sexta-feira, 6 de julho de 2012

Malhas e manhas que Abril teceu


Entre as muitas coisas que Abril abriu e permitiu, para além da liberdade de expressão(!), foi a possibilidade da mediocridade reinar. Portugal tornou-se da velha noite para o novo dia, o país onde a falsidade, a desonestidade, a falcatrua, a burla criminosa, a corrupção, ganhou o estatuto de normalidade com o à vontade de Lei. Incoerente, como não podia deixar de ser, tendo em conta o lamaçal em que se move, incrimina o falso padre que celebrou missas, casamentos, baptizados e até funerais, condena falsos médicos que exercem em clínicas e dão consultas aos aleijadinhos, aprisiona falsos juízes que mandam soltar criminosos, e outros que tentam cobrar por telefone penhoras sob processo pendente, falsos fiscais da segurança social, falsos filhos do Jerónimo Martins que prometem a jogadores da bola multiplicar a sua fortuna, falsas herdeiras da BIC que enrolam industriais abonados, e aceita ao mesmo tempo, com a tal normalidade, as licenciaturas falsas dos ministros, e as decisões de Juízes do Tribunal Constitucional sobre a inconstitucionalidade dos cortes dos subsídios históricos, com explicações estrambólicas a justificarem o despacho que diz, que agora é assim e depois assado. O que está está, logo se verá.  Que diferença há entre o falso padre e o fictício doutor que deu em governante, para que um mereça a pena aplicada e o outro não? Qual a razão que desconsidera as habilitações profissionais do falso clínico, que já tem de prática alguns anos e créditos firmados no mercado, e considera legal e justificado a licenciatura manhosa, que assenta em pressupostos idênticos, do chico-político, que do dia para a noite ou num prazo mais obscuro e subreptício, se certifica, e se apresenta com curso de escola superior, aldrabado? E que devemos nós pensar do curso de formação académica, de um conjunto de juízes de um órgão do Poder, que decide da constitucionalidade de leis da república e de que Universidade são eles oriundos? Quantos e quem são eles, para que se sintam protegidos e intocáveis, ou será que este país é mesmo uma falsidade e quando aparece é só para expor-se ao ridículo e virar anedota? Que moral e transparência nos trouxe Abril?

                                    

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