Sou prostituta. Exerço esta profissão há mais de vinte anos, mas de cada
vez que me encontro por baixo, fico a pensar em tirar uma Licenciatura. Creio
que já possuo créditos suficientes e reconhecidos no mundano, capazes de darem
a equivalência a coisa digna(!), numa "particular à Bolonhesa". Prostituí-me
com tenra idade e macio corpo, por matas onde incendiei paixões, vãos de
escadas onde tropecei em baldes de preservativos, cais por onde mergulhei fundo
com estivadores, palheiros de onde saí toda mordida,com empresários enganados, por
quartéis onde penetrei o inimigo entre avanços e recuos, estaleiros onde
levantei a moral dos operários, até repousar em casa de alterne. Conheço a
noite mais negra até o dia amanhecer. Toda esta experiência adquirida, dá-me um
nunca acabar de "créditos" numa Lusófona ou similar, onde a
Licenciatura como Sexóloga, ou equivalente, não poderá ser recusada. Os meus
contactos e conhecimentos no meio académico não são os melhores nem os mais
recomendáveis, mas tenho quase a certeza que o reitor da Universidade onde o
ministro do governo, deste e doutros assuntos, se formou, não exigirá mais
provas, nem me pedirá para ir com ele para a cama, para me passar o certificado
tão desejado e ilustre, e com dedicatória, a esta "amélia dos olhos doces
e grávida de esperança " no canudo superior. Ele sabe que eu sou boa
naquilo que faço.
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