terça-feira, 6 de maio de 2014

A saída a sangrar


A "saída limpa" do programa de assistência financeira externa sujeita à continuidade do garrote das imposições e sem rede fiável de segurança e de protecção que evite que nos aconteça pior desfecho do que aquele que aconteceu às acrobatas do circo em Rhode Island nos E.U. é também ela um circo montado pelos nossos governantes sob a benção do instável Presidente da República, que faz parte deste cartaz e desta plataforma. Um número assim, de tal modo perigoso, exigia maior cuidado e prudência a fim de corrermos menos riscos em caso de falhanço, inscrito nas entrelinhas. Tal como as dançarinas americanas que voavam presas pelos cabelos em forma de rabo de cavalo, e se estatelaram em molhe na pista que lhes montaram, nós portugueses batemos as asas daqui, para voar fora à procura de melhor palco, enquanto que os que ficam estão também com os nervos pelos cabelos em pé e amarrados, e sem vontade nenhuma de dançar na tenda que nos armaram e que nos causa ferimentos graves, como aconteceu com as artistas circenses durante a exibição da sua performance sob as luzes da ribalta. Mas enquanto elas foram prontamente assistidas e conduzidas ao hospital de excelência, nós vamos continuar de rastos neste manicómio, e "a pedir a Deus a nossa gota de felicidade" que nos vêm roubando, corte a corte, imposto em imposto, de mentira em mentira que nos obrigam a fazer acrobacias diariamente, presos pelos cabelos, alguns brancos, outros espigados e frágeis até nos raparem de todo, e até nos fazerem cair no fosso de onde sairemos mas partidos, feridos, sem quaisquer "ajuda" do Governo, do FMI, do BCE ou da Troika. Caídos no vazio e feitos em cacos, as luzes por cá também se apagaram e nós na escuridão nos manteremos, pendurados pelas pontas da pobreza. É uma saída a sangrar - que dói e tudo suja!


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