quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Más-línguas

Dizem as línguas soltas, que Oliveira Salazar deixou um país pobre e atrasado, sem estradas que unissem o todo nacional, às escuras, mas com os cofres a luzir cheios de ouro. Agora, outras línguas de palmo e meio dizem, que vivemos em Democracia, que estamos numa época de modernidade e de amplas liberdades, de que já temos vias novas, auto-estradas, asfaltadas de euros vertiginosos e de suores sangrados, mas que ligam ao deserto e ao fracasso económico, por onde não passam trabalhadores, nem viaturas, nem sequer animais de estimação ou espécies protegidos. E se dantes Portugal, era povoado de pobres históricos e infelizes de continuação que chegavam de longe, hoje temos mais de 17,8% de desempregados, o que nos faz perder 3900 milhões de euros por ano, como repete Bagão Félix - e se não fosse ele seria o Bélix Fagão que dava no mesmo - a que se juntam todos os dias mais e mais, velhos e novos a dar com um pau. Se no tempo do Ditador de santa comba dão, o povo era analfabeto, e na falta da saúde tinha por remédio tomar dois ou três copos de tinto, e esfregava um bagaço nas pernas para as dores, hoje de pouco serve à população ser mais letrada e culta, formada e doutorada, já que a única saída para tanta competência só dá para preencher papéis de desempregado, para participar em filas para a sopa misericordiosa ou para emigrar, e até os que respiram saúde recorrem mais ao suicídio e praticam a violência doméstica com maior facilidade. Mais. Por razões de trabalho, emigrava-se, mas ganhava-se com sofrimento o pão que cá não havia, que hoje volta a falhar, e enviava-se algum para a família que ficava, com que mascaravam a fome, e ainda se depositava na banca outra parte com que se fazia a casa e educava o filho. Hoje parte este e aquele com a mesma intenção e objectivo apurado, mas na actual crise europeia e de desconfiança latente, " o operário, o académico e o erudito" emigrante, já não manda para cá nenhum euro que se veja, e não ajuda a família como outros o fizeram, o que aumenta por cá o número de pobres dependentes e interrompe os estudos de quem com eles sonhou. E se no “antigamente” se estudava à luz de lâmpadas de 25 “velas”, hoje regressamos às sombras dentro de casa, à luz da vela e ao candeeiro a petróleo. É isto, desenvolvimento? A este diabólico cenário, criado por novos políticos dirigentes, que nunca governaram coisa alguma com lucro para o país, que esvaziaram os cofres públicos e hipotecaram o ouro herdado, chama-se evolução ou trapaça? Evolução não é com certeza, pois Salazar ainda é recordado e apetecido...! – Porque será que tal “desenvolvimento”(!) no Estado Moderno, não faz apagar da memória e enterrar de vez o regime do Estado Novo? Porque será?

                                                                                                                                         

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