Os Governantes da Nação,
não dizem outra coisa desde hà pelo menos quinze anos; - que não fazem mais
nada senão contribuir para o melhoramento da vida dos portugueses - Se o
discurso sobre tal prática fosse verdadeiro, se alguma coisa então fizeram com
substância, por que razão chegamos ao estado de vida reles, sem quaisquer
direito a fugazes momentos de felicidade e à leveza que só ela dá? A esta
interrogação, simples já se vê, atropelam-se os "especialistas" em
socorro deles, e respondem repetindo-se, segundo o acordo da fidelidade que os
une;- que todos gastamos acima das nossas possibilidades, que levamos durante
um ciclo de muitos anos uma vida farta, e a viver à grande e à francesa, com
uma qualidade que só se experimenta noutros lugares, lá onde o trabalho
compensa e a vida aproveita - Ou eu sou de vistas curtas e não observo com
olhos de ver, o País real, ou sou injusto que nem Judas e cretino que nem
Pilatos. Todos os dias, ouço o povo contorcer-se, e lamentar-se por mais horas
que o tempo de antena dedicado ao futebol rico e ao Euro da bola de ouro em
particular, como se neste anestesiante esteja a solução dos males que nos
afligem, e que negam completamente os tão misericordiosos contributos, que a
classe política proclama dar de norte a sul. O Presidente da República é um
deles. Em Guimarães, e depois de ouvir sonoros apupos de tão canora e sofrida
gente, comentou por onde é costume comentar, o microfone, que vivemos numa
Democracia, e por isso se deve compreender o comportamento dos presentes e
ruidosos manifestantes. Pois é, senhor Presidente, mas como dizia um cartaz
exibido lá bem no alto, a Democracia para quem vive com 10 000euros bastante
regalados e que diz que é pouco, é diferente da democracia em que vegetam os
que só se governam com 300euros e menos por mês. Uns podem comprar flores e
enfeitar melhor a vida, outros arranham-se com os espinhos e curam as chagas
entre copos e a corda ao pescoço, ou outro tipo de violência. A Democracia é
mãe de uns quantos bem- falantes, e madrasta de muitas famílias que não se
alimentam só de paleio, mas de trabalho e de pão sobretudo. Por isso me junto
agora ao coro dos assobios. É este o meu contributo.
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