Há uma revolução em marcha, mas ao que parece, poucos ou ninguém lhe
está a dar a devida importância. Como não se vêem as metralhadoras G-3
empunhadas e a riscar no ar, e não há tanques pelas ruas, saídos dos quartéis,
há contudo, uma canção que volta, saída da casa e da boca de cada um e que a
solta como arma, nos alerta como um grito, e nos mobiliza. Em Portugal, que não
está só nem orgulhoso, vive-se agora num estado de permanente conflito, de
pré-derrocada geral, e o povo move-se e pragueja por todo o lado, e à frente
dos governantes, por onde quer que eles apareçam. Tal como os rios, as
revoluções começam na gota de água, e por vezes transbordam, são indomáveis, e
dão lugar a medidas repressivas, ensaiadas nas mentes perversas dos que não se
dão bem com a democracia, e as manifestações populares, e que a partir duma
vontade recalcada que vem de Abril, ordenam o avanço das polícias de viseira e
capacete, que não são cravos nem rosas, própriamente, para as conter. O hino
nacional que nos liberta, no tempo actual, chama-se, Grândola Vila Morena. Uma
canção de dor sem lágrimas, que apela à fraternidade e ao direito à felicidade.
Quem está no poder, que se cuide, arrepie caminho, pois esta arma que baila na
boca do povo, irá persegui-los, até que a paz social, laboral, na saúde,
educação, regresse à casa de cada um, tal com o rio que se quer dentro das suas
margens. Antes e depois do adeus.
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