A "saída limpa" do programa de assistência financeira externa
sujeita à continuidade do garrote das imposições e sem rede fiável de segurança
e de protecção que evite que nos aconteça pior desfecho do que aquele que
aconteceu às acrobatas do circo em Rhode Island nos E.U. é também ela um circo
montado pelos nossos governantes sob a benção do instável Presidente da
República, que faz parte deste cartaz e desta plataforma. Um número assim, de
tal modo perigoso, exigia maior cuidado e prudência a fim de corrermos menos
riscos em caso de falhanço, inscrito nas entrelinhas. Tal como as dançarinas
americanas que voavam presas pelos cabelos em forma de rabo de cavalo, e se
estatelaram em molhe na pista que lhes montaram, nós portugueses batemos as
asas daqui, para voar fora à procura de melhor palco, enquanto que os que ficam
estão também com os nervos pelos cabelos em pé e amarrados, e sem vontade
nenhuma de dançar na tenda que nos armaram e que nos causa ferimentos graves,
como aconteceu com as artistas circenses durante a exibição da sua performance
sob as luzes da ribalta. Mas enquanto elas foram prontamente assistidas e
conduzidas ao hospital de excelência, nós vamos continuar de rastos neste
manicómio, e "a pedir a Deus a nossa gota de felicidade" que nos vêm
roubando, corte a corte, imposto em imposto, de mentira em mentira que nos
obrigam a fazer acrobacias diariamente, presos pelos cabelos, alguns brancos,
outros espigados e frágeis até nos raparem de todo, e até nos fazerem cair no
fosso de onde sairemos mas partidos, feridos, sem quaisquer "ajuda"
do Governo, do FMI, do BCE ou da Troika. Caídos no vazio e feitos em cacos, as
luzes por cá também se apagaram e nós na escuridão nos manteremos, pendurados
pelas pontas da pobreza. É uma saída a sangrar - que dói e tudo suja!
Sem comentários:
Enviar um comentário