Quase todos os dias, são encontrados dentro de suas casas, mortos e a
cheirar a podre, portugueses ou outras almas tristes, que escolheram mal ou
bem, este país para trabalhar e ser, enquanto existência humana. Não é difícil
descobrirem-se em cada dia que passa, tais e mais homens e mulheres, com laços
familiares mal atados, precários uns, ostracizados outros, mas sobretudo
esquecidos por todos, e que são notícia igual por razões idênticas - Lamentáveis,
dói de saber e pior de ver. O número de portugueses "botados" ao desprezo e ao
abandono sobe desmesuradamente, e por entre os milhões que somos nós, agonizam
muitos, fechados no silêncio da falência sem precedentes. As medidas
preventivas, securitárias, de solidariedade social, tomadas pelos organismos
estatais e ainda pelas forças esmorecidas da segurança pública e republicanas,
revelam-se no quotidiano, um fracasso gritante e com a habitual demagogia que a
propaganda ergue e a história regista. O exercício falhado de bater à porta
suspeita,da miséria escondida, da dor interiorizada, disfarçada, de facto,
está-se a tornar um drama alargado, uma notícia repetida e vergonhosa quanto
tem de horror. Este país, não é cada vez mais, nem para velhos nem para
ninguém. Revela-se útil, apenas para a canalha oportunista, calculista, que se
move nos meandros do poder político e da finança, sempre prontos a recolher os
despojos dos perdedores, e na esperança de rendibilizar os restos que ficam,
deixados pelos que partem destroçados, desta guerra, para onde somos atirados.
Qualquer troféu na actual conjuntura mesmo herdado do defunto é bom, desde que
dê lucro!
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