segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O "euro" está a dar o peido

                                                     
Algumas Democracias, do eixo do mal do euro ou da má moeda, tal como as elegemos, estão prestes a dar o “peido” por anos de mau tratamento, conservação incorrecta e gaseificação descontrolada em “Câmaras e Ministérios” da coisa pública, e agora por imposição das forças “troikatistas”. Evidência, que a muitos não surpreenderá, tal é o incómodo provocado pelo cheirete que está no ar e se vem respirando desde há muito. Certos países estão ameaçados de expulsão do clube da moeda única, e de terem de regressar à “sua” antiga condição fiduciária, e no caso de Portugal, ao escudo, que será depois aceite ou não, pelas Economias mais saudáveis, livres de flatulências. Se assim for, ainda bem que guardei lá por casa, debaixo do colchão, as moedas do antigamente, que talvez ainda venham a fazer jeito nos primeiros pagamentos, aos banqueiros alemães e demais credores “atemorizados” por ameaças de não cumprimento da dívida, e de os mandar ir ao “Totta” logo após estas mal sucedidas fases, que mais se assemelham a intempestivas fezes, que nos infectou, e de que maneira.

                                                                 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Wanted


Duarte Lima, “ex-quase-tudo” quanto se pode ser num  Portugal duvidoso, excepto da acusação que é sobejamente divulgada, é agora procurado e perseguido a partir de terras “onde judas perdeu as botas”, e esperto como o Alho, reconhecidamente, vai –se bater com todas as armas para descalçar a bota, antes de ser atirado ao “tapete”, para ser “julgado” em Portugal, onde tem consideráveis e bem colocados “fãs”. Ele que não é cabeça de alho chocho, pôs-se na alheta de acordo com a estratégia planeada, e agora escondido num buraco que nem Sadam ou khadafi, prepara em território que já foi árabe, a sua defesa, sabendo de antemão, e nós também, que as possibilidades de ser absolvido do crime hediondo de que fugiu e está acusado desde o Brasil, pela “Justiça” portuguesa, são imensas, e à absolvição ainda será anexado um pedido de desculpas pelo transtorno provocado. Este “conforto táctico” que lhe chega pela sua passagem e experiência por “áreas de influência”, onde pululam políticos no activo suspeitos e com processos judiciais, ou outros que estão sob alçada da Justiça, desde ex-ministros, gestores protegidos, banqueiros, empresários, vendedores de sobreiros uns, compradores de submarinos outros , montes no alentejo,  autarcas fraudulentos, e até presidentes supremos que avisados, se revelaram bons negociadores na bolsa de valores, e desde que Abril abriu as portas da ilicitude e da corrupção, que não deixa de fora quase nenhum dos que se sentam, comprometidos, ou sentaram no parlamento, ocupado por compadres e familiares, especialistas em maroscas e negociatas, neste país que não tem muita escolha em Eleições, e é obrigado a eleger os mesmos que sempre se apresentam porque sempre disponíveis enquanto a figueira der figos, serve agora o foragido na posse deste conhecimento, para os trazer capturados  e com eles se proteger. Desconfiados disto tudo que não é pouco, as autoridades judiciais brasileiras, parecem não querer entrar nesse jogo, caír nessa esparrela que o suspeito de crime, mais os seus advogados, estão a montar em Portugal, e tratam de o exigir de volta ao local do crime. A ver vamos no que isto vai dar.
                                                                                 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

