quinta-feira, 6 de junho de 2013

Luto permanente

Quase todos os dias, são encontrados dentro de suas casas, mortos e a cheirar a podre, portugueses ou outras almas tristes, que escolheram mal ou bem, este país para trabalhar e ser, enquanto existência humana. Não é difícil descobrirem-se em cada dia que passa, tais e mais homens e mulheres, com laços familiares mal atados, precários uns, ostracizados outros, mas sobretudo esquecidos por todos, e que são notícia igual por razões idênticas - Lamentáveis, dói de saber e pior de ver. O número de portugueses "botados" ao desprezo e ao abandono sobe desmesuradamente, e por entre os milhões que somos nós, agonizam muitos, fechados no silêncio da falência sem precedentes. As medidas preventivas, securitárias, de solidariedade social, tomadas pelos organismos estatais e ainda pelas forças esmorecidas da segurança pública e republicanas, revelam-se no quotidiano, um fracasso gritante e com a habitual demagogia que a propaganda ergue e a história regista. O exercício falhado de bater à porta suspeita,da miséria escondida, da dor interiorizada, disfarçada, de facto, está-se a tornar um drama alargado, uma notícia repetida e vergonhosa quanto tem de horror. Este país, não é cada vez mais, nem para velhos nem para ninguém. Revela-se útil, apenas para a canalha oportunista, calculista, que se move nos meandros do poder político e da finança, sempre prontos a recolher os despojos dos perdedores, e na esperança de rendibilizar os restos que ficam, deixados pelos que partem destroçados, desta guerra, para onde somos atirados. Qualquer troféu na actual conjuntura mesmo herdado do defunto é bom, desde que dê lucro!


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