quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A platina negra da mina sangrenta



Onde fica Allepo? Onde fica Marikana? Quantas valas comuns são precisas para constar no mapa traçado com sangue, e quantos cemitérios de homens despedaçados pelas balas assassinas, são reclamados, para que a notícia corra mundo? Por que são mais notícia devastadora, as mortes na Síria, do que a matança de mineiros sul-africanos, indefesos ou só armados das razões que os incita à luta, pelos seus direitos de sobrevivência e contra a exploração bárbara pelo capitalismo civil, fardado e político? O que arrepia mais, a política sorrateira de apoio aos rebeldes, que se opõem aos governos ditatoriais que não agradam no presente aos interesses capitalistas, para instalar de novo, um regime pior, mais repressivo, como o fazem os Estados Unidos e os seguidistas Ocidentais, também sorrateiros, como aconteceu no Afeganistão, Iraque, Líbia, segue-se Líbano, e quem mais, ou o fechar dos olhos à política que alimenta regimes criminosos, que provocam massacres a ferro e fogo, que nos gelam o coração, nos tolhe a consciência, e nos interroga enquanto condição humana ou homens perversos, como aconteceu em Rustenburg? As imagens ultrachocantes, superviolentas, hipercondenáveis, sobre a matança de homens como se de cães raivosos se tratasse, exigem que os Estados ditos civilizados e com democracias avançadas, mas só para inglês ver, como o sentimos dia-a-dia cada vez mais, que posição firme tomaram, e que exigência fizeram, para apuramento das razões que estão por detrás do assassínio colectivo, cometido pelas autoridades sul-africanas? Onde está a Hilary Clinton, que persegue o Assad e o Assange, que é feito do Madiba, do religioso Tutu, que se reservam, guardam silêncio e não saíram a terreiro, com a contundência necessária, a exigir respeito pelos direitos humanos, e a condenação dos algozes, responsáveis e mandantes de tamanha crueldade? Que preço é preciso pagar para que a platina saia brilhante das minas, pelas mãos negras e das feridas dos homens negros, e chegue aos cofres ricos dos exploradores do planeta ou roleta, que se diz ser, azul?

                                  

Sem comentários:

Enviar um comentário