morte em dezembro longe de veneza


Há personagens, com estatuto social, político e profissional, que andam ou viajam sempre, embrulhados em alhadas da pior estirpe. Conscientes disso, procuram mascarar todos os seus movimentos, realizando acções que distraiam, ou participando em Organizações altruístas, de solidaridade, de benemerência, de voluntariado, nos mais diversos palcos. Desde que tais iniciativas lhes permitam “lavar” a imagem, ou os ajude a camuflar os desvios de baixo comportamento, até criminosos, eles aí estão a dar a cara na primeira fila. Se não forem convidados, eles aparecem à mesma ou fazem festa por sua iniciativa e convidam outros. Possuem várias qualidades, são bem falantes, especialistas em teclados e coros angélicos, fazem-se notados mas não rogados a integrar Comissões, Associações, Direcções, Fundações, e ainda , vejam só, Conselhos de Ética, para isto mais aquilo. Por todo este “nobre esforço”, chegam a receber vitaliciamente por “relevantes serviços prestados à nação”, choruda maquia, assente em princípio legal e fim moral. Estes especialistas na arte cénica e circense, sabem como ninguém, como fazer “lavagens” a cérebros, ao dinheiro e ao crime. Não olham a armas e perseguem a presa obstinadamente, até a deixar de borco na sarjeta da morte. São ainda bons, a dar música e na prestidigitação, sobretudo bons como lavadores de tapetes voadores. Sem serem de Caneças, podem ser do Peso da Régua, o que garante estarmos na presença de gente capaz de criar uma Empresa de higiene e de branquemento, com sucesso, e sem intermediários São tipos especiais, dotados de expressivo QI, e bem aceites. Não comem criancinhas ao pequeno almoço, mas “limpam” no escuro velhinhas com fortuna – tudo certamente a bem da nação!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O 7 magnífico


Para justificar as suas más exibições na selecção das Quinas, “CR7”, repete aos quatro ventos, que não está bem físicamente, e se entra a jogar é por amor à camisola e a Portugal. Este aparente patriotismo é de mau pagador, e é desmentido pela sua entrega nos jogos que disputa na Liga espanhola e ao serviço do seu clube, onde se arreganha todo para atingir objectivos que o mantenham no topo, e fundamentalmente, para não perder o prestígio conseguido a favor do “incomodativo” Messi, seu arqui-rival mesmo se ausente ou se apenas presente nas “bancadas” que o evocam em coro, só para irritar o madeirense - o que conseguem. CR7 aplica-se no Real que lhe paga, como não o faz na Selecçao lusa de onde recebe pagamento, ou por que não tem companhia à altura e largura, ou por menor vontade, ou receio de saír maltratado do relvado e regressar a Madrid impossibilitado de vestir a camiseta merengue, com consequências que se podem traduzir em milhares de euros, ou ainda porque a vaidade o esmaga. Seja o que for, espanta-nos, é que só esteja lesionado enquanto joga por cá, e logo se recomponha ao atravessar a “fronteira”, e de imediato se prepara para animar os espanhóis com mais proezas, atingir marcas históricas, exibições de encher o olho e de encher mais os bolsos. Por tudo isto, ficamos desconfiados e sem saber, se a publicitada “lesão”, só reage cá e é conveniente como desculpa para o seu apagamento, por más prestações ao serviço da sua Selecção, e que logo desaparece mal entra no santiago barnabéu, ou se existe lesão de facto, em que zona do seu “magnífico body” ela se manifesta, ou se é só ao nível do seu azelhado cérebro para adepto calar?



                                         

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os melhores do mundo


                                
Somos os melhores do mundo. Basta ouvir toda a semana  os comentadores  ridículos que pululam pelos media desportivos a analisar as coisas do futebol. No entanto, vá-se lá saber por quê, estamos sempre dependentes do que se passar  no outro jogo, que se disputa  ali mesmo ao lado. Tudo nos corre mal. Cristiano,que também é o “melhor do mundo”, atira ao lado. Hoje as coisas não lhe correm bem . A equipa está apática. Mentalmente está fraca. Noite de sofrimento. Falta um minuto para acabar, mas se ...se ...se, vá-se lá saber por quê uma equipa que é “melhor” que as outras todas passa por esta provação. Isto não devia valer, o apuramento automático é que sim. Nós somos afinal os “melhores do mundo” com o coração nas mãos. Basta-nos o empate, até podemos perder “se”, mas Cristiano atira ao lado desta vez, já que da outra Ronaldo atirou para os pinheiros. Acabou . Portugal segue para os play-off. A vaidade, temos a certeza, vai continuar assim como o desemprego. Do lado de lá não chegou nada que nos tenha favorecido. O resultado é negativo – como é costume. “Com um resultado destes não se exita”- recolhe-se aos balneários e vai-se logo tomar banho, que o jogo não deu para hoje se arreganhar a taxa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Mundo do Homem de hoje


