O homem comum, aquele que procura no dia-adia, uma resposta para a sua
frustração, como quem procura alimento no caixote dos desperdícios, para
sossegar o corpo e a alma, e pousar a cabeça no travesseiro, menos enganado,
interroga-se por que razão só agora é que a magistrada Cândida Almeida
"vai a despacho", com pré-aviso, se ao fim de mais de uma dezena de
anos, fartou-se de procurar ser protagonista na área, que requer maior sigilo,
discricção, e pouca conversa? Achei sempre que essa personagem, vá-se lá saber
porquê, uma vez que sou um néscio na matéria delicada e de élite, como é a área
da Justiça, que a digníssima mulher, comportava-se, mais como, almeida do que
como cândida, quando lhe apontavam um microfone áqueles lábios de Betty Boop.
Vi sempre nela, uma tagarela, que falava pelos cotovêlos, e num misto de
ingenuidade e de leviandade, teatral. Sobre ela, repartem-se as opiniões. Uns,
que é uma mulher corajosa, por este ou aquele processo que enfrentou, ou deixou
prescrever. Outros, que proferia baboseiras, tais como - "em portugal não
há corrupção, nem políticos corruptos". Quer-me parecer, que nunca foi
isenta, e que, com as costas guardadas pelo seu superior, que também ele durou
tempo a mais no cargo, protegeu um ou outro membro do governo anterior. Joana
Marques Vidal, esta sim, parece-me uma Juíza com coragem e seriedade, que já
deu sinal, e já (lhe) comunicou, que não haverá recondução no cargo, da
Magistrada, que manifestava falta de visão, não sem antes a submeter a um
inquérito disciplinar. Esta relação estreita entre a Magistrada que está de
saída, e o anterior Procurador- Geral, tem similitude, com aquela que há, entre
Passos Coelho e Miguel Relvas. O que é que unia aquele par, e que ninguém ainda
sabe, e o que é que mantém unidos os actuais dois governantes, que ninguém os
desata? Será que há uma estória de "swing" pelo poder, por detrás
disto, ou uma simples caminhada académica, suspeita, de ganância teimosa, que
legitima a dúvida do homem comum, que procura no caixote da vida incerta, maior
justiça e pão para os seus, ou apenas modo de recuperar o que lhe foi roubado, e
o atirou para debaixo da ponte, e que vê nestes governantes da coisa pública,
os culpados pelo descalabro do país e do empobrecimento do povo? Quem me dera
saber, para pousar a cabeça no travesseiro, menos enganado.
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