Miguel Relvas, com a autoridade académica que se lhe reconhece e assente
em consideráveis critérios, pronunciou-se para dizer, que discordava que o Euro
esteja por um fio, e de que se tal acontecesse, o retorno à moeda própria,
territorial, nacional, seria " condenar o país ao atraso e ao
isolamento... um retrocesso inacreditável". A gente ouve, lê, e
interroga-se; - mas de que atraso e retrocesso fala ele, se já não há
rectaguarda para onde recuar? O velho reformado e mal, o novo sem emprego nem
perspectiva de o encontrar, o cinquentão desempregado e no meio da ponte, os
estudantes com continuidade em risco e com incertezas à saída para o futuro
comprometido, os professores aturdidos, as mulheres sem meios de sustento calmo
e com os filhos à perna, os empresários débeis e com as chaves na mão para
entregar ao banco e às finanças e entregarem-se aos biscates, os comerciantes
limitados que fecham as portas? Quantos passos mais podem andar para trás, se
para trás fica o mar ou a aconselhada partida para outras terras? No entanto,
este “mestre lusófono” e ministro dos assuntos do falatório, reconhece que o
país está fraco (moribundo, dizemos nós), e que sem a integração europeia,
Portugal será " demasiado fraco". Já não é mau, Mau, foi ele ter
chegado até aqui. O pior, porém, não é o que está para vir. É o que está e que
não se resolve, e se vai agravar e continuar, com ele à defesa e nós na corrida
aos anti-depressivos. Miguel Relvas, em jeito de ameaça, exibe um esquema ou
uma teoria, que lembra Netanyhu com a bomba das etapas a seguir que levam à
destruição, só para nos convencer, e a todas as cigarras e as formigas, a
pactuar com as medidas que forem tomadas. Um peditório para o qual todos os
pobres já deram, e não estão mais dispostos a dar, e por isso as praças
enchem-se de raiva e de gritos.
domingo, 30 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
"Já a formiga tem catarro"
O ministro Miguel Macedo, ministro das forças em parada, disse aí por um
desses lugares vazios, de um país que marca passo, sofre e se queixa, de que
Portugal "era um país de muitas cigarras e poucas formigas". É
provável. Mas quem são as verdadeiras cigarras e quem são as formigas, dito de
outro modo, quem são e quantos são os parasitas, e quem são os que trabalham e
carregam os sacrifícios às costas? Comecemos pela Assembleia da República, uma
lura onde se alojam despesistas bem pagos, e onde o número de deputados
"eleitos pelos partidos", depois de sacarem o voto ao povo, são
dispensáveis, e o nº dos que fazem que fazem, é demasiado. Se a estes juntarmos
as formigas, que a governação manda para o desemprego, por via das políticas
erradas, viciadas, contestadas, e que
lhes roubam o pão, temos que a ala das cigarras aumenta exponencialmente. Todas
as médias, pequenas e microempresas, que devido à forreta austeridade, encerram
diáriamente,"trabalham"para que a comunidade de cigarras cresça, e
formem um imenso coro, um batalhão de gritos, que embora desarmados, são
capazes de se mobilizarem e marcharem até s.bento, com o propósito de exigirem
a demissão dos parasitas, piores que térmitas, provocadores da situação que se
vive actualmente. E como a perspectiva política cinzenta, é de agravamento das
condições de vida destes "insectos mutantes", que agora são formigas
e amanhã são cigarras, que ora trabalham ora protestam, dependendo do nível de
eusocialidade em que se movem, o ministro MM, que de vez em quando sai do seu
"subterrâneo", vem à superfície, lembrar-nos com a sua ladaínha
estéril, de quanto está a mais nos destinos da coisa pública, e se constitui
anti-operário e anti-soldado. Um larva, autêntica.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Historiadores e Afins
"Expressa-se" por aí, uma História de Portugal, distribuída em
nove tranches ou volumes, que tem suscitado muito e vivo debate, e polémica
q.b. neste jornal ímpar - Público. Na minha situação de iletrado, leigo, e afastado da
arena desses profundos assuntos, que, parece-me, correspondem ao "período
