Onde fica Allepo? Onde fica Marikana? Quantas valas comuns são precisas
para constar no mapa traçado com sangue, e quantos cemitérios de homens despedaçados
pelas balas assassinas, são reclamados, para que a notícia corra mundo? Por que
são mais notícia devastadora, as mortes na Síria, do que a matança de mineiros
sul-africanos, indefesos ou só armados das razões que os incita à luta, pelos
seus direitos de sobrevivência e contra a exploração bárbara pelo capitalismo
civil, fardado e político? O que arrepia mais, a política sorrateira de apoio
aos rebeldes, que se opõem aos governos ditatoriais que não agradam no presente
aos interesses capitalistas, para instalar de novo, um regime pior, mais
repressivo, como o fazem os Estados Unidos e os seguidistas Ocidentais, também
sorrateiros, como aconteceu no Afeganistão, Iraque, Líbia, segue-se Líbano, e
quem mais, ou o fechar dos olhos à política que alimenta regimes criminosos,
que provocam massacres a ferro e fogo, que nos gelam o coração, nos tolhe a
consciência, e nos interroga enquanto condição humana ou homens perversos, como
aconteceu em Rustenburg? As imagens ultrachocantes, superviolentas,
hipercondenáveis, sobre a matança de homens como se de cães raivosos se
tratasse, exigem que os Estados ditos civilizados e com democracias avançadas,
mas só para inglês ver, como o sentimos dia-a-dia cada vez mais, que posição
firme tomaram, e que exigência fizeram, para apuramento das razões que estão
por detrás do assassínio colectivo, cometido pelas autoridades sul-africanas?
Onde está a Hilary Clinton, que persegue o Assad e o Assange, que é feito do
Madiba, do religioso Tutu, que se reservam, guardam silêncio e não saíram a
terreiro, com a contundência necessária, a exigir respeito pelos direitos
humanos, e a condenação dos algozes, responsáveis e mandantes de tamanha
crueldade? Que preço é preciso pagar para que a platina saia brilhante das
minas, pelas mãos negras e das feridas dos homens negros, e chegue aos cofres
ricos dos exploradores do planeta ou roleta, que se diz ser, azul?
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