sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Fora com "eles"

A páginas tantas publicam os jornais, de que o "Governo quer reduzir acidentes de trabalho". Tal desejo denuncia uma preocupação e uma tomada de consciência por parte de quem se espera resolva um tal flagelo que empobrece o país e fere muitos corações de sangue. A "estratégia" está em marcha e repetida há muito, e já recomendou aos candidatos a trabalhadores que exibam em mão o passaporte ou o cartão de cidadão em dia. Desde que o actual Governo se esforça por aplicar a ordem de debandada do pessoal desempregado ou mandou destroçar das paradas dos Centros de Emprego os que por cá não encontram trabalho, lhes colocou uma mochila às costas, lhes apontou o caminho da emigração como destino, que as hipóteses de acontecerem acidentes laborais diminuíram. A razão, está bom de ver, e é simples. Os que podem sofrer os acidentes de trabalho no seu território estão dispensados porque não o têm e circulam por aí sãozinhos e rijos como pêros. Os demais que podiam sofrer os acidentes cá, partiram, à procura de melhor vida pelo exercício de uma profissão, e só estão sujeitos agora a tais acidentes nos países que os acolheram e lhes garante o pão, dando-lhes as ferramentas certas que o Governo de cá lhes negou anos a fio. Mas algo mais, de positivo, tem tal medida. É que os que partem à procura de presente e de futuro além fronteiras, para além de deixarem de ser um encargo, também diminuíram as hipóteses de sofrerem qualquer acidente, pois nos países aonde encontram trabalho as condições de segurança e de higiene obedecem a maior rigor e obrigam ao respeito das condições lavradas na legislação laboral que é imposta às Entidades Empregadoras nessas nações de acolhimento. Assim o nosso Governo com assento em Lisboa, pode descansar e continuar a dormir na forma, porquanto resolve por "levas", o problema da taxa do Desemprego Nacional, e ainda garante que os seus cidadãos que partem e deixam terra, família e amigos e levam as lágrimas com eles nos olhos e na mochila reforçada, virão um dia, ricos ou não, vivinhos da silva e com saúde mais cuidada. Chegados cá, encontrarão talvez as suas poupanças, entretanto enviadas, num banco ainda novo ou a cheirar a velho ou a cair de podre. Após tal aventura,terão ainda tempo para fazerem cartazes e ir para a rua a desfazerem-se em agradecimentos aos donos disto tudo.

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