terça-feira, 19 de agosto de 2014

O Soweto dos EUA

Os E.U são um barril de pólvora com mecha ensarilhada que a torna curta. E são por esticadas e repetidas razões, cheias de variantes estendidas desde Fergunson a Washington ou desde Nova Orleães a Nova Iorque, e todas assentes em traumas históricos, sociais, racistas, descriminações a preto e branco espremidas e encolhidas entre as imensas caixas de papelão que abrigam o pé descalço sob o néon da fantasia, da precaridade e da injustiça. O saco da rebelião que milhões carregam desde os subúrbios, os bairros pobres e marginalizados, está a transbordar. Só não rebentou ainda porque o pesado Estado Policial está de armas e de olhos postos permanentemente, pois todos sabem o terreno que pisam. E é terreno minado, embora contido, por enquanto. O Poder está vigilante e actua ao mínimo sinal de inquietação, adiando a fogueira. Até um dia. Mas esse tal dia de braseiro está na forja, e a América acordará já com o pesadelo do "levantamento sowetano" nas ruas por onde a marcha e o canto incendiário se fará e alargará. A Casa Branca poderá, nesse tal dia que será sangrento, passar a chamar-se "Mausoléu da Vergonha". Escrito a negro, é claro!



Sem comentários:

Enviar um comentário