O Mundo no dia a dia, não passa de conversa fiada. Os acontecimentos mais escabrosos, tenebrosos, são a matéria prima para guiões “hollywoodescos” ou para criar através da pena do romancista, um best-seller. As guerras em geral, os nazi-campos de concentração da dor e morte, as ocupações de “gazas” e de outras faixas, territórios colonizados, e de tudo que resulta em fome e matança macabra é motivo principal apenas para filme, documentário ou tratamento em conferências internacionais, com todos os líderes refastelados, em pose sorridentes para a fotografia que fará parte de um álbum, que alguém lhe chamará, histórico, após debitarem muitos lamentos e tecerem acordos e tomarem medidas que só resultam em nada. As carnificinas ocorridas até ontem no Mundo,ocupam-nos, ao que parece, mais tempo e provoca maior preocupação do que as que ocorrem hoje e mais perto de nós por acção dos “media”, quer no Médio Oriente ou Mundo Árabe(como se de outro “Mundo” se tratasse), quer da Síria, quer no difícil de roer” Corno de África”, e que se repetem há muitos e longos anos. Morrem quotidianamente e domesticamente, mais gente debaixo da força assassina, da bala cobarde e à fome, que somados, superam a população de algumas Nações, e sem que tal drama mereça mais notícia, ou que mereça menos notícia que a publicidade ás cuecas do Beckham, ao baptizado e ás fraldas do CR3.5 – o Ronaldo júnior, e maior contestação no resto do Mundo ainda em paz. O que se passa na Somália, Etiópia, Eritreia, no campo de refugiados e da morte de Dadaab, que “aprisiona” uma população que equivaleria a ser a terceira cidade de Portugal, não provoca nos dias que nascem a solidaridade que foi erguida no passado para os conflitos dramáticos nos pós-guerras, e uma reacção enérgica contra os Estados e as políticas actuais que levam os povos à vida de miséria e à morte miserável. As mecas do cinema estão atentas, as “câmeras” estão a postos e prontas, os guionistas tomam notas, mas qualquer “obra artística” que dê em “Espectáculo” com direito a passerele, sob a direcção de uma ONU da conversa fiada, virá impregnado com o cheiro a holocausto do tempo moderno e hipócrita.  

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mourinho versus Messi


José Mourinho, treinador do “maior clube” do mundo, devia andar feliz, mas não. Feliz, porque tem terminado os jogos contra o rival catalão e soberbo, com o maior número de jogadores tolerados, excepto na “supercopa” de espanha, mas que bem podia ter acabado o derby com nove se o árbitro não tivesse contemplações com o sarrafeiro sul americano, Pepe. Mourinho, no entanto, “sigue siempre” triste, pois nem com a ajuda do “aipode” ele consegue encontrar o sistema táctico que o leve à vitória contra o Barça do delicado Guardiola. Revelando todo o seu mau feitio, arrogância “chico- espertista”, não acaba o jogo tambem, sem desferir golpes baixos ou no sobrolho do adversário, numa imitação reles de um outro sul americano de seu nome, Scolari. Mourinho, o josé, ainda não percebeu que para ganhar a Guardiola precisa apenas de um jogador baixinho de tamanho, que mexe com mestria os pés como se tivesse tantos como centopeia – o super Messi, o leonel. Com este génio na sua equipa, teria a tão sonhada “dream team”, e os títulos que arrecadasse não seriam “pequenhitos”, como agora desdenhou deste, do qual saíu derrotado. O seu mau perder, que se repete, revela que é malcriado, o que permite antever que quando largar o mundo do futebol, e longe dos relvados mas então perto das lezírias ao sul e do gado bravo, pode muito bem ingressar na administração de uma empresa, tipo Megafinance, e partilhar com “Cohen Pereira, cavaleiro do império britânico, e da Silvia Ramos” todo o conhecimento acumulado por terras de reis e rainhas, mas onde não aprendeu a ser nobre de comportamento. 

