Desconheço, se o Pingo
Doce está instalado em Espanha, e a operar e explorar aquele mercado, com
campanhas provocatórias, no dia-de-todos-os-trabalhadores, vendendo ao
desbarato produtos abaixo do preço de custo, e se pagou coima, pelo abuso ou só
arrojo, pelo menor lucro. Não consta. Por cá, quando aconteceu num dia assim,
foi "assaltado" pelo misturado povo luso, que ordeiro como sempre
foi, levava consigo, dinheiro, para gastar e pagar à saída com o
super-carrinho, as super-compras com desconto. Mas Sevilha e Cádiz ficam na
Andaluzia, e Espanha não é Portugal. Lá, dois grupos de sindicalistas
organizados, liderados pelo Alcaide, que hà 33 anos governa o município, e
ainda tem tempo para ser deputado no parlamento Andaluz, "assaltaram"
uns supermercados, aí recolheram "fundos" contra a fome, passaram as
caixas sem pagar, que depois doaram. e distribuíram pelos bairros de Sevilha,
ao povo faminto, através dos Serviços Sociais. "Y que cantan los poetas
sindicalistas andaluces de ahora? E que vêem os sindicalistas andaluzes de
agora, com olhos de Homem, e sentem, que agora não estão sós"? Eles dizem
- não! a quem lhes trouxe o desemprego, a fome, o desespero, a crise alimentar,
para dentro de portas e estilhaçou os corações de trabalhadores e poetas. De
imediato, o governo de Madrid reagiu, fez voz grossa, agitou a Lei e fez saber;
o ministro do Interior ordenou; o ministro da Justiça pediu - " prendam
essa esfomeada gente. Detenham os caloteiros, chamem a polícia, que eles não
pagam o pão e o leite que retiram das estantes, fechem as cidades, quem quiser
comer que pague"...Afinal de contas, parece, que tudo não passou de meia
dúzia de pacotes de bolachas Cuétara ou do tipo maria, mas em Marinaleda algo
está a marinar, a calda está a ferver. Desconheço ainda, a que preço, irão
pagar os poetas sindicais, pelo "abuso" e alteração da ordem
capitalista, mas que valeu a pena, lá isso valeu. Vamos ver, em que pingo doce
e em que sindicato mais ou menos fanfarrão, folclórico, e inconsequentes vão
ter repercussões por cá, os acontecimentos, levados a cabo pelos "nuestros
hermanos", a que uns chamam, agressão, roubo, acções de desobediência
civil, e outros de partilha, acto simbólico, luta contra o drama do desemprego
que traz no ventre todos os males sociais. Rafael Alberti, também esteve lá.
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