jurássico moderno"(!), tenho seguido com a maior atenção e o máximo respeito,
tão aceso confronto, entre especialistas na Era da matéria escalpelizada. Uns,
esgrimem argumentos com que pretendem provar, que a "sua" História, é
que é boa. Outro, grita que a "dele" é a melhor e mais fiel. E colhem apoios. Quase
empatam, à direita e à esquerda. Entre os apoiantes, destacam-se uns curiosos
intrometidos, que hà muito se acham, "tudólogos", como é o caso, de
um jornalista despromovido, um sociólogo bem-retirado, um cronista periódico e
provocador, e uma Mónica sem aura nem prestígio, que não é aquela da B.D, mas
antes aquela, que nem sequer é capaz de uma boa legenda ou um "balão"
numa tira. Sobre esta personagem em especial, parece-me contudo, que há
unanimidade, em proclamá-la, malcriada - é o que ressalta de todas as
exposições publicadas, pelos autores, de barba rija na cara, e de conhecimento
científico, maior. No entanto, os tais leigos como eu, interrogam-se, afinal
por qual História se digladiam eles? Daquela que nos empobreceu, reprimiu,
encarcerou, mobilizou para a guerra e matou, atrasou, estupidificou, e que os
historiadores de Direita, usando reagentes espumosos, tentam lavar, agora nesta
edição aos bocados, ou, da História actual que nos traz pobres e aflitos, cada
vez mais, mas com direito a protestar, sem correr riscos de ir parar ao
Limoeiro, Caxias, Peniche, ou ao Tarrafal? E em que medida(nova pergunta), a
pesquisa dos assentos antigos e alguns de má memória, nos pode ajudar, a
ultrapassar com dignidade e sucesso, esta história de maldição que hoje
vivemos, e que tem como protagonistas no governo, uns líderes, que não eram
sequer nascidos no tempo do "não-fascismo" ou “fascismo-light”,
segundo os pró-ramos e anti-loffs? E será mais importante saber, quem ganha ou
perde, nesta contenda, entre estesdoutores-dos-acontecimentos-passados, ou
saber, quem está a ser derrotado no dia-a-dia pelo que acontece e faz a
História actual dos portugueses, erguida pelos falsos doutores recém-eleitos,
que nos "iluminam" e nos conduzem de novo ao "jurássico
cavernoso"? Eu, um leigo histórico, aguardo que os historiadores clássicos,
os do velho e os do novo, regime, se manifestem com o mesmo ardor, para que nós
possamos compreender, porque estamos em pior estado e com menos Estado, como
saír disto e desta condição de mexilhão, e deixem lá os afonsinhos salazarentos,
com cheiro a môfo, que pela realidade, diáriamente, são desmentidos.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
"Um homem liquidado"
A "fatwa" está lançada. Pedro Passos, não tem versículo aonde
se esconder ou usar como desculpa, pelas ofensas feitas a um povo inteiro.
Todas as explicações que venha a dar, para se limpar, ou ir de encontro às
exigências dos desavindos da actual gestão política, dando satisfação aos que
julgam, que o que falta é esclarecimento das razões (e) das medidas satãnicas,
impostas, para que o povo aceite e colabore sem levantamento nem confusão, não
o salvarão do castigo terreno, pela má governação ensaiada de fio-a-pavio, e
com efeitos irreversíveis nas condições de vida dos portugueses. Passos, é
provávelmente, um homem de Deus, que canta com os anjos e ouve acompanhado a
"nini", e acredita que tem talento, para nos conduzir ao Céu. Mas o
povo já não crê que seja um Coelho qualquer, por mais teimoso e teatral que se
mostre, que o faça mudar de opinião, e pega no seu pretenso talento e
"despeja-o com os memorandos e a troika, na latrina", porque o que
sente, é o inferno do dia-a-dia em que ele nos meteu. Bem poderá reclamar, que
não é compreendido, que não é da sua vontade, que está entalado por acordos e
compromissos com o Além, e que está obrigado a respeitá-los. O povo, porém, é
isso mesmo que exige para si, em primeiro lugar - respeito. Coisa que ele
ignorou, que lhe será fatal, e não haverá "portas" que lhe valha ou
lhe dê saída, mesmo se pelas traseiras por onde tinha entrado, nestas últimas
deslocações que fez, pelo país, posto em ruído ameaçador.
