quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os melros


                                                 “Os melros”



O melro –“ turdus merula”-, foi excluído da lista das espécies cinegéticas a caçar. Não há nesta determinação qualquer novidade, pois os “melros” que são sempre notícia e escândalo, já não são há muito, considerados como caça a abater, pelos juízes e executores de leis, que quando os apanham no tribunal, logo os soltam, e lhes permitem que voltem ao “galho ou ninho” onde se governam, onde cantam de galo e exibem as unhas cuidadas, não fossem eles, hoje como ontem, passarada de “bem” e urbana, de jardim com piscina, jacuzi, em chalé de luxo. Os “melros” têm pelugem negra, de cerimónia e a preceito, bico amarelo, ás vezes alaranjado, outras vezes rosa, etc, dependendo da época eleita e em vigor. Preferentemente, poisam em poleiros de governação, de administração da coisa pública ou privada, e de instinto gregário quando é preciso ou se a isso estão obrigados. De reportório vocal fácil e variado, iludibria quem o escuta, e sai sempre por cima das embrulhadas em que se mete e das acusações de crime de colarinho branco e engomado que lhe apontam, sem um único beliscão de pena aplicada ou de sentença adversa proferida em sede judicial por conflito de corrupção, gestão danosa, desvio de fundos de um “ninho para outro”, falências fraudulentas ou insolvências tácticas. Este tipo de “melro” é da espécie que canta bem mas não alegra ninguém, e por isso é bem caçado se e por quem lhe mande calar o bico, ou por quem lhe diga de uma vez por todas: “ anda lá meu melrinho que desta vez não escapas”.

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