Dizem as línguas soltas, que Oliveira Salazar deixou um país pobre e
atrasado, sem estradas que unissem o todo nacional, às escuras, mas com os
cofres a luzir cheios de ouro. Agora, outras línguas de palmo e meio dizem, que
vivemos em Democracia, que estamos numa época de modernidade e de amplas
liberdades, de que já temos vias novas, auto-estradas, asfaltadas de euros
vertiginosos e de suores sangrados, mas que ligam ao deserto e ao fracasso
económico, por onde não passam trabalhadores, nem viaturas, nem sequer animais
de estimação ou espécies protegidos. E se dantes Portugal, era povoado de
pobres históricos e infelizes de continuação que chegavam de longe, hoje temos
mais de 17,8% de desempregados, o que nos faz perder 3900 milhões de euros por ano,
como repete Bagão Félix - e se não fosse ele seria o Bélix Fagão que dava no
mesmo - a que se juntam todos os dias mais e mais, velhos e novos a dar com um
pau. Se no tempo do Ditador de santa comba dão, o povo era analfabeto, e na
falta da saúde tinha por remédio tomar dois ou três copos de tinto, e esfregava
um bagaço nas pernas para as dores, hoje de pouco serve à população ser mais
letrada e culta, formada e doutorada, já que a única saída para tanta
competência só dá para preencher papéis de desempregado, para participar em
filas para a sopa misericordiosa ou para emigrar, e até os que respiram saúde
recorrem mais ao suicídio e praticam a violência doméstica com maior
facilidade. Mais. Por razões de trabalho, emigrava-se, mas ganhava-se com
sofrimento o pão que cá não havia, que hoje volta a falhar, e enviava-se algum
para a família que ficava, com que mascaravam a fome, e ainda se depositava na
banca outra parte com que se fazia a casa e educava o filho. Hoje parte este e
aquele com a mesma intenção e objectivo apurado, mas na actual crise europeia e
de desconfiança latente, " o operário, o académico e o erudito"
emigrante, já não manda para cá nenhum euro que se veja, e não ajuda a família
como outros o fizeram, o que aumenta por cá o número de pobres dependentes e
interrompe os estudos de quem com eles sonhou. E se no “antigamente” se
estudava à luz de lâmpadas de 25 “velas”, hoje regressamos às sombras dentro de
casa, à luz da vela e ao candeeiro a petróleo. É isto, desenvolvimento? A este
diabólico cenário, criado por novos políticos dirigentes, que nunca governaram
coisa alguma com lucro para o país, que esvaziaram os cofres públicos e
hipotecaram o ouro herdado, chama-se evolução ou trapaça? Evolução não é com
certeza, pois Salazar ainda é recordado e apetecido...! – Porque será que tal
“desenvolvimento”(!) no Estado Moderno, não faz apagar da memória e enterrar de
vez o regime do Estado Novo? Porque será?
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