                                                                                     

                                                                  

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os melros


                                                 “Os melros”



O melro –“ turdus merula”-, foi excluído da lista das espécies cinegéticas a caçar. Não há nesta determinação qualquer novidade, pois os “melros” que são sempre notícia e escândalo, já não são há muito, considerados como caça a abater, pelos juízes e executores de leis, que quando os apanham no tribunal, logo os soltam, e lhes permitem que voltem ao “galho ou ninho” onde se governam, onde cantam de galo e exibem as unhas cuidadas, não fossem eles, hoje como ontem, passarada de “bem” e urbana, de jardim com piscina, jacuzi, em chalé de luxo. Os “melros” têm pelugem negra, de cerimónia e a preceito, bico amarelo, ás vezes alaranjado, outras vezes rosa, etc, dependendo da época eleita e em vigor. Preferentemente, poisam em poleiros de governação, de administração da coisa pública ou privada, e de instinto gregário quando é preciso ou se a isso estão obrigados. De reportório vocal fácil e variado, iludibria quem o escuta, e sai sempre por cima das embrulhadas em que se mete e das acusações de crime de colarinho branco e engomado que lhe apontam, sem um único beliscão de pena aplicada ou de sentença adversa proferida em sede judicial por conflito de corrupção, gestão danosa, desvio de fundos de um “ninho para outro”, falências fraudulentas ou insolvências tácticas. Este tipo de “melro” é da espécie que canta bem mas não alegra ninguém, e por isso é bem caçado se e por quem lhe mande calar o bico, ou por quem lhe diga de uma vez por todas: “ anda lá meu melrinho que desta vez não escapas”.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"Snake"


                                           “Snake”não é cobra não. È negro mas é homem!

O tribunal, “absolveu” por homicício por negligência a vinte meses de pena suspensa, o polícia “cego”, que diz, como dizem todos os policiais na hora do salve-se quem puder, que atirou para o ar, e só depois para os pneus da viatura. Este tiro “rigoroso, feito com mestria”, alvejou o “rapper” Mc Snake” causando-lhe a morte. Não há provas de que tenha feito tiro por esta ordem, até por que a lucidez do polícia pela noite profunda é pouca, e “cego” que estava pela escuridão, ainda agrava mais as desculpas avançadas, com que pretendeu abonar-se em juízo, tendo em conta que para atirar para o ar não é preciso grande treino e muita experiencia de tiro. O sindicato do ramo como é costume, vem de pronto protegê-lo e ilibá-lo, e com isso todos os demais. Já o dissemos muitas vezes, quase tantas as que são caladas pelos jornais, que é sempre assim que acaba em tribunal o julgamento dos policiais, por práticas condenáveis, que se juntam também na injustiça ao sindicato da classe, que pretende e acha que podem atirar quando querem e para onde querem, em alvos fixos ou móveis, ganhando deste modo a prática que lhes falta e ao vivo. Como é norma, só falta agora colocá-lo na secretaria a tratar de papéis, e até que esqueça, pois filosofia têm eles que chegue para embrulhar qualquer juíz( a outra classe acima) que quase sempre os atende com solidária compreensão.
                                                                                            (ex-oficial milº O.E)                

domingo, 29 de maio de 2011

"Guardiolas"


Um dia se eu puder, quero ter um campo cheio de “guardiolas”. A “guardiola” é uma flor única, raríssima que só existe na Catalunha, embora tenha as suas raízes no país da raínha dos Tudor. Esta flor é constituída no mínimo por um jardineiro delicado e dedicado que lhe dá o nome, e onze pétalas, qual delas a mais afinada e colorida, mas a nº 10, quem conta de trás para a frente, é aquela que  revela todo o perfume como nunca houve outro em reino algum. Existem muitos relvados por todo o mundo onde se teima ou aposta em fazer nascer flores assim, tambem elas com igual nº de pétalas, mas como as guardiolas, é impossível, porque falta-lhes sempre o perfume mágico que só as “guardiolas”têm e espalham por relvados onde se exibem e brilham quando a isso estão obrigadas. Foi precisamente no relvado do país da velha monarca, em Wembley, que as guardiolas deram o maior espectáculo que os vivos espantados, puderam assistir e devem recordar para o resto da sua vida, e foi ali que presentearam a equipa da casa com um resultado minguado mas significativo e histórico, para secar aquele pretenso jardim, e todas as pretensiosas flores do “ramo inglês” que ousou enfrentar com mérito, a rara beleza e beber do perfume mais inebriante que há memória desde que nasceu tal espectáculo que se confunde com baile quando executado por aquele superior conjunto ou “sagrada família”, que nos leva a pensar que a partir daqui não há mais nada para ver nessa modalidade, mesmo para os que passaram a ver melhor e que teimavam em ser mais madridistas cá que os de Madrid. Os nossos “media” e comentadores de tv são disso lamentável exemplo. Viva o Barça, berço do encanto. A “champions” e o mais belo jarrão, é blaugrana.

