“Os melros”
O melro –“ turdus merula”-, foi
excluído da lista das espécies cinegéticas a caçar. Não há nesta determinação
qualquer novidade, pois os “melros” que são sempre notícia e escândalo, já não
são há muito, considerados como caça a abater, pelos juízes e executores de
leis, que quando os apanham no tribunal, logo os soltam, e lhes permitem que
voltem ao “galho ou ninho” onde se governam, onde cantam de galo e exibem as
unhas cuidadas, não fossem eles, hoje como ontem, passarada de “bem” e urbana,
de jardim com piscina, jacuzi, em chalé de luxo. Os “melros” têm pelugem negra,
de cerimónia e a preceito, bico amarelo, ás vezes alaranjado, outras vezes rosa,
etc, dependendo da época eleita e em vigor. Preferentemente, poisam em poleiros
de governação, de administração da coisa pública ou privada, e de instinto
gregário quando é preciso ou se a isso estão obrigados. De reportório vocal
fácil e variado, iludibria quem o escuta, e sai sempre por cima das embrulhadas
em que se mete e das acusações de crime de colarinho branco e engomado que lhe
apontam, sem um único beliscão de pena aplicada ou de sentença adversa
proferida em sede judicial por conflito de corrupção, gestão danosa, desvio de
fundos de um “ninho para outro”, falências fraudulentas ou insolvências
tácticas. Este tipo de “melro” é da espécie que canta bem mas não alegra
ninguém, e por isso é bem caçado se e por quem lhe mande calar o bico, ou por
quem lhe diga de uma vez por todas: “ anda lá meu melrinho que desta vez não
escapas”.
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