sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Subsídios à pala

- Os polícias andam sempre a protestar, e até têm por lá alguns ajudantes já reformados, que se apresentam ao "serviço", só para encher as manifes na "praça do bastão". O que eles reivindicam é sempre o mesmo, embora tal item, só apareça no fim da lista para iludirem a populaça. O que eles querem mesmo e batem as botas cardadas, é dinheiro. O dinheirinho é que dá e aumenta a segurança. Começam a pedir algemas, coletes, botas, viaturas que acelerem, quartéis perfumados sem cheiro a catinga, horários de funcionários públicos, etc. Mas no fim, sempre no fim, lá vem a reivindicação-mor, para o sargento e para o cabo da esquadra - os cifrões no fim do mês, para fazer com que eles nos guardem melhor, e a segurança corra bem, apoiada pela carteira mais recheada, e para que o risco da função diminua ou até seja dispensada da formatura. Já não importa muito se as paredes do quartel estão em ruínas, ou se a farda apresenta sinais de desgaste por tanto se coçarem por onde patrulham, às escondidas, já que ninguém os vê, quando são precisos e chamados a tempo. Eles sabem que este estado de coisas se resolve com mais dinheiro. Reclamam que estão sob riscos no exercício que escolheram voluntariamente, e que dele, apesar de ser tão mal pago, não largam, não emigram nem trocam de ofício. Qualquer trabalhador-operário, que se sente injustiçado e mal remunerado, e são milhões, põe-se a andar do país para fora, e refaz a vida noutro lugar longe de tudo e de todos. Mas os polícias acomodam-se e sacrificam-se pelo povo com o salário que "mal dá para o pão com toucinho". Querem mais e melhores condições de trabalho. Basta dar-lhes mais dinheiro, através, pode ser de subsídios vários, e calam-se logo. Porém ainda há Organizações, Parlamentos, etc. que travam estes desvarios, desmandos, regabofes, e chumbam a atribuição de tal subsídio tão ruidosamente exigido repetidamente pelos polícias mais activos e profissionais nestas reclamações. Pelos sempre os mesmos, pelas mesmas causas. Decisão que foi logo criticada e reprovada pelos tais que enchem praças de protesto, mobilizadas e preenchidas por reformados e ex-sindicalistas, que se juntam à Associação Sindical dos Profissionais do ramo, para fazerem número, e tentarem fazer valer a soma reivindicativa. Eles não pedem mais formação e educação para saberem tratar com as Cláudias que levam nos queixos por dá cá aquela palha, nem pelas famílias com velhos e crianças que vêm os pais a levarem porrada depois de um jogo de futebol e já longe do estádio, sem que nada lhes aconteça. Ou melhor. Acontece serem promovidos até. O risco deles não se compara ao do camponês que é esmagado pelo tractor amiúde, ou por derrocada do terreno, enquanto trata da horta. Este sim. Este é que merecia subsídio de risco, por andar a tentar fazer crescer o pão, que lhes chega à mesa e os alimenta, e desse trabalho perigoso, não recebe reconhecimento nem tostão. Morre como um cão. Aquele fiel, que normalmente o acompanha e ladra quando ele regressa são e salvo ao fim de um dia de lavoura ou de limpeza da mata, para dar cumprimento à Lei. Coisa que os polícias se esquecem de vez em quando, e regressam a casa num bom carro, ainda a brilhar, como os galões pelos quais puxam na hora de mostrar autoritarismo!*

-*(DN.Mdrª-10.02)
- (Dtk.-10.02)

                                                  

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