Não sei o que é um
Paraíso, mas desconfio que seja qualquer coisa ou lugar, que pode chamar-se de
várias maneiras, até de, Fiscal, e ser apreciado de acordo com os personagens
que para lá enviam ou depositam as suas perfomances em negócios, poupanças
luxuosas, burlas ocultas ou até mesmo a sua fé. É com certeza um sítio com
assinalável procura, mas com entrada limitada, que selecciona os clientes tipo
clube VIP afortunado, e para gente com sucesso no mundo da trapaça. A mim, que
não possuo licenciatura tirada num ano nem em dez, que só frequento o Inferno,
criado e mantido incendiado, pelos governos terrenos, e pelos
"gaspares" monocórdicos e monosilábicos, que só me convidam sem modos,
a chegar-me à frente, e sob ameaça de penhora da sanita, caso demore a fazê-lo
junto aos balcões do fisco, e não do BPN por exemplo, causa-me uma confusão e
uma insolvência tal, que não sobra nenhum euro para iniciar um tratamento
médico, com receita legal, e passada em meu nome por médico ainda no activo.
Mas a confusão aumenta, quando preciso de ser reembolsado do IRS, até agora
negado, por não pagar as duas prestações em atraso à Segurança Social,
reembolso que permitiria pagar as propinas dos filhos que frequentam o
Superior, que não têm direito a bolsa por não liquidar a pendente dívida ao
Estado, e cortado que foi o abono, enquanto os "deposi(tra)tantes" nos
offshores, que fogem ao pagamento de impostos sob a orientação de sociedades
gestoras, especializadas em desvios de capitais dessas excelências, para tais
paraísos, vêm a sua estratégia, lucrativa, ser perdoada ou até compensada como
se tudo não passe de luvas em negócio de submarinos, pelo mesmo governo que nos
persegue, se e ainda, por não se ter declarado uma lata de lixívia ou outro
produto que tire as nódoas. Concluo, que Paraíso é qualquer coisa ou lugar bem
longe, com ou sem palmeiras, onde haja bunga-bunga contabilístico, que não
incomoda, dá sossego, e que dá vantagens sem pagar impostos. Um oásis para
administradores, empresários, artistas da bola e outros que entregam a ganância
sob a gestão de grupos económicos. Percebo que na minha condição, Paraíso, é um
lugar onde não entro por falta de sorte ou melhor fortuna. Um dia escreverei só
do Inferno, que esse conheço bem desde pequenino, e que foi berço da maioria
dos portugueses, que não escapam às obrigações fiscais.

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