Aproximei-me do balcão do pavilhão da editora Campo das Letras, e olhei demoradamente os livros expostos e alinhados. Peguei num, poisei, abri outro, voltei a poisar e a pegar, até que me decidi por "aquele". O preço não devia ter assustado, já que consegui pagá-lo, e o desconto ajudou. Nada sabia do seu autor, desconhecido para mim, e por isso a minha curiosidade cresceu - "quem é este gajo, com um nome destes"? – perguntei à rapariga que estava do lado de dentro a atender. " Quem é este hugo mãe com minúsculas, de quem nunca ouvi falar"? Ela respondeu com o cansaço do fim da tarde; - "ele anda por aí. Ainda hà pouco estava aqui. Olhe é aquele que ali está"! Virei o olhar na direcção indicada, estendi a vista por cima dos livros vizinhos dos pavilhões geminados, e dei uns passos tímidos até "ele", que aparentava estar meio perdido entre as tendas;- " desculpe.Você é que é o valter hugo mãe"? Olhou para dentro de mim, deu um jeito à cabeça a fazer que confirmava o que via - " desculpe lá, mas é que eu nunca ouvi falar de si, e agora que comprei este livro, gostava que o autografasse". Olhou de novo, com aquele ar de quem se interroga,- "mas quem é este patego, que chega aqui de rompante e dispara como inquisidor,- "você é que é o valter hugo mãe, autor deste livro?- e que não satisfeito, acrescenta, que não me conhece de lado nenhum"? Dado o autógrafo com alguma relutância mas sem vaidade, pareceu-me, e recebido com satisfação por mim, rematei; - "agora que já o conheço, vou lê-lo, e logo saberei o que fazer dele e de si"! Ainda hoje , e passados alguns anos desde aquele dia na Feira do Livro de 2000 no Palácio de Cristal, ainda o conservo junto dos outros, como se fosse um troféu. Hoje e decorrido o tempo vivido, verifico, que o autor de "A Máquina de Fazer Espanhóis", provou com talento e génio, que é "uma máquina de fazer leitores", cada vez mais, e por isso os prémios sucedem-se e são merecidos. Foi assim que o conheci, e "ele" se me revelou. Os meus filhos seguem-no, enquanto "ele" já não se pode “esconder mais, na cor amarga do fim da tarde", dos dias que seguem por cá.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A minha 1ª vez com valter hugo mãe
Aproximei-me do balcão do pavilhão da editora Campo das Letras, e olhei demoradamente os livros expostos e alinhados. Peguei num, poisei, abri outro, voltei a poisar e a pegar, até que me decidi por "aquele". O preço não devia ter assustado, já que consegui pagá-lo, e o desconto ajudou. Nada sabia do seu autor, desconhecido para mim, e por isso a minha curiosidade cresceu - "quem é este gajo, com um nome destes"? – perguntei à rapariga que estava do lado de dentro a atender. " Quem é este hugo mãe com minúsculas, de quem nunca ouvi falar"? Ela respondeu com o cansaço do fim da tarde; - "ele anda por aí. Ainda hà pouco estava aqui. Olhe é aquele que ali está"! Virei o olhar na direcção indicada, estendi a vista por cima dos livros vizinhos dos pavilhões geminados, e dei uns passos tímidos até "ele", que aparentava estar meio perdido entre as tendas;- " desculpe.Você é que é o valter hugo mãe"? Olhou para dentro de mim, deu um jeito à cabeça a fazer que confirmava o que via - " desculpe lá, mas é que eu nunca ouvi falar de si, e agora que comprei este livro, gostava que o autografasse". Olhou de novo, com aquele ar de quem se interroga,- "mas quem é este patego, que chega aqui de rompante e dispara como inquisidor,- "você é que é o valter hugo mãe, autor deste livro?- e que não satisfeito, acrescenta, que não me conhece de lado nenhum"? Dado o autógrafo com alguma relutância mas sem vaidade, pareceu-me, e recebido com satisfação por mim, rematei; - "agora que já o conheço, vou lê-lo, e logo saberei o que fazer dele e de si"! Ainda hoje , e passados alguns anos desde aquele dia na Feira do Livro de 2000 no Palácio de Cristal, ainda o conservo junto dos outros, como se fosse um troféu. Hoje e decorrido o tempo vivido, verifico, que o autor de "A Máquina de Fazer Espanhóis", provou com talento e génio, que é "uma máquina de fazer leitores", cada vez mais, e por isso os prémios sucedem-se e são merecidos. Foi assim que o conheci, e "ele" se me revelou. Os meus filhos seguem-no, enquanto "ele" já não se pode “esconder mais, na cor amarga do fim da tarde", dos dias que seguem por cá.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
"Imprensa e liberdades em Portugal"
Diz um jornal, o "Público", que Luís Fazenda e Pacheco
Pereira, foram convidados por outro jornal, este de Angola, a visitar a sua
Redacção, para perceberem como se faz ali, um espaço de criação e de
"liberdade como poucos existem". Estes dois escribas, que se insurgem
a partir da notícia de outro jornal, o semanário Expresso, numa espécie de,
diz-se diz-se, ou como quem mete a foice em seara alheia armados em
especialistas da má língua, tricotam, palavra a palavra coladas umas às outras,
até que dali saia um têxto estruturado, que resvala para a ofensa. Estes dois,
um "opinion maker" e dissidente, de direita, e que já foi
esquerdista, e outro, parlamentar e político do quadrante de choque, arvoram-se
como críticos de uma comunicação social, que lhes é estranha, longínqua,
debitam à distância, comentários, que assentam no que ouvem ou lêem na nossa(!)
