A crise, que grassa na construção civil, e a partir dela, o que arrasta
em todas as outras actividades, e em todos os materiais empregues, só lá para
mais tarde é que virá ao de cima do aterro actual, com toda a gravidade
acumulada. Como se isto não bastasse, as centenas de construtores, que caiem
por falência, por falta de crédito, ou por falta de confiança, derrubam na sua
estrondosa derrocada, os arquitectos, que, tal como diz o "nobel",
agora também "leão de ouro", Siza Vieira, estão no grau zero, sem
trabalho, que engolirá ainda os recém-licenciados, que escavam uma oportunidade
nestas áreas. O estatuto deste mestre multi-laureado, apenas vem acrescentar e
reforçar, a opinião do homem comum e calejado, mas dá-lhe maior relevo, outra
projecção, e acorda ainda mais a cidade. Os construtores, que às centenas,
fecham os estaleiros, descem dos andaimes, desmontam gruas, param viaturas,
despedem operários, muitos destes todos, atolados em sofrimento, jamais
regressarão ao sector. Entretanto, os prédios, casas e demais edifícios, entram em
e aumentam o estado de degradação, por falta de manutenção atempada, que o
telhado já exige, a janela reclama, as portas pedem, as paredes esboroam-se, o
tecto que se desfaz, etc. Daqui por uns anos, e pior do que aconteceu e se
repetirá, com o parque automóvel, vai ser necessário e com maior urgência,
intervir a fundo, senão a casa vai abaixo, como tantas já hoje vão, porque no
passado não as cuidaram por falta de meios e vontade. O dinheiro, que ontem,
hoje e amanhã não haverá, porque as políticas que gerem riqueza e uma economia
saudável, não existem, ou não são capazes de nos tirarem da lama e deste
descalabro em que vivemos, mal. A factura real não está fechada, e quando ela
vencer e for apresentada à cobrança, para ser liquidada na sua totalidade, já o
país, estará absolutamente parado para obras, impossíveis de serem bem
sucedidas. Em queda na sua marcha, o país continuará adiado, ou mergulhado nos
escombros da sua sina - raio de sina, ou de muro!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
A platina negra da mina sangrenta
Onde fica Allepo? Onde fica Marikana? Quantas valas comuns são precisas
para constar no mapa traçado com sangue, e quantos cemitérios de homens despedaçados
pelas balas assassinas, são reclamados, para que a notícia corra mundo? Por que
são mais notícia devastadora, as mortes na Síria, do que a matança de mineiros
sul-africanos, indefesos ou só armados das razões que os incita à luta, pelos
seus direitos de sobrevivência e contra a exploração bárbara pelo capitalismo
civil, fardado e político? O que arrepia mais, a política sorrateira de apoio
aos rebeldes, que se opõem aos governos ditatoriais que não agradam no presente
aos interesses capitalistas, para instalar de novo, um regime pior, mais
repressivo, como o fazem os Estados Unidos e os seguidistas Ocidentais, também
sorrateiros, como aconteceu no Afeganistão, Iraque, Líbia, segue-se Líbano, e
quem mais, ou o fechar dos olhos à política que alimenta regimes criminosos,
que provocam massacres a ferro e fogo, que nos gelam o coração, nos tolhe a
consciência, e nos interroga enquanto condição humana ou homens perversos, como
aconteceu em Rustenburg? As imagens ultrachocantes, superviolentas,
hipercondenáveis, sobre a matança de homens como se de cães raivosos se
tratasse, exigem que os Estados ditos civilizados e com democracias avançadas,
mas só para inglês ver, como o sentimos dia-a-dia cada vez mais, que posição
firme tomaram, e que exigência fizeram, para apuramento das razões que estão
por detrás do assassínio colectivo, cometido pelas autoridades sul-africanas?
Onde está a Hilary Clinton, que persegue o Assad e o Assange, que é feito do
Madiba, do religioso Tutu, que se reservam, guardam silêncio e não saíram a
terreiro, com a contundência necessária, a exigir respeito pelos direitos
humanos, e a condenação dos algozes, responsáveis e mandantes de tamanha
crueldade? Que preço é preciso pagar para que a platina saia brilhante das
minas, pelas mãos negras e das feridas dos homens negros, e chegue aos cofres
ricos dos exploradores do planeta ou roleta, que se diz ser, azul?
