Propagam agora por tudo quanto é canto, muro, painel e têvê, o folhetim
de que a tr(o)ika foi-se embora, que partiu do País que estava sob o seu
domínio, que dela era refém. Poder-se-à afirmar aliviado, de que partiu o ladrão,
aquele que nos esvaziou os bolsos, já então coçados, e dos dedos, os bens
conseguidos e poupados com o suor de cada um – o barraco, os brincos e os cordões
de ouro escurecido, que os nossos pais nos deixaram, também eles arrancados com
o esforço e o sangue espremido da fome que passaram, do trabalho árduo que
amargaram e os enrugou, ou temos que estar reconhecidos, e agradecer, admitir e
aceitar que a troika esteve cá toda ufana a corrigir-nos, acusando-nos, de que
os ladrões afinal éramos nós, pois andamos a gastar aquilo que não era nosso,
que não nos pertencia, de que vivíamos acima das nossas possibilidades e que gozávamos
à grande e à alemanesa, num estilo brilhante e vida de ilusão, e que
portanto tivemos de devolver o espólio com juros e a arca dos bens roubados - o emprego, a saúde, a escola,
a casa, o casamento, até as leis soberanas, tudo que tiramos aos outros povos
que são ricos há muito? Sendo nós então os ladrões que surripamos ao
capitalismo o que não devíamos, como vamos viver a partir de agora, penhorados,
despojados de tudo o que nos levaram e resgate lhe chamam, e que eram alicerces
geradores da riqueza fundamental para regressarmos à vida que podia permitir a
dignidade e a decência, a (re)abertura das fábricas que dão emprego e fazem
crescer a Economia, a escola que incute o saber e estrutura gente de qualidade,
as condições de estabilidade social e de segurança que soltam as consciências
críticas e prendem os jovens qualificados ao país, e que não os obrigam a
emigrar, mais os homens e mulheres da Ciência que ajudam a melhorar as àreas
que criam riqueza e qualidade para exportar depois com superior afirmação? Se a
troika saíu do país a sério e não ficou por aí escondida sob disfarce de
cobrador à espreita ao largo do Tejo,
com o pau e a calculadora na mão pronta a reentrar, e se só ficou o ladrão que somos nós, apenas com a
garantia amarga da nossa pobreza aumentada e desprovida de meios, como vamos
então viver erguidos com normalidade agora que só temos os dedos esfacelados, o
desânimo e a desconfiança que a injustiça oficial instalou de norte a sul, se
nunca nos achamos ladrões de coisa alguma, mas vítimas de insulto e de
ladroagem por aqueles que nos governaram, desde a banca, seguros,
multinacionais, por gestões ruinosas e criminosas, contratos fraudulentos em
obras e equipamentos vários sob a protecção e proveito dos governantes
nacionais, e outros, certificados no círculo da amizade que os une? Se o rumo e
o guião pelo quais nos teremos que reger e fazer continência neste retomar das
rédeas do País, for "desenhado e projectado" pelos que nos
trouxeram ao estado-lixo de B a Z a que chegamos, o que podemos esperar, nós
povo, se são esses os actores do bando de
agiotas de que temos queixa e vindo a denunciar? Vão lá brincar com o c...-
com o cavaco, pode
ser. -“Gud-vai troica, que eu fod-fico”!
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