imprensa suspeita, hoje muito dependente e hipotecada "aos poderes",
com raras excepções, descaradamente no espaço que lhes concedem, tecem críticas
ao editorial do jornal africano, e como diz o seu director, "são prova da
hipersensibilidade que atravessa hoje as elites portuguesas e mostram que hà
muita gente desactualizada em relação à nova realidade angolana", quando
numa banca lusa, perto deles, se encontram jornais, cujos editoriais estão hà muito
sob vigilância, dos leitores pelo menos, sem que tenham reagido. Agora, só nos
resta verificar da coragem deles, em aceitar o convite ou desafio sensato, que
lhes foi lançado pelo Jornal de Angola, e pelo seu director, José Ribeiro, em
bom português, ou se eles não passam de dois bem falantes com discursos da
treta. Aguardemos que eles tragam a verdade.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O Presidente"operário"
O direito à greve que assiste aos trabalhadores, devia estar consagrado na Constituição da República, mas apenas e só para inglês-ver, e nunca como arma legal de luta extrema, contra a prepotência e as injustiças cometidas pelos poderes. As declarações irónicas e patéticas do Presidente da República, de não ter aderido à greve nacional, porque preferiu "trabalhar" e encontrar-se com o seu homólogo da Colômbia, no seu sofá fofo, diz-nos bastante, do nível elevado que tem o "nosso presidente" e do volume de suor, que da sua abnegada testa, pingou, durante a conversa mantida nesse "latino" encontro. Tal esforço só encontra paralelo, com o despendido por ocasião da venda das acções, dele e da filha, após aviso divino e atempado, que detinham no banco-de-todos-os-problemas, o BPN, gerido então pelo seu amigo e ex-secretário, Oliveira e Costa, o José, dos assuntos fiscais. Cavaco, assim como o actual primeiro-ministro, repetem que respeitam, como bons democratas, o "polémico e intragável" Direito Constituicional, mas deixam, mais denunciado que entre-linhas, de que se pudessem retirá-lo da Carta Magna, e acabar até, com tal disposição constituicional, onde só vêem entraves, seria o ideal. A Constituição da República, que nunca é respeitada, mesmo se jurada cumprir e fazer cumprir, tem sido para estes governantes, uma má digestão, a mãe de todos os males, atrasos, e das dívidas colossais que entalam a nação e os portugueses. Mas é esta mesma Constituição, que contém o fundamental direito dos trabalhadores, à greve, e que Cavaco agora ridicularizou, que permite encher os bolsos aos que a atacam e engordar as contas dos seus mais chegados, e colaboradores, mesmo de forma ilícita. Talvez, um dia, a "maldita Constituição" possa ser revista e melhorada, e passar a consagrar também, o direito dos trabalhadores portugueses puderem condená-los a trabalhos forçados e perpétuos, com uma corda por perto e com as esfínges leoninas a assistir... sem rugirem.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
A feira/festa de s.martinho
A feira de s.Martinho, que se estende pelas ruas da cidade de Penafiel,
entre os dias 10 e 20 deste mês "acastanhado", para incómodo dos seus
habitantes, e para gozo de outros, não serve só interesses poéticos e brejeiros
num qualquer concurso de quadras, que rimam invariávelmente, com vinho. Arrasta
consigo, sobretudo, durante esta quinzena, a balbúrdia, instala a confusão, e o
desrespeito pelos residentes, que nesta maré, são abandonados, esquecidos,
desprezados pela autarquia e até pelas forças da ordem. O caos provocado pela
massa de gente que se desloca a este evento anual, em euforia festiva, e pior ainda,
pelo estacionamento à balda das suas viaturas de todos os volumes, sem que
alguém fiscalize ou discipline, faz com que os moradores acabem impedidos ou
sejam sequestrados nas suas casas, pois não se podem deslocar em transporte
próprio, para as suas tarefas quotidianas ou numa qualquer urgência, uma vez
que os acessos de entrada ou saída das suas casas, estão-lhes barrados pelos
carros forasteiros, impedindo-os assim de abrirem os portões da garagem onde
moram, de nada valendo proceder a queixa junto das autoridades locais, quando
solicitadas a intervir, que não podem fazer nada, justificando-se que estão
requisitadas para prestar outra função, ou nem sequer atendem, como é o caso da
polícia municipal. Chamar a esta confusão, "festa", vai lá vai! Eu chamo-lhe
bebedeira.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
e ao 12º dia D.José, diz...
