segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Una paloma para el ministro


Na edição de Domingo, 28 de outubro pág.6, noticia o Público, que - "entre o desvio colossal e TSU, as contas de Victor Gaspar saíram erradas". Manda a minha ingenuidade, fruto de um coração dos melhores do mundo, porque é português, segundo a definição do governante, sobre, o melhor povo do mundo, aconselhar o super-ministro, a ler " La Paloma" de Rafael Alberti, nome maior da poesia ibérica. Desconheço, se o ministro mais pausado, que Abril desabrochou, e permitiu formação cara, é um homem dedicado às letras, e em particular à poesia, ou se só aos números frios e assassinos. É algo provável, de que Víctor Gaspar prefira mais, ouvir Grândola Vila Morena, cantada pelos espanhóis lá longe, do que pelos portugueses em frente à Assembleia da República, agora que as suas previsões, são sempre um equívoco e saiem furadas. É certo, de que ninguém vive da poesia, e que ela é, um alimento dos que apenas sonham, mas se ele, enquanto calcula no isolamento ou em má companhia, mais uma "maratona" de impostos, com que pretende fustigar o tal melhor povo do mundo, e tiver tempo, propômos-lhe, e se o Público for sensível e encontrar espaço para publicar esta proposta, que é um conselho, a leitura ou a audição do poema, também conhecido por " Se equivocó la paloma", cantada por Joan Manuel Serrat ou Mercedes Sosa, se ele preferir. Para lhe abreviar a consulta, aqui reproduzo a letra do grande autor espanhol:

           "Se equivocó la Paloma.
             Se equivocaba.
             Por ir al norte, fue al sur. 
             Se equivocaba.
             Creyó que el mar era el cielo;
             que la noche, la mañana.
             Se equivocaba.
              Que las estrellas, rocío;
              que la calor, la nevada.
               Se equivocaba. 

               Que tu falda era tu blusa;
               que tu corazón, su casa.
               Se equivocaba.  

            ( Ella se durmió en la orilla.
              Tú, en la cumbre de una rama.)”

                              (Rafael Alberti - "la paloma")

                      

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Lance falso e pouco "strong"



Dando como certezas indesmentíveis, as provas contra Lance Amstrong, o ciclista norteamericano, de dopagem forte e feio, e do uso de substâncias proibidas, para alcançar objectivos relevantes, que só em condições normais, dão do Homem uma dimensão mais fiel e mais verdadeira, caímos na burla maior do desporto e no maior artifício de fabricação de atletas de alto rendimento, e de fama. As acusações provadas contra o "super- atleta e campeão universal", para lá das montanhas, do asfalto, e de todas as etapas que o relógio controlou e a história regista, são de tal modo graves, que por constituírem o pior exemplo de desportistas e das redes médico-laboratoriais, clandestinas,devem constar dos manuais escolares e das teses superiores sobre o Desporto, como crime contra a humanidade, pela decepção imensa e pelo aniquilamento da modalidade, onde tudo correu, e pela descredibilidade que "lan(ç)ou" a todas as outras. Um jovem ciclista, iniciado, amador, que alguma vez pensou ter visto em Lance Amstrong, um ídolo, um super-herói, que outra coisa verá hoje nele, após a descoberta da mega-fraude, senão um criminoso no luxo sustentado? Em cima de que moral assentam os títulos, a sua obra e a sua Fundação, que colhe proventos milionários, mas que afinal, ergueram-se em sucessivos atentados à verdade e à saúde? Que cancro desportivo constitui o americano, e para o ciclismo em especial, enquanto festejou títulos desde os Campos Elísios até às olímpíadas, que os "media" cobriram e espalharam pelo mundo? Que devemos pensar,nós, quando nos espalhamos também, ao longo das estradas, e os aplaudimos, vibramos, os incentivamos à vitória, que deve ser alcançada, só através do esforço, do querer, da vontade de superar a dor que o corpo e a mente preparada, aguenta, sem truques nem fantasias, sem drogas que só dão alucinação do êxito, que nos faz caír do cavalo, da bicicleta, do pódio, que falsamente conquistamos, e que tem o condão de fazer de nós, adeptos maravilhados, sem equipa nem cor, já que somos admiradores de todos, desde o primeiro ao último classificado? Quem está capaz e autorizado a acalmar estas tristes interrogações, surgidas de um pelotão de resultados, que alteraram para sempre a classificação geral das etapas, e das voltas que a vida nos prega até à meta, a que cada um se propôs atingir com honestidade, nas áreas diversas? A partir de agora, não mais fará sentido nem ânimo, bater-lhes palmas, nem colar o poster da coroação, numa porta, ou numa parede de ilusões, vazias, perto de nós.

