Os E.U são um barril de pólvora com mecha ensarilhada que a torna curta.
E são por esticadas e repetidas razões, cheias de variantes estendidas desde
Fergunson a Washington ou desde Nova Orleães a Nova Iorque, e todas assentes em
traumas históricos, sociais, racistas, descriminações a preto e branco
espremidas e encolhidas entre as imensas caixas de papelão que abrigam o pé
descalço sob o néon da fantasia, da precaridade e da injustiça. O saco da
rebelião que milhões carregam desde os subúrbios, os bairros pobres e
marginalizados, está a transbordar. Só não rebentou ainda porque o pesado
Estado Policial está de armas e de olhos postos permanentemente, pois todos
sabem o terreno que pisam. E é terreno minado, embora contido, por enquanto. O
Poder está vigilante e actua ao mínimo sinal de inquietação, adiando a
fogueira. Até um dia. Mas esse tal dia de braseiro está na forja, e a América
acordará já com o pesadelo do "levantamento sowetano" nas ruas por
onde a marcha e o canto incendiário se fará e alargará. A Casa Branca poderá,
nesse tal dia que será sangrento, passar a chamar-se "Mausoléu da Vergonha".
Escrito a negro, é claro!
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