Talvez lembrando-se, de que quem mais contribui para a caixa das esmolas
da igreja, sejam os pobres que enchem o Templo do Senhor, no silêncio, no credo
e em recolhimento, D. José Policarpo, sob a protecção da Virgem, em Fátima,
falou e disse, que afinal os manifestantes têm razão de existir, e quando saiem
às ruas a protestar, por pão menos amargo, trabalho e Vida mais suave, são por
ele hoje compreendidos e respeitados. Seria bom saber, se o Cardeal-patriarca
da secular religião que une ainda muitos fiéis, exprimiu-se em nome da Igreja,
como chefe D.José Policarpo, ou se como homem e banal, José. Sabemos, de acordo
com as "orações" e outros comentários, que os jornais registam, que o
cardeal gosta de mandar umas bocas, entre fumaradas, sobre o estado da nação e
a tormenta por que passa o povo, sempre no dia 12. Tamanha atracção por este
número, só pode ser uma aparição da santa trupe que se sentou à mesa, onde não
faltou o pão nem o vinho, (milagre, que hoje falta em muitas casas) e que ficou
para a história como, a Ceia dos Apóstolos, que eram doze. O bispo, neste seu
"actualizado sermão", espreita a possibilidade de ver na crise uma
oportunidade para aumentar a clientela e filiação, para evangelizar, sendo
talvez, esta a fórmula intencional, que encontra para mitigar a fome aos mais
desfavorecidos que estão a sofrer e a penar, mas ao mesmo tempo, a quererem
"governar a partir da rua" quando a ela saiem a protestar, e que já
mereceu da sua parte, reprovação. Que raio de luz iluminou agora o "cata-vento que
encima a torre da nossa igreja"?
domingo, 4 de novembro de 2012
"Deng-Xoão - o moscardo"
A ilha da Madeira, está assolada pela picada de um mosquito do egipto,
que não sendo faraónico, tem incomodado muita gente. Mas a ilha, há muito que
se coça por causa da liderança de um "moscardo", este sim, um faraó,
que impunha(!) respeito e medo, cá e além-mar. De acordo com os resultados das
eleições no PSD/Madeira, o grande lider, Alberto João Jardim, mais uma vez ganhou-as,
mas não uma vez mais com a folga asiática, a que nos tinha habituado. Desta
vez, a vitória soube a fel, tem rédea curta, não permite perna longa, língua
tão afiada, nem a arrogância histórica. Se o dengue, provoca uma febre amarela,
a provocada por "Deng-Xoão Xardim" vai continuar a ser laranja, mas
menos acentuada. Mas não se crê, que o homem se dê por vencido, e vendo-se com
o mal na garganta, não reaja, picando tudo e todos à sua volta. As asas de
"Deng Xoão", não são tão transparentes quanto as do insecto
verdadeiro, procurado e combatido. Ele vai continuar a batê-las por lá, o mais
que puder, para que se oiçam cá e se faça sentir a ventania reivindicativa que
elas levantam. O “grande e querido líder” da pequena ilha, não dará o braço a
torcer. Mesmo sentindo a chegada da hora do despejo, e durante o período que
dura em estertor, vai desenvolver as garras e aplicar as maiores picadas nos
adversários que ousaram desafiar a sua velha autoridade, como mau perdedor e
numa espécie de fuga em frente. Os comentários jocosos, feitos logo a seguir á
divulgação dos votos, e encostado contra a percentajem que lhe deu uma vitória
de pirro, são disso o melhor prenúncio. As mazelas que ele abriu e que agora
diz querer sarar, é tudo fogo de artifício, que até à passagem do ano na ilha,
irá atingir o seu auge. O homem duro esmoreceu, o semblante fechou-se, mas a
picada está garantida. Não podemos ignorar o repelente aconselhado, e
eliminá-lo de vez, a fim de evitar males maiores. O voto é a arma.
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