                                                                                              Joaquim Moura – Penafiel
                                                                            

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Conversa adiada


Um rapaz amigo com idade que ainda não lhe permitia ser doutor, não obstante carregar debaixo do braço quatro grossos volumes, entrou pela minha oficina dentro e com habitual confiança que sabia poder usar e só depois de dizer bom dia, atirou – ‘’Ò sr. Abílio (nome fictício) diga-me lá, que eu ando a cismar no sismo (ele sabe que gosto do trocadilho), você que sabe umas coisas, se o que aconteceu no Haiti tivesse ocorrido por cá, crê você que estaríamos prontos a responder a idêntico drama com meios mais eficazes? A pergunta é mais curta do que a resposta que merece, e por isso fiz de conta que não ouvi bem mas foi só para ganhar tempo para reflectir sobre ela. Respondi-lhe ou tentei apanhar o melhor jeito para uma possível e clara explicação. – ‘‘Sabes, por Portugal a que te referes, suponho, tudo é bom desde que não aconteça, caso contrário estamos feitos. Vê lá tu que basta a época dos fogos florestais para incendiar os ânimos e alvoroçar as chefias do organismos responsáveis e a confusão é mais que muita. Ou são os Bombeiros que não chegam, ou que não têm equipamento adequado a que se lhes junta a crónica falta de água, os helicópteros que estão em terra inoperantes, a limpeza das matas que não é feita, os acessos difíceis, etc. No inverno, como sabes, há zonas do país aonde a neve cai e como sabes também a neve é macia e leve como algodão doce, que mesmo que nos caia em cima não mata. Mas basta meia dúzia de flocos para obstruir as vias que logo nos chega a notícia que não há máquinas que os removam. A partir daqui já ninguém se entende. Ou é o autarca que se ausentou para o carnaval tropical ou para uma feira de fumeiro lá nas redondezas e os bombeiros desconheciam. Ou é o governador civil que está incontactável e quando aparece é de fato e gravata. Não estás a imaginar o gabinete oficial deste representante equipado com protecção adequada de capacete e galochas e ele de piquete às portas dos incêndios ou das inundações. Como sabes eles aparecem no fim prontos para o discurso que leva à recolha dos louros’’.
O jovem mantinha-se atento às minhas reflexões que denunciavam a experiência do tempo vivido e ao mesmo tempo ele dizia – continue. E continuei. ‘’vou-te lembrar ainda as cheias provocados pelos riachos e ribeiros, o lixo que se mistura porque todos sujam e ninguém limpa, os castelos, as muralhas e as fortalezas desmoronadas que desabam à séculos e cujas pedras que lhes pertencem já entraram na construção dos muros das vivendas dos autarcas ou empreiteiros locais.’’
Até aqui o rapaz não tinha interrompido até que – ‘’ Ò sr. Abílio (nome fictício), mas olhe que se nós não somos lestos a construir, também a deitar abaixo (no que somos bons, juntei eu) não resolvemos melhor. Veja só o que se passa com o ‘’prédio Coutinho’’ ali no Minho, que não há terramoto que o deite por terra. Mas aí, disse eu, passa pelas leis dos tribunais o que torna tudo diferente. Agora o que tu queres saber é sobre a nossa capacidade de resposta às catástrofes por cá. Digo-te que não temos meios nem gente capaz. Olha só que sem nos calhar nada parecido com o caos e a miséria do povo caribenho, atenta na fome que graça entre nós. Queres inferno maior do que este só mesmo o que aconteceu naquela ilha que não lhe vale ter por vizinho o país mais rico do mundo mas também desigual quanto baste. Se por lá, pelo Haiti, que não há petróleo nem diamantes e floresta sequer, demora a ajuda e vai demorar, para lá dos meus dias, por cá que é o que queres saber não seria melhor. Ainda por cima o vizinho da fronteira que nos separa não está tão próspero como seria desejável e a ajuda vinda seria a possível. Aqui também não há petróleo como disse aquele dirigente desportivo. E se não havia para ele, para nós muito menos. Como vês, não precisamos de factores naturais para deitar tudo abaixo. Portugal está visto é um país histórico desde há muito e se nos acontecesse uma tragédia semelhante só te digo que tínhamos o inferno a dobrar. Nós somos velhos sobreviventes a catástrofes. Tal como a esses infelizes ilhéus o nosso futuro está também adiado até que a terra nos cubra. Portugal tem muitos górgonas com vocação para Baby Doc que não deixa pedra sobre pedra e por isso este país deu em pedreira. Nisso o nosso vizinho de fronteira é melhor que nós. Como em tudo, disse ele intervindo. Em tudo não, retorqui. Em paleio nós somos bons’’ – e isto podia ter sido dito por qualquer um. ‘’ Mas isto é como tudo, ossos da vida meu caro - Diga antes ‘’destrossos’’ da vida. (eu percebi o trocadilho)
- É, tens razão. No caso estás certo.
Ao rapaz em silêncio já baralhado pelo barulho que as palavras fazem, principalmente as inadequadas, perguntei-lhe se estava cansado e se queria pousar os livros, aonde não está registado este conhecimento que só a vida de muitos anos dá enquanto eu procurava rematar ou concluir o desafio que ele lançou quando aqui entrou e de maneira a que ele saísse confortado com a minha dissertação e apropriada à sua idade que não dava espaço para apreensões nem convinha.
- O que andas a ler, perguntei?
- Neste momento estou com a ‘’Escrava de corda ao pescoço’’ a que se seguirá a ‘’Escrava na corda bamba’.
- E que tal?
- São como a neve e o algodão, macios e leves.
- E essa escrava quem é?
-  É Portugal -  respondeu seco.
Mas como já se fazia tarde, ele disse: Então até logo, enquanto pegava nos livros.
- Já vais?
-  Eu volto. Depois continuamos.
Ele despedia-se e eu voltava também a tentar meter o tempo certo no relógio que uma cliente deixou para arranjo. O tempo tinha parado dentro dele. Deve ser da pilha…deve ser!

