O poeta escondido, Herberto Helder, "tem dois tipos de
leitores". De modo diferente do que diz o "ípsilon", também eu o
afirmo. Há os que conseguem aceder ao livro mal ele é editado, uma elite, os da
proximidade e íntimos, e os que anseiam poder obtê-lo, os anónimos, se ele
chegasse a estar à venda durante tempo e território suficiente. Até só para ver
a capa que fosse. Sendo assim, esta impossibilidade criada de chegar à obra
herbertiana, torna-o quase nulo para a maioria. A "faca que corta" o
número de livros postos à venda no mercado, funciona como o "fogo" de
uma santa inquisição ou capelinha privilegiada, e as exigências, quer do autor
quer da editora, que destinam as obras mal estão prontas, para os amigos, são
irritantes. A indisponibilidade pré-determinada(!) por ambos intervenientes,
torna o poeta proibido, mais afastado do povo que circula por estas leituras e
que esbarram repetidamente contra este duplo H, com que as assinam e assassinam
logo à nascença, e retiram ao "homem" o direito a um 3º H maior, e
ainda o retratam antipático, no mínimo, embora estejamos conscientes do que são
opções ou critérios das partes que limitam. Concluímos nós há muito, que todos
os livros de H H "são finais, porque não chegam a ninguém, mesmo que
venham outros". Esta atitude não o torna numa raridade, no sentido
artístico, mas antes num ignorado, pior que incógnito.
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