               

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

M. António Pina


 


As saudades dele já eram muitas, e suspeitávamos de uma razão má para a sua ausência, que agora teve resposta. A pior que nos podiam dar. Morreu o homem que trazia consigo um poeta. É muito difícil nesta hora, custa mesmo muito, encontrar palavras que transmitam a mágoa, a tristeza maior, que nos percorre, ao saber da morte do escritor. Tendo sido ele,um autor, dos mais respeitados e querido, dos leitores do JN, ficará para sempre um vazio neste jornal e um silêncio no espaço onde ele marcava presença, naquela coluna da última página, que nos levava a apressar a leitura, numa sofreguidão, como quem procura o entendimento das e para as coisas que nos cercam e quase esmagam. A sua sensibilidade, perspicácia, cultura, inteligência, constituíam um grau elevado de intervenção, que "por outras palavras" ninguém mais será capaz de ocupar. Contundente, polémico q.b, preocupado, provocador até e logo doce, de fino humor, mas uma voz escrita, uma pena livre, que ninguém dispensava, ou passava ao lado indiferente. Com o seu silêncio, o País emudece, de tanta dor, e chora. Paz à sua alma.

                                  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"O que diz Otelo"


Não, não! Não é Molero quem o diz, é o estratega da última Revolução do sec.xx, o Grande Otelo, que falou, e disse mais ou menos o seguinte; - "está latente uma Revolução, que não será com cravos nem rosas". Pressupõe-se, que tal revolução a acontecer, já meta espinhos dos grossos e afiados. A afirmação do Capitão de Abril, que regressa por esta via, às notícias do dia, será toda ela, uma provocação, uma ameaça, um simples desejo, uma tomada de consciência, um grito, um alerta, um levantar a lebre, um incentivo ao despertar, uma leitura do sentimento que vai no país a partir do desânimo e frustração generalizada que grassa, do pulsar das casernas e do que espreita pelas guaritas com sentinelas armados? Terá esta sua opinão, cabimento e eco, hoje em Portugal do sec.21, entalado numa Europa da moeda única mas tão desigual? Um Portugal que retorna e devolve os portugueses à época da fome e miséria, lhes rouba (n)a saúde, educação, trabalho, salário, e que os manda desenrascarem-se pelos quatro cantos do mundo, não merecerá, enão está a pedir uma intervenção fardada, em vez dos protestos de rua sem consequências, capaz de repor nos trilhos as promessas feitas, e nos eixos, a "comandita" que nos tem "governado" e que nos conduziram á falência? Será Otelo um tonto, incapaz de avaliar o alcance das palavras incómodas, quase guerrilheiras, que provocam a ira dos que não lhe perdoam o Abril de 74, e ainda daqueles, que agora em liberdade, vão dissertar e voltar à carga, zurzindo-o por todos os meios e feitios, sem cuidar antes de lhe agradecer a liberdade restituída, para o fazer? Não merecerá Otelo, a solidariedade de todo um Povo, que é o mesmo e igual àquele que na madrugada de à 38 anos, se juntou a ele, prenhe de esperança de viver num país melhor, mais próspero, mais fraterno, e menos injusto do que tinha sido e hoje volta a ser? Pela parte que me cabe, Otelo, não avançará sózinho. Quando começar a contar os homens e as armas, as vozes assinaladas, ter-me-à ao seu lado, carregado com a nova esperança, saída de nova vontade, que desta vez, será para valer. O resto, que se possa argumentar, é música de sacristia, e que não é ouvida por quem vive agora no inferno, para onde foi atirado, pelos diabos que tomaram o poder e o país, e o exauriram de forma criminosa.

