A páginas tantas publicam os jornais, de que o "Governo quer
reduzir acidentes de trabalho". Tal desejo denuncia uma preocupação e uma
tomada de consciência por parte de quem se espera resolva um tal flagelo que
empobrece o país e fere muitos corações de sangue. A "estratégia"
está em marcha e repetida há muito, e já recomendou aos candidatos a
trabalhadores que exibam em mão o passaporte ou o cartão de cidadão em dia.
Desde que o actual Governo se esforça por aplicar a ordem de debandada do
pessoal desempregado ou mandou destroçar das paradas dos Centros de Emprego os
que por cá não encontram trabalho, lhes colocou uma mochila às costas, lhes
apontou o caminho da emigração como destino, que as hipóteses de acontecerem
acidentes laborais diminuíram. A razão, está bom de ver, e é simples. Os que
podem sofrer os acidentes de trabalho no seu território estão dispensados
porque não o têm e circulam por aí sãozinhos e rijos como pêros. Os demais que
podiam sofrer os acidentes cá, partiram, à procura de melhor vida pelo
exercício de uma profissão, e só estão sujeitos agora a tais acidentes nos
países que os acolheram e lhes garante o pão, dando-lhes as ferramentas certas
que o Governo de cá lhes negou anos a fio. Mas algo mais, de positivo, tem tal
medida. É que os que partem à procura de presente e de futuro além fronteiras,
para além de deixarem de ser um encargo, também diminuíram as hipóteses de
sofrerem qualquer acidente, pois nos países aonde encontram trabalho as
condições de segurança e de higiene obedecem a maior rigor e obrigam ao
respeito das condições lavradas na legislação laboral que é imposta às
Entidades Empregadoras nessas nações de acolhimento. Assim o nosso Governo com
assento em Lisboa, pode descansar e continuar a dormir na forma, porquanto
resolve por "levas", o problema da taxa do Desemprego Nacional, e
ainda garante que os seus cidadãos que partem e deixam terra, família e amigos
e levam as lágrimas com eles nos olhos e na mochila reforçada, virão um dia,
ricos ou não, vivinhos da silva e com saúde mais cuidada. Chegados cá,
encontrarão talvez as suas poupanças, entretanto enviadas, num banco ainda novo
ou a cheirar a velho ou a cair de podre. Após tal aventura,terão ainda tempo
para fazerem cartazes e ir para a rua a desfazerem-se em agradecimentos aos
donos disto tudo.
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