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
As arribas da vida, à sombra
Alguns de nós, portugueses, dos que rumam às praias do Algarve, são como
"seixos". Estão fartos de ser avisados para o perigo a que se expõem,
para que não estendam toalhas na sombra das arribas ameaçadoras, mas teimosos
quanto ignorantes, é ali mesmo que decidem desafiar o destino, fugindo do Sol,
enquanto se besuntam de factor X, contra os escaldões de pele, sem se
importarem com o perigo de lesões maiores, as de integridade física, até de
morte. Interrogados porque o fazem, desculpam-se por tal procedimento, com as
mais idiotas razões, para ali permanecerem, que se confundem com atrasados
mentais. Ouçam-nos - "porque não trouxemos chapéu-de-sol; só é perigoso se
a arriba caír; não deve caír até porque está aí mais gente; só é perigoso se
caír e nós estivermos aqui; é só por uma hora...etc"- O número de mortos
ocorridos no passado recente, não os incomoda, não lhes causa arrepios, não os
afasta, porque português é mesmo assim - resistir, até morrer deitado e a
ressonar se possível. As acções de consciencialização por parte das autoridades
competentes, não bastam. A segurança nas praias algarvias, só se consegue, não
é afastando os banhistas obstinados e de óculos que não os deixam ver bem, mas
ao contrário do que deveria ser, que é, derrubando as arribas, eliminando assim
a paisagem natural, encurtando o algarve, destruíndo o país. Alguma razão há,
genética ou cultural, para estarmos na cauda da europa, estendidos ao comprido,
à sombra das arribas da vida, e a lamber as feridas junto ao mar, com a toalha
pelo chão.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
As "Pussy Riot"
A Sentença da Justiça
russa determinou: "culpadas de vandalismo". O tribunal de Moscovo, não
se deixou comover pela sensualidade punk, das jovens activistas e provocadoras,
que protagonizaram o chinfrim na casa que apela à oração e à reflexão - a
Catedral do Cristo Salvador - transformando-a no Inferno. Não sendo esta banda
punk, própriamente umas "pussy cat-dolls" que cantam " Santa
Baby", mas antes, uma banda promotora do hooliganismo, por que razão não
pisaram outro palco, que lhes proporcionasse a mesma atenção, mas sem ofender
valores que outros defendem como mais elevados que os seus, mantendo o mesmo
propósito de mandar correr do Poder um político de que não se gosta? Pelo
impacto, já sei. Mas o palco escolhido para o fazer, não foi o mais adequado,
para ter o aplauso generalizado. Em Portugal, alguns "media", parecem
ter tomado posição de apoio à brincadeira de mau gosto, destas brincalhonas
mascaradas, e a pergunta que se lhes faz, é - "e se fosse por cá, na Sé de
Braga, na de Lisboa, na de Bragança, Porto, Coimbra, Évora, etc, como
reagiriam, que comentários teciam, e a Igreja, mantinha o silêncio que se tem
ouvido sobre este espectáculo?" Aceitavam a ofensa religiosa e odiosa,
pelo menos para os crentes, como coisa divertida? Até hoje e que se saiba, a
dita banda "rockeira", com algum apoio vagabundo, que se move entre a
droga e o alcool, não reagiram ao atentado levado a cabo pelos terroristas
tchetchenos, no teatro Dubrovka em Moscovo, em Outubro de 2002, durante o
musical "Nord-Ost", onde morreram dezenas de reféns, de inocentes
idades, que só queriam ser parte daquele musical, como espectadores felizes, ou
como participantes da cultura. A pena aplicada pelos juízes moscovitas, foi
leve e macia, atenciosa do tempo já cumprido por espera de desfecho processual,
que subscrevemos, mas que não nos anima a seguir e muito menos a subir ao pop-altar,
com elas. Há outros caminhos, e outros espaços, para apelar a uma qualquer liberdade mais desejada. Imaginem, quantos políticos temos por cá para
varrer, e as catedrais que seriam necessárias ocupar, num sinal de protesto.