                 

                      

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"A Selecção inquinada de hipocrisia"

 
 

Um resumo é coisa boa, e tem a vantagem de nos obrigar a dizer só o essencial. E o essencial é: Para os hipócritas-analistas, os ferverosos-nacionalistas, ridículos-opinantes sobre futebol e demais comentadores, que nunca o praticaram, a não ser no recreio escolar, ou nas redacções dos jornais, para quem uma bola pesa mais que um rebo, é urgente desmistificar, o que pretendem impor como, verdade. E a verdade é: Leonel Messi, ou só Messi para o mundo, é como o superior azeite mais dourado, que vai além do de Vila Flôr, enquanto Ronaldo é como o vinagre vazado do pior vinho a martelo, feito no Caniçal, ou na treta da federação dos interesses, e após um processo de fermentação e de insistência, levado a cabo pelos "media" e marketing, comerciais. Quando se compara teimosamente, o "ilhéu luso", com o "génio" da pampa argentina, colabora-se num crime de abuso, que só tem como resultado aumentar a desgraça. A Selecção das Quinas e o País, são bem o exemplo disso. Um País ser conhecido de Madrid à China, só pelo Eusébio e por CR7, que nunca nos trouxeram riqueza nem mínima vantagem seja em que campo for, é muito mas muito pouco, e é uma aposta ou investimento, medíocre. Assim, não se vai a lado nenhum!

                         
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Passelvas & Miguelho..."






A classe política, e em particular muitos governantes ou outros que o foram, estão sob investigação por prática de actos ilícitos, e cujos processos, que gatinham nas garras aparadas do Ministério Público, estão, como é óbvio, em segredo de justiça. O tempo, porém, diz-nos, que o segredo não é tanto assim, e a justiça nunca acontece como o desejável, porque pelo caminho da investigação, que pretende chegar à prova do ilícito comprovado, os tropeções que a PGR dá e a paralisa, são gritantes, esquisitos, e como é óbvio também, tudo acaba em águas-de-bacalhau. A matéria em causa e suspeita, esvanece-se, e o prevaricador investigado, se não for promovido, é colocado noutro pedestal, com benefícios e mordomias, acrescidos. Os amigos conluiados que formam o círculo de interesses e dominam, o país dos sacanas, fecham-se na hora do cerco e do aperto, pelas polícias e pelos "media" especializados em esclarecer negócios escuros, favores criminosos, aprovações de concursos e propostas de projectos fraudulentos, que aterram em outlets, ou levantam duma qualquer tecnoformadora ppc-mr, que lhes permita embolsar dinheiros públicos, sem que tenham algum dia, dado formação ao coveiro da autarquia, ou ao jardineiro, contínuo, porteiro, motorista, administrativo, afilhado, de modo a desempenharem função que cuidasse das condições que punham a voar um papagaio de papel que fosse, num heliporto que nunca existiu, e que não passa hoje de um aterro, verdadeiramente. “Passelvas” y “Miguelho”, os principais personagens, desta ficção a querer ser estória à medida que cresce, são dois exemplos de governantes que estão por detrás, “de golpadas sempre negadas, de procedimentos desmentidos, de contactos não realizados, de actos nunca praticados, de contratos jamais celebrados, de dinheiros nunca entregues e nunca recebidos”, neste Paraísugal para eles, e Portinferno para nós - lugares que só constam no sub-mapa europeu, mas inseridos na geografia do gamanço universal. Qualquer trapalhada, porém, acaba arquivada nas costas do povo, que sustenta os desmandos e a pouca vergonha, na gestão da coisa pública, e a corrupção que daí sempre emerge. No entanto, para que a culpa não morra solteira, convém encontrar culpados, para dar satisfação a alguns sectores dominantes e do Poder, que teimam em chamar a este País, um Estado de Direito, e os culpados são,(uma pausa enquanto se abre o envelope) – os Órgãos de Comunicação Social - que pagam por fim as favas, ameaçados como foras-de-lei, que ousam desvendar e revelar as redes ocultas neste país depravado, os negócios polémicos e suspeitos, entre amizades estranhas, que partilham percursos de vida. A coisa está preta e é companheira íntima do Passelvas. Esperemos que a partilha de tal coisa, nunca tenha sido feita com o Miguelho, mas se aconteceu, há que apurar e destapar o lençol. São unha da mesma carne – a sacanice irmana-os. A nós, acomodados, só nos resta aguentar no silêncio da lágrima e da lamúria, estar atentos às escutas que se fazem, às denúncias divulgadas, às investigações judiciais que se esvaziam no tempo, e que dão como resultado – nada! Parafraseando Jorge de Sena, “Que país é este, se não um fingimento”?