domingo, 16 de setembro de 2012
A "soldado" Patrícia
A vida está dura, os ânimos andam exaltados, e as Praças encheram-se
como nunca se viu, de manifestantes. O "incêndio" na sociedade está
ao rubro, e por isso agora, marcham juntos avós, pais e netos, que de Abril de
74 para cá se fizeram família. Aos intervenientes de ontem, e que trouxeram e
defenderam a liberdade e a paz, que ainda hoje percorre as ruas e os nossos
corações, somaram-se os filhos que filhos têm. Os gritos ecoaram como armas,
ainda só carregadas de flores no cano, com alguma raiva e muita frustração. Mas
enquanto todos desfilavam ordeiramente e com esperança, de que mudar o rumo do
mau tempo político que se vive, é possível, uma mulher jovem morria carbonizada
no meio da mata que combatia. Patrícia, assim se chamava a jovem, era bombeira,
e enquanto palavras de ordem, justas, se faziam ouvir pelas "praças a
arder em febre" pelo país adentro e fora, aquela soldado da paz era vítima
do fogo, numa luta desigual e traiçoeira. Patrícia com os seus 25 anos, também
sonhava com um país melhor, e muitas vezes sem ir à cama, ainda se “manifestava”
também, no facebook. O seu lema "vida por vida, nunca abandonamos quem
mais precisa", não morreu com ela na floresta de Casal Cimeiro, na
freguesia de Barril de Alva, que para ela foi o "barril da morte", só
para que nós, possamos dormir descansados, às mesmas horas em que o fogo
avança, porque os seus colegas vão continuar a combater as chamas assassinas,
tal como as três gerações que se manifestaram este Sábado, vão continuar a
combater as políticas nefastas dos governos, que destroiem as suas vidas com
medidas, também elas assassinas. Que a morte da Patrícia não tenha sido em vão,
neste dia memorável por más razões, e que descanse em paz, enquanto a luta
neste inferno continua, por razões melhores.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
O PIB do Pedro
Dantes, no tempo do Estado Novo, que nos envelheceu e nos manteve no passado agarrados à côdea, a doutrina política aplicada ficou conhecida por "os três efes" - fado, futebol e fátima. Agora é isso tudo mas em doses maciças, a que se juntam as telenovelas de manhã até de madrugada do dia seguinte. Como se não bastasse, veio o Pedro Passos. A táctica é outra mas o resultado é pior. Deita umas bojardas à hora do futebol na tv, chama-lhes - medidas impostas pelo estado de falência em que o país se encontra - e que lamenta de seguida no facebook, enquanto se pisga para ir ver a "nini" acompanhado da "naná". De tudo quanto vai debitando, parece que o "PIB", é o que mais o preocupa. Já a mim, incomoda-me bastante, é o "PIBete", que ele espalha quando está a armar-se em ministro às três tabelas no tabuleiro parlamentar, e a ver-nos como matraquilhos.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Os imbecis históricos
Repito. Somos
uma data de imbecis até ao tutano, e as revoluções e avanços civilizacionais, nunca
se fizeram com um povo de braços cruzados. Não é com imbecis e ingénuos, que se
muda o curso da história e altera o caminho da humanidade, em direcção a uma
maior, justificada e imperativa felicidade. Um povo que se deixa conduzir pela
mediocridade, sempre na penúria, só tem direito a constar na História da Imbecilidade,
por falta de participação no rumo prático, que o resgate da mais vil pobreza,
acomodação, do conformismo, da paralisia em que (sobre)vive há imenso
tempo. Secularmente tratados como povo menor, somos assim, por falta de coragem
interventiva, desrespeitados, ignorados por essa Europa culta, reivindicativa,
revolucionária, capaz de abater o verdugo, enforque o político mandante, que
pretenda conduzi-la ao cadafalso, num virar de página. Um povo que não se
levanta na “hora bíblica” em que é chamado a lutar, contra os déspotas,
corruptos não reconhecidos por uma juíza “demasiado almeida e pouco cândida” ou
do tipo, maria tonta, contra os exploradores da dignidade, contra os que
governam e o arrastam mansamente, levando-o à desgraça e à miséria, não merece
ser parte, de nenhuma História nobre, ser “rei do seu reino”, ou só merece ser
nomeado na história dos lacaios, dos submissos, dos ratos que se escondem no
“deixa-andar”, que se deixam esmagar como baratas que se arrastam por entre as
horas que sangram. Um povo que não sabe deitar mão, à enxada, à forquilha, à
picareta, ao ancinho, ao machado, e avançar sobre quem lhes rouba a liberdade
de ser feliz, é um povo que não presta. Assim somos. Para “merdas” não nos falta
nada. Parafraseando Torga, o autor de “Bichos” -”somos socialmente uma
colectividade de pacíficos acobardados”. “Imbecis”, já Junqueira nos tinha
chamado, e com toda a razão.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
"O canal1 do cassola2"
O negócio, da venda da
televisão pública, ao preço de "estação" em saldo, vai ainda fazer
correr muito argumento, aplicar muita lente, e trocar muita objectiva angular,
para ver longe e sem desfocar o fundo, do processo de privatização na calha do
travelling sinuoso. Este negócio, bem no centro do mediático, obriga a que seja
tratado entre parceiros do elenco familiar, que se confiem entre si, que sejam
confrades, se possível, ou amigos partidários de longa data. Se forem
compinchas nas admnistrações empresariais e de viagens, melhor. A realização do
negócio, deve ficar a cargo de uma figura de grande plano, que possua um
currículo sinistro, oriundo de loja sinistra, e percurso académico, sinistro.