terça-feira, 5 de abril de 2011

A "sueca"


A vida está difícil. Não está para brincadeiras, está mesmo pela hora da morte. As expressões  bem escutadas, porque repetidas de tão sentidas, são diversas, e no entanto dizem todas o mesmo. Todos os passos que se dão para fora de casa saiem-nos caros. Os “tostões” contam-se , recontam-se, e sente-se o engasgue que nos revolta. A raiva cresce por não sabermos como dar a volta a esta situação. O melhor, é esquecer  os momentos de gozo que o passado nos proporcionou, e juntarmos-nos à sueca debaixo do arvoredo, no banco do jardim, no largo da feira, na praça pública que já foi mercado, e não pensar mais na confusão actual, no lamaçal que nos meteram, que nos angustia e de que não somos capazes de saír, sem ser através de nos manterem na penúria, esmagados pela frustração e espremidos pela tristeza. Somos velhos de tenra idade que vagueiam num túnel curvado e cheio de sombras, tantas quantas as promessas que nos fazem, dizem uns, estamos velhos e já não há muito para andar, dizem outros. Por isso estes bancos de ripas gastas, retorcidas, descascadas, ao ar livre servem para passar o tempo e uma sueca vem mesmo a calhar. Quatro tristes e um som de violino dispostos em cruz chegam para fazer a festa até que a tarde se esgote e a hora do caldo apareça a fazer de ceia. Acabaram-se os gastos nos pequenos prazeres que nos acompanharam desde cedo. Já não há idas ao cinema, jornais, nem cavaqueiras nos cafés com uma “bica” à mistura. Discute-se a bola mais pelo que se ouve do que pelo que se vê. Os canais cabo são para os ricos, e nos estádios não há lugar para nós porque a carteira de bolso está fora de jogo. Um baralho de cartas sempre é mais barato, e a companhia dos amigos no infortúnio ainda não paga imposto. Basta a sua disponibilidade, que se agradece, enquanto ajuda e alivia “o caco”, que é em cacos que o país está feito e nós também. Agora só há pachorra para a “bisca lambida” e a seco, que mesmo a água em garrafa custa como combustível fóssil, só trazida da torneira da casa, que ainda não foi cortada, que a luz já a dispensamos há muito e aqui com Sol também não é precisa. Vê-se bem o naipe de trunfo que corta o amargo que sentimos e nos obriga a assistir, senão, somos penalizadoa com quatro jogos, embora perder é coisa a que estamos habituados. Quatro, são quantos são precisos para uma partida bem entretida debaixo do arvoredo, á sua sombra, entre palavras que tentam disfarçar a melancolia que nos cerca, quase sufoca. O ar está ameno, não é do ar este aperto na garganta, e gravata não uso. O transistor a pilhas avisa-nos que estão vinte e quatro graus. Suportável. Esta vida é que já não tanto. A sueca a este preço é que se aguenta ainda, mesmo a precisarmos de baralho novo que este está muito coçado como colarinhos gastos e fora de moda, e acossados nós também, mas não podemos fazer nada a não ser levantarmos-nos de novo sobre quem nos exauriu a vida, a esperança  e o sonho de ter um final feliz, mais descansado, e expulsá-los a todos, privá-los do saque continuado e fazê-los pagar bem caro por isso. Não sei se temos energia para tal cometimento. Vontade não falta. Bom! Faz-se tarde e ainda tenho que ir ter com a Ingrid, que pediu-me a acompanhasse à Segurança social. Bela mulher. A beleza nórdica é o que nos vai valendo, mas tal como nós deve ter saudades do cinema. Retirou-se. Ainda tentou de novo a sua inserção, mas sem rendimento, e como nós vive agora do rendimento mínimo. A vida não está fácil para ninguém.Esta é a última que jogo. Eu volto mais tarde e continuamos se estiverem por aí, se ainda houver luz e algum futuro.