Mas as massas, são isso mesmo - massas. Ou seja; confusão, pouco discernimento,
caos, etc. A violência, mora ao lado. Porém, para alguns analistas, “pimenta no
c... dos outros , é refresco.”
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Os Sindicalistas andaluzes
Desconheço, se o Pingo
Doce está instalado em Espanha, e a operar e explorar aquele mercado, com
campanhas provocatórias, no dia-de-todos-os-trabalhadores, vendendo ao
desbarato produtos abaixo do preço de custo, e se pagou coima, pelo abuso ou só
arrojo, pelo menor lucro. Não consta. Por cá, quando aconteceu num dia assim,
foi "assaltado" pelo misturado povo luso, que ordeiro como sempre
foi, levava consigo, dinheiro, para gastar e pagar à saída com o
super-carrinho, as super-compras com desconto. Mas Sevilha e Cádiz ficam na
Andaluzia, e Espanha não é Portugal. Lá, dois grupos de sindicalistas
organizados, liderados pelo Alcaide, que hà 33 anos governa o município, e
ainda tem tempo para ser deputado no parlamento Andaluz, "assaltaram"
uns supermercados, aí recolheram "fundos" contra a fome, passaram as
caixas sem pagar, que depois doaram. e distribuíram pelos bairros de Sevilha,
ao povo faminto, através dos Serviços Sociais. "Y que cantan los poetas
sindicalistas andaluces de ahora? E que vêem os sindicalistas andaluzes de
agora, com olhos de Homem, e sentem, que agora não estão sós"? Eles dizem
- não! a quem lhes trouxe o desemprego, a fome, o desespero, a crise alimentar,
para dentro de portas e estilhaçou os corações de trabalhadores e poetas. De
imediato, o governo de Madrid reagiu, fez voz grossa, agitou a Lei e fez saber;
o ministro do Interior ordenou; o ministro da Justiça pediu - " prendam
essa esfomeada gente. Detenham os caloteiros, chamem a polícia, que eles não
pagam o pão e o leite que retiram das estantes, fechem as cidades, quem quiser
comer que pague"...Afinal de contas, parece, que tudo não passou de meia
dúzia de pacotes de bolachas Cuétara ou do tipo maria, mas em Marinaleda algo
está a marinar, a calda está a ferver. Desconheço ainda, a que preço, irão
pagar os poetas sindicais, pelo "abuso" e alteração da ordem
capitalista, mas que valeu a pena, lá isso valeu. Vamos ver, em que pingo doce
e em que sindicato mais ou menos fanfarrão, folclórico, e inconsequentes vão
ter repercussões por cá, os acontecimentos, levados a cabo pelos "nuestros
hermanos", a que uns chamam, agressão, roubo, acções de desobediência
civil, e outros de partilha, acto simbólico, luta contra o drama do desemprego
que traz no ventre todos os males sociais. Rafael Alberti, também esteve lá.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O verdadeiro Tiro Olímpico
Na disciplina de "Tiro", nos Jogos Olímpicos, embora Portugal
não tenha feito má figura, podia ter feito bem melhor. Vamos por alvos. Se o
apuramento para a selecção olímpica de atiradores, se fizesse entre os polícias
da segurança(!), o país, talvez conseguisse ir ao pódio. Bastava por e para
isso, recrutar os agentes, que quando vão em perseguição de suspeitos de
hipotético crime, disparam para o ar, e que acertam quase sempre no fugitivo, a
medalha, debaixo da mira, não nos escapava. Refresquemos a memória, e
recordemos o Tony de Setúbal, o Corvo, Angol, PTB, Tete, o rapper Mc Snake,
Crespo, o rapaz de 14 anos- Kuku, e as vítimas dos efeitos colaterais. Só
quando tais “atletas fardados”, arrancam da pista da morte e falham, ou que as armas disparam
“acidentalmente”, é que as balas, atingem os pneus dos veículos perseguidos. De
resto, com eles, é mais do que obra - é tiro e queda!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Na próxima é que vai ser!