Preferentemente mais sinistro, do que ministro de um qualquer governo sob
suspeita. O cenário para se iniciar a gravação do enredo, e da tomada de vistas
da trama, deve ser preparado com tempo, nas vésperas de uma qualquer
deslocação, que faça a "ponte" entre dois lugares a preto e branco -
entre portugal e áfrica, pode ser. Demitido o velho elenco, e que jeito deu, o
genérico que se apresenta e a quem se vai confiar a direcção do tal canal, que
agora se diz público, e amanhã será privado, deve ser também ele, contratado do
velho cartaz do compadrio, e da lealdade político-partidária, em jeito de
compensação, e não como reconhecimento de competências na área da imagem e
comunicação, e para o desempenho do sério papel que a acção no filme, exige, a
partir de um guião encomendado - o que por ora não se lhe reconhece, excepto,
uma passagem entre a levedura, o lúpulo, o malte e a água. Outra receita, de
outro canal, já se vê. A nós, "es(x)pectadores" e pagantes
resignados, cabe-nos tomar o lugar forçado, na cadeira indicada, esperar pelos
próximos capítulos do "mr.rabbit and relva´s beer no mercado", comer
umas pipocas e beber umas cervejas, de preferência da Sociedade Central de
Cervejas, de onde saíu o novo gestor e ex-comentador de eleições - o Alberto,
amigo do Cassola - recém indigitado para a Direcção da máquina que tenta mudar
o país. Fiquem atentos ao canal público, e já com muita publicidade, perto de
si.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A guerra da vida
Um aviso às mulheres e
aos homens que nos envolvem. A sociedade, anda sob tensão, os nervos pulsam à
flor da pele, e uma palavra mal colocada no ar, um gesto mal desenhado, uma
acusação mal construída, uma suspeita infundada ou até mesmo verdadeira,
atiradas à cara no momento inoportuno, no dia de maior amargura, no meio do
desconforto e da pressão em que se vive, que nos rói por dentro, que nos traz a
dormir mal, e sem solução à vista, que agora é o desemprego ou a falta de
dinheiro, as más condições sociais e os encargos que aumentaram, os olhares que
endureceram, o amor que esmoreceu ou se revelou frágil, o diálogo entre todos e
com filhos à mistura que padece de compreensão e solidariedade, paciência e
prudência, traz-nos a todos em pé-de-guerra. Estamos em guerra connosco e com
os outros muito sentidos e próximos quantas vezes, e por sabermo-nos desamparados
por um Estado e governos, que nos lançaram no desespero e dele tão cedo não nos
aliviam e não vão deitar a mão. No meio deste aviso, o que se nos pede, para
levarmos, a vida, para a frente, com os meios precários e que nos
surpreenderam, confusa e à beira de ataque de fúria, raiva, à mínima traição,
abandono, dificuldade, é que homens e mulheres que se rodeiam, se sentem à mesa
do entendimento, e reparem e repartam culpas, obrigações e deveres, busquem a
melhor e mais adulta solução num esforço comum, que satisfaça os quereres de
ambos, e atirem para trás das costas a violência das facas e das pistolas, e
mandar tal reacção de condição animal que as empunha, às malvas, pois o número
de mortes causadas nestes tempos adversos, inimigos, são sempre condenáveis,
ultrapassam o racional, não nos engrandece e vira-se contra nós. Para isso, já
basta a dura realidade que nos alerta, que na actualidade nos consome, erguida
e embrutecida por quem nos governa. De nada valem os argumentos e análises
académicas, sempre, dos psicólogos e psicalistas dispostos em fila a discorrer.
As razões estão decifradas no essencial - "em casa onde não há amor,
dinheiro e pão, todos ralham e ninguém tem razão". O que é preciso sempre
presente, é, muito juízinho, bom senso e pés bem assentes na terra da lealdade
e da luta em conjunto.
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