                                  

terça-feira, 29 de março de 2011

O prémio Pritzker


O meu filho anda a estudar para desempregado. Quer teimosamente ser arquitecto. Não sabe que este país não é para arquitectos e não escutou atentamente o último laureado com o prémio maior da especialidade, que o confirmou e aproveitou para aconselhar os pretendentes à licenciatura, os futuros arquitectos à rasca, responsáveis por tornar as cidades lindas e dar sentido ao olhar, para se porem a andar daqui para bem longe, que a crise anda por cá e nas imediações europeias e sem perspectiva de melhores dias. O meu filho enquanto "marra" cheio de vontade para alcançar o canudo nessa arte superior, vai-se entretendo a projectar e a "maquetizar" sobre o tampo da mesa de jantar casinhas em cartão, com luzinhas de natal por dentro. Ele que projectava também ganhar um dia o prémio Pritzker. " Parabéns Souto Moura. Ganhaste a maior flor do Mundo,a partir de um país aonde as flores não nascem".

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os bombeiros


" na guerra, determinação
   na derrota, resistência,
  na vitória, magnanimidade,
   na paz, boa vontade"          (Winston Churchil)

A imagem que ainda se retem ou perdura desta Corporação e dos homens estranhamente voluntários que a constituem, ou seja, dos seus elementos tambem chamados de soldados da paz, julgo que é reflexo daquela que nos vem da infância, da idade em que se quer ser com igual fantasia, polìcia, e nos dias de hoje jogador de futebol. Corporação nada exigente,  com recrutamento pouco escrupuloso, misturando-se um, exemplar, a outro, com registo comportamental pouco recomendável, que transitou expulso ou "aconselhado" à reforma  compulsiva no último ofício exercido, por simples antecipação à suspensão possível, ou ainda para ocupação dos tempos livres a troco de algum que dê para uma merenda reforçada. Mas a imagem que guardamos é a que nos permite agora dissertar, ou tão só discorrer de forma ligeira e distante, mas com paixão - ressalvo. Sei bem quantos se vão mandar ao ar, pelo caminho e o jeito que escolhi para falar sobre eles - os Bombeiros. Os rapazes crescidos que conheci, pobres, rotos, são os mesmos homens tão pobres hoje que  quando meninos, e com os mesmos anseios e razões que os rapazes pobres, mais bem vestidos hoje têm, que é  a de ser bombeiro, apesar da forte concorrencia da GNR (- nesta Corporação o estatuto e o clarim toca mais alto e rima com pilim-). Rapazes pouco dados ás letras, mas muito agarrados aos copos, e que viam como promoção social, maior subida na vida, uma importância e auto - estima acrescida, se calhasse entrarem na Corporação que era a única com alguma visibilidade e espectacularidade na terra natal, e que ainda por cima lhes permitia exibir uma indumentária vistosa e reluzente que não tinham de outra maneira. Mas ao pobre, qualquer roupita, assenta-lhe de modo estranho que não lhe tapa a sua origem fria, e uma farda com botões em metal dourado sempre disfarça um bocado. Mistério! É isso mesmo, é mistério, e não há volta a dar. Até que ponto se pode falar destes soldados voluntários e da boa vontade, sem penetrar naquilo que deverá ser a sua real vocação e objectivo que é o sentido mais profundo - o humanitarismo , a entre-ajuda, a disponibilidade, a prontidão e eficácia, a sua constante preparação para enfrentar perigos e a guerra entre chamas por vales e montes, por caminhos do demo e de cabras, e outras loucuras que o homem carrega e a doença revela, desenvolve e clama e se expressa ás vezes cruelmente?