                                     

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Ai ai, uei uei..."

                                                                        Ai Weiwei


                                                                        mo yan

Ai Weiwei, está desolado porque discorda, com a atribuição feita pela Academia Sueca, do prémio maior da arte de bem escrever. Este artista e provocador plástico, parece (não) estar-se nas tintas para tal decisão, e avaliar os autores literários, no caso em apreço, não pela sua qualidade, mas tão só, pelo seu posicionamento e opção de vida social e política, que difere da dele. Para além disso, desde que está sob os holofotes dos "media" ocidentais e norte-americanos, como convém, mais na qualidade de dissidente do que de criador, que fala, fala, ao contrário do agora Nobel da Literatura, Mo Yan, que não fala - escreve. E o que é que diz Ai Weiwei, com algum azedume e severidade depreciativa? Que o agora laureado escritor, é um homem do "regime". Ou seja, a ele não importa se o autor chinês e seu compatriota, tem fôlego e estofo para o conto e o romance, se retrata o seu povo com estima e nobreza, se a ele se associa com o sentimento e a crueza de quem com ele conviveu, participou e sofreu desde muito cedo e tenra idade. A Ai WeiWei não interessa, se Mo Yan, é digno do Prémio pela sua obra, se constitui para o mundo, uma voz respeitável e de leitura recomendável, obrigatória até. Ao dissidente, a quem não cabe a escolha, felizmente, interessa-lhe mais politizar e descolorir o acto da nomeação e da galardoação, do que o reconhecimento do melhor currículo de quem chega com mérito a tão prestigiado prémio. Entre nós, já tivemos um caso semelhante, mas um dos protagonistas visado, "levantado do chão", e único Nobel da Literatura, partiu em silêncio, e o outro, ainda por aí, consta sempre da Lista soberba sediada em Estocolmo, em busca do reconhecimento sueco, num verdadeiro "fado alexandrino" e psiquiátrico, que no entanto respeitamos e apoiamos. Contudo, Mo Yan, apresenta-se de "peito grande e moral larga" para receber o cobiçado louvor. Já quem assim fala e tão mal diz ou com tal intolerância reage, comporta-se e rasteja como um "frog" em busca de um protagonismo abstracto e vazio de sentido diante da tela de frustração. Ai ai, uei uei, vai-te catar!

                       

 

sábado, 6 de outubro de 2012

O "leão" de Bratislava


Enquanto António Costa, Edil da Câmara de Lisboa, proferia um discurso sério, contundente e republicano, nas cerimónias deste 5 de Outubro, esvaziado de povo e sem futuro no calendário, e atirado para um "gueto" luxuoso de Lisboa, Pedro Coelho, com passos perdidos entre o susto e o desprezo pelo acto, deslocou-se ou ausentou-se para Bratislava, para se reunir com um grupo "indispensável", que se auto-designa, por "Amigos da Coesão". Não sabemos se a coesão é, entre eles e os seus reais interesses, ou se se trata da Coesão dos Países e dos Povos que eles acham que governam. Pelo que se sabe, não houve coesão total, pois alguns líderes máximos e até mais ricos, falharam à reunião, porque certamente tinham mais em que pensar e a importância de tal reunião não era tanta assim, e por isso a acharam "dispensável". Pedro Passos, entendeu, à revelia do bom-senso, que estar presente na Eslováquia era uma oportunidade mais, para quem quer ir a todas, dar nas vistas, e afirmar-se como líder de um país às avessas, e com intenção forte de não ser esquecido tão rápidamente, quanto o será Sá Pinto, na sua passagem pelo Sporting de Portugal. Mas enquanto o treinador do clube de Alvalade, é substituído pelo Oceano calmo, o nosso timoneiro-ministro, parte, antes de ser despedido, e de modo a evitar e enfrentar mais protestos, para terra estranha, e deixa o País entregue e a representá-lo no Pátio da Galé, aos "Amigos do Alheio". Grupo de governantes subordinados, que nos tratam como "patos da ralé", pagadores de impostos colossais, sem trabalho, ultrajados, de cabeça desorientada como bandeira ao-deus-dará. No seu regresso crítico, merecia à chegada, uma recepção á gatinho sem garras, e nunca, á leão –(como) o rei da selva.