É urgente pôr o dedo na
ferida, e ao mesmo tempo soltar a língua, para denunciar o que as Olimpíadas
"lusas", entretidas por terras de S.M. escondem. Os atletas que
representam as cores nacionais, devem ser louvados e respeitados, tragam eles
ou não daquelas miragens com barreiras, o peito forrado de medalhas. É certo e
sabido, que os nossos atletas, quando precisam de obter uma marca que lhes
permita participar nas competições de alto coturno, conseguem-no apenas
"in extremis", e difícilmente a repetem, e muito menos a ultrapassam.
O drama sobe, quando batem a marca que estabelecia o record nacional, e a
proeza, não chega sequer para o apuramento ou continuidade em prova, o que põe
a nú a distância a que estamos do nível necessário. Sendo nós, um Povo,
vocacionado, e que conta grandes feitos pelo mar, que banha toda a costa do
país, não se compreende, que não faça “onda-gato-sapato” nos desportos
náuticos, na vela, natação, polo aquático, etc. Que raio de povo marinheiro,
que mal se inicia no combate, mete água, é logo eliminado da luta Olímpica á
primeira vaga, e lá se vão os heróis do mar. Não nos parece que haja fracasso
dos nossos sérios e esforçados atletas, nas altas competições, em que
participam. O que há, é muita arrogância, vaidade, exigência sem nexo,
demagogia, e pouca noção das possibilidades reais, de alcançar as metas
sonhadas, a vitória final, por parte, dos acompanhantes, imprensa exagerada, e
Poder político, oportunistas, que transmitem apenas pressão e angústia aos
competidores, e estes, na hora H ou de marcar o penalti, falham estrondosamente,
vão ao tapete, afogam-se. É premente, uma entidade qualificada, exterior,
competente, que faça o estudo, o levantamento, sobre o que fazem, em que é que
são úteis de facto, os excessivos membros da embaixada numerosa, que acompanham
os atletas nobres, e se tamanha comitiva olímpica se justifica tão alargada,
tal como a despesa que acarreta e de retorno mais que duvidoso. Antes do
espectáculo subir ao palco, colocam a fasquia numa altura, que nos fazem
acreditar, que o número de madalhas conquistadas, irá ser de tal ordem, que a
Elisabete Jacinto terá de desviar a rota do seu camião do Paris-Dakar para
carregar e trazer tanto sucesso dourado. A pergunta porém continua. Que fez e
faz, tamanha embaixada com expectativas grandes, mas para tão limitadas
hipóteses? Por fim, esperemos, que o Estado português, a quem cabe a obrigação
de criar um “diploma equivalente”( já que tem treinado para isso nos últimos
anos), ou uma medalha, alusivos à participação dos nossos atletas nos jogos
olímpicos, os homenageie com o simbólico prémio, à chegada deles ao solo
pátrio. Veremos quem do Governo irá aparecer no aeroporto para os receber e
entregar a distinção, ou se Carolina Borges, a atleta dissidente, tem razão
quando diz “ estas pessoas incompetentes, estão a envergonhar o país. Talvez
seja por isso que não existam atletas com medalhas”.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A Lei lamentável
O Presidente da República, está vivo, e continua a trincar a Constituição
com a boca toda. Agora ao promulgar a lei das rendas, está a promulgar a lei da
possível violência. Chegará o dia, em que senhorios à espera do pagamento da
renda atrasada e acumulada, ou por qualquer outra insatisfação avara ou
objectivo táctico, fazem ameaças de toda a ordem, e o inquilino ameaçado de
despejo, bate o pé e o que tiver mais à mão, numa resistência desesperada e
desconfortàvel. E como não é possível ter um polícia de prevenção, à porta de
cada "lar que se quer doce", o caso, agora em tempo de crise e de
maior ambição e aproveitamento, em que se vive, reúne todas as condições para
que as relações entre uns e outros "azedem", e acabem num cenário de
pouco amigos. A promulgação da lei do arrendamento, e de frágil tecto, pode
originar, que os intervenientes afectados por tal lei, mudem de figura, e se
transfigurem na violência bruta por tal mau aproveitamento ou má-fé, de uns, na
aplicação do regime legal agora aprovado, contra outros. Se faltou, no momento
de crise grave que atravessamos, considerável prudência nesta aprovação, só o
tempo o dirá. Esperemos não ter razão.
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