Recordo o circo que montavam em alguns locais da cidade, naqueles que ao Comando lhe  parecia ser um obstáculo ideal para o exercício que se queria ultrapassar e lhes permitia adquirir experiencia, já que coragem nunca faltava, que lhes vinha da vontade sonhada e de algum alcool á mistura, que não raramente dava lugar a cenas caricatas, hilariantes, e promoviam a risota entre a assistencia curiosa e expectante. Mas quando a sirene ecoava pela terra notas soltas, estridentes, ou mais abafadas chegavam aos arredores mais próximos, os pobres bombeiros quer estivessem nos telhados, a trabalhar nas valas ou no buraco em que estavam metidos, nas oficinas, no campo ou na taberna a jogar á bisca, lá corriam como desalmados numa urgência em direcção ao quartel, e aí maltrapilhavam-se a rigor e se abotoavam pelo caminho até que as vestes dissessem, "pronto"! E depois era ver os carros de combate ou como se dizia, bombas de incêndio, a todo o gaz a badalarem á passagem para que todo o mundo abrisse espaço e lhes corrigisse a direcção tomada porque muitas vezes iam para norte e o incêndio era para sul. Ainda não se sonhava com o GPS -  um problema de direcção portanto. Então quem os comandava, quem os dirigia? Que preparação tinha o Comando nomeado, que formação tinha a Direcção assumida para o exercício de tal função? Respondemos nós, que para além da militar que um ou outro, este ou aquele assimilou porque enfileirou na tropa macaca ou por hereditariedade, nenhuma outra lhes foi dada. O voluntariado garboso era a única força que os movia e o exibicionismo apelava, coisas que os desfiles pelas ruas denunciavam em dias de procissão ou de festa a preceito. Nada mudou de então para cá? Sim, mudaram os equipamentos através das boas verbas concedidas, todos os meios de apoio material actualizado, instalações melhoradas, maior poder reivindicativo, luta interna por posição de destaque, maior protagonismo cerimonial e oficial, etc. e até bombeiras já há, que se levantam e se deitam para amaciar as labaredas dos fogos que sobem em qualquer frente ou á rectaguarda ou num colega mais carenciado e que faz parte de toda aquela fanfarra onde tambem se misturam elementos que ateiam fogos de verdade, mas onde tambem há os do Corpo de Intervenção, os das chamas na floresta e dos acidentes nas estradas, nas derrocadas e na condução dos doentes, e nas aparições para corpo presente! Será que esta amalgama de homens são hoje idênticos aos que conheci e recordo, ou estão como se exige mais filtrados, aptos para melhor serviço, prontos para as novas oportunidades que se lhes abriram por (in)formação ou decreto, capazes de nos transmitirem uma nova imagem que apague o registo que a nossa memória teima em manter? Será que charlot se inspiraria hoje neles para criar um "boneco" com humor e algum sarcasmo, com o humanismo sempre presente mas sarcástico sempre? Em tempos modernos presumo que tal projecto não tinha lugar e muito menos aceitação, pois os bombeiros de agora são conscientes homens que pouco se assemelham com os pobres mal fardados de machado á cintura que eu conheci e que tinham o quartel como casa de abrigo com pão e bagaço, e por isso hoje mais Bombeiros Humanitários, embora mandem a factura a casa por cada serviço prestado no momento de urgência ao mais indigente - fantasia nossa mais uma vez, é claro!Heróis á sua medida, corajosos quanto baste e mais abnegnados do que nós outros e os demais, a eles devemos reconhecimento e total gratidão.

Joaquim Moura - Penafiel