Elas
apresentaram-se todas de preto. Chegaram com aspecto vencedor, e coragem para
brilharem naquela noite de Gala. Vinham vestidas com traje, que lhes assentava
à medida. Talvez a cor quisesse esconder o dia em que elas se despiram diante
do Weinstein, para obterem um papel na fita que o gordo produzia. Estiveram em
silêncio até agora, mas entretanto beneficiaram do favorzinho arranjado a troco
do ensaio no apartamento de luxo, que servia de prova e de entrevista para
apreciar o talento a quente e a nu sem grande cerimónia. Na sala, que não era
oval, discursaram com a boca e com o prémio na mão pecadora. Armadas de
inocência ameaçadora passados tantos anos, como se não se tivessem permitido
ceder aos avanços do Produtor de histórias para projectar no ecrã e
projectá-las a elas na fama. Arrebatadoras e cheias de glamour, os vestidos
remetiam-nos para o dia em que os despiram. Talvez nesse dia a cor não fosse o
preto. Talvez a Oprah Winfrey, mulher experiente em abusos desde cedo, nos
conte tudo mais certinho, num próximo discurso, e numa outra noite de entrega
dos Globos de Ouro. Com estas ou outras arrependidas, agora que já não têm
vinte aninhos, idade e corpinho em que se entregaram e se calaram para atingir
o sucesso e o dinheiro. O folclore, desta vez vestiu-se de negro, mas
terminou em beleza. Me too!
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