segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os imbecis históricos


Repito. Somos uma data de imbecis até ao tutano, e as revoluções e avanços civilizacionais, nunca se fizeram com um povo de braços cruzados. Não é com imbecis e ingénuos, que se muda o curso da história e altera o caminho da humanidade, em direcção a uma maior, justificada e imperativa felicidade. Um povo que se deixa conduzir pela mediocridade, sempre na penúria, só tem direito a constar na História da Imbecilidade, por falta de participação no rumo prático, que o resgate da mais vil pobreza, acomodação, do conformismo, da paralisia em que (sobre)vive há imenso tempo. Secularmente tratados como povo menor, somos assim, por falta de coragem interventiva, desrespeitados, ignorados por essa Europa culta, reivindicativa, revolucionária, capaz de abater o verdugo, enforque o político mandante, que pretenda conduzi-la ao cadafalso, num virar de página. Um povo que não se levanta na “hora bíblica” em que é chamado a lutar, contra os déspotas, corruptos não reconhecidos por uma juíza “demasiado almeida e pouco cândida” ou do tipo, maria tonta, contra os exploradores da dignidade, contra os que governam e o arrastam mansamente, levando-o à desgraça e à miséria, não merece ser parte, de nenhuma História nobre, ser “rei do seu reino”, ou só merece ser nomeado na história dos lacaios, dos submissos, dos ratos que se escondem no “deixa-andar”, que se deixam esmagar como baratas que se arrastam por entre as horas que sangram. Um povo que não sabe deitar mão, à enxada, à forquilha, à picareta, ao ancinho, ao machado, e avançar sobre quem lhes rouba a liberdade de ser feliz, é um povo que não presta. Assim somos. Para “merdas” não nos falta nada. Parafraseando Torga, o autor de “Bichos” -”somos socialmente uma colectividade de pacíficos acobardados”. “Imbecis”, já Junqueira nos tinha chamado, e com toda a razão.

                              

 

 

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