quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um rapaz (do) passado

 
 
O rapaz é novo, não pensa, e por isso diz o que lhe vem á cabeça no meio da euforia da festa. Mas nada disso o impediu de chegar a 1º ministro. Ele sabe que a mediocridade neste país, sai triunfante, permite notoriedade porque ocupa sempre posição de relevo, até pelas asneiras que faz, e é bem paga. Mas nem toda a gente está disposta a aparar-lhe o pião, a aturá-lo. D. januário Torgal Ferreira é um deles. Este Bispo, de quem não se sabe a "cor", e não pode ser apelidado de "vermelho", para já, falou e disse da sua justiça, e o que disse calou bem fundo nas almas de santos e pecadores, e levantou mais ondas que qualquer grito sindicalista ou reparo político, do correcto líder da oposição.
Do discurso de Passos Coelho, relevou o bispo, as semelhanças das palavras sentimentais, do actual chefe do Governo, com as do antigo condutor do Estado Novo, que durou mais de meio século, com os resultados que todos sentimos, e que nos trouxe até hoje com a resignação paralizadora, o atraso, a submissão, que faz de nós um povo menor e obediente, deslocado e eternamente pobre. O bispo não esteve com meias medidas. Apelou com a voz da serena revolta, à luta nas ruas abandonadas de vida, sem tumultos, mas para injectar força e frescura à Democracia, que Abril desenterrou, mas que o presente governo golpeia forte e feio, com medidas perversas e repetidas, que a asfixiam e fazem recuar o país ao antigamente, acompanhado de "propaganda tipo União Nacional" sobre o comportamento "tão dócil e tão bem amestrado" do povo português, que "nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas" ou de mostrar qualquer indignação - que só sofre, se lamenta, mas parece gostar. Para quando o "coice" colectivo que está a tardar, e que tem a benção do bispado, e que há muiiiito é reclamado por Guerra Junqueiro?




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