As guerras não são feitas de pólvora. São gizadas por homens
carregados de egoísmos, e que financiam políticas feitas de canos de morte como
de esgotos, por onde circula ganâncias e fragâncias, jazidas de ouro e petróleo,
roubados dos corações dos esqueletos e da flor na lapela dos que sobrevivem
colados à pele das vítimas que já não podem protestar contra todos os enganos e
mentiras que arranham o céu. As guerras são fabricadas à mesa polida nos
palacetes aonde se reúnem secretos ópios e concertos que terminam em apertos de
mãos assassinas. As guerras desfraldam bandeiras multicolores, e levantam altos
muros farpados de injustiça, de venenos vários, e de muita loucura. As guerras
pintam rostos e culturas. Vestem e despem num travesti mediático para consumo
nos bairros da ignorância, e na miséria por onde o rato passeia, se esconde e
se diverte enquanto pode, ao som do rap e do reggae perseguido e em fuga para
dentro da marginalidade, sempre cada vez mais funda e mais perto das grades e da
sepultura. As guerras não são feitas de bombas. São feitas de homens que já só
se salvam por uns dias, fazendo-se explodir perdida a esperança, por entre a
multidão, que os financiou com tudo até ao último tic-tac, menos com
compreensão e solidariedade para com a sua forma de vida e pelo seu jeito de
amar. As guerras são criadas pela crueldade da gravata e do colarinho branco que
rege o mundo-cão, que não pressente a presença da dor e o odor dos cadáveres
espalhados pelo chão da podridão desta sociedade por si erguida.
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