Alguns de nós, portugueses, dos que rumam às praias do Algarve, são como
"seixos". Estão fartos de ser avisados para o perigo a que se expõem,
para que não estendam toalhas na sombra das arribas ameaçadoras, mas teimosos
quanto ignorantes, é ali mesmo que decidem desafiar o destino, fugindo do Sol,
enquanto se besuntam de factor X, contra os escaldões de pele, sem se
importarem com o perigo de lesões maiores, as de integridade física, até de
morte. Interrogados porque o fazem, desculpam-se por tal procedimento, com as
mais idiotas razões, para ali permanecerem, que se confundem com atrasados
mentais. Ouçam-nos - "porque não trouxemos chapéu-de-sol; só é perigoso se
a arriba caír; não deve caír até porque está aí mais gente; só é perigoso se
caír e nós estivermos aqui; é só por uma hora...etc"- O número de mortos
ocorridos no passado recente, não os incomoda, não lhes causa arrepios, não os
afasta, porque português é mesmo assim - resistir, até morrer deitado e a
ressonar se possível. As acções de consciencialização por parte das autoridades
competentes, não bastam. A segurança nas praias algarvias, só se consegue, não
é afastando os banhistas obstinados e de óculos que não os deixam ver bem, mas
ao contrário do que deveria ser, que é, derrubando as arribas, eliminando assim
a paisagem natural, encurtando o algarve, destruíndo o país. Alguma razão há,
genética ou cultural, para estarmos na cauda da europa, estendidos ao comprido,
à sombra das arribas da vida, e a lamber as feridas junto ao mar, com a toalha
pelo chão.
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