sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Os Sindicalistas andaluzes


Desconheço, se o Pingo Doce está instalado em Espanha, e a operar e explorar aquele mercado, com campanhas provocatórias, no dia-de-todos-os-trabalhadores, vendendo ao desbarato produtos abaixo do preço de custo, e se pagou coima, pelo abuso ou só arrojo, pelo menor lucro. Não consta. Por cá, quando aconteceu num dia assim, foi "assaltado" pelo misturado povo luso, que ordeiro como sempre foi, levava consigo, dinheiro, para gastar e pagar à saída com o super-carrinho, as super-compras com desconto. Mas Sevilha e Cádiz ficam na Andaluzia, e Espanha não é Portugal. Lá, dois grupos de sindicalistas organizados, liderados pelo Alcaide, que hà 33 anos governa o município, e ainda tem tempo para ser deputado no parlamento Andaluz, "assaltaram" uns supermercados, aí recolheram "fundos" contra a fome, passaram as caixas sem pagar, que depois doaram. e distribuíram pelos bairros de Sevilha, ao povo faminto, através dos Serviços Sociais. "Y que cantan los poetas sindicalistas andaluces de ahora? E que vêem os sindicalistas andaluzes de agora, com olhos de Homem, e sentem, que agora não estão sós"? Eles dizem - não! a quem lhes trouxe o desemprego, a fome, o desespero, a crise alimentar, para dentro de portas e estilhaçou os corações de trabalhadores e poetas. De imediato, o governo de Madrid reagiu, fez voz grossa, agitou a Lei e fez saber; o ministro do Interior ordenou; o ministro da Justiça pediu - " prendam essa esfomeada gente. Detenham os caloteiros, chamem a polícia, que eles não pagam o pão e o leite que retiram das estantes, fechem as cidades, quem quiser comer que pague"...Afinal de contas, parece, que tudo não passou de meia dúzia de pacotes de bolachas Cuétara ou do tipo maria, mas em Marinaleda algo está a marinar, a calda está a ferver. Desconheço ainda, a que preço, irão pagar os poetas sindicais, pelo "abuso" e alteração da ordem capitalista, mas que valeu a pena, lá isso valeu. Vamos ver, em que pingo doce e em que sindicato mais ou menos fanfarrão, folclórico, e inconsequentes vão ter repercussões por cá, os acontecimentos, levados a cabo pelos "nuestros hermanos", a que uns chamam, agressão, roubo, acções de desobediência civil, e outros de partilha, acto simbólico, luta contra o drama do desemprego que traz no ventre todos os males sociais. Rafael Alberti, também esteve lá.

                                       

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