segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Créditos" mal parados

Sou prostituta. Exerço esta profissão há mais de vinte anos, mas de cada vez que me encontro por baixo, fico a pensar em tirar uma Licenciatura. Creio que já possuo créditos suficientes e reconhecidos no mundano, capazes de darem a equivalência a coisa digna(!), numa "particular à Bolonhesa". Prostituí-me com tenra idade e macio corpo, por matas onde incendiei paixões, vãos de escadas onde tropecei em baldes de preservativos, cais por onde mergulhei fundo com estivadores, palheiros de onde saí toda mordida,com empresários enganados, por quartéis onde penetrei o inimigo entre avanços e recuos, estaleiros onde levantei a moral dos operários, até repousar em casa de alterne. Conheço a noite mais negra até o dia amanhecer. Toda esta experiência adquirida, dá-me um nunca acabar de "créditos" numa Lusófona ou similar, onde a Licenciatura como Sexóloga, ou equivalente, não poderá ser recusada. Os meus contactos e conhecimentos no meio académico não são os melhores nem os mais recomendáveis, mas tenho quase a certeza que o reitor da Universidade onde o ministro do governo, deste e doutros assuntos, se formou, não exigirá mais provas, nem me pedirá para ir com ele para a cama, para me passar o certificado tão desejado e ilustre, e com dedicatória, a esta "amélia dos olhos doces e grávida de esperança " no canudo superior. Ele sabe que eu sou boa naquilo que faço. 

                                    

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