos ratos que se escondem no
“deixa-andar”, que se deixam esmagar como baratas que se arrastam por entre as
horas que sangram. Um povo que não sabe deitar mão, à enxada, à forquilha, à
picareta, ao ancinho, ao machado, e avançar sobre quem lhes rouba a liberdade
de ser feliz, é um povo que não presta. Assim somos. Para “merdas” não nos falta
nada. Parafraseando Torga, o autor de “Bichos” -”somos socialmente uma
colectividade de pacíficos acobardados”. “Imbecis”, já Junqueira nos tinha
chamado, e com toda a razão.
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