Enquanto o cão ladra as mortes acontecem. E o cão não ladra só e já vem
ladrando e incomodando faz tempo de sobra. Os avisos velhos dos perturbados
idosos pelos latidos das bestas melhoradas para fazerem guarda e companhia, por
quem não quer ser visto nem achado, de nada valem e não ecoam junto das
autoridades por mais repetidas que se registem nos postos policiais. Às bestas
cruzadas juntam-se os defensores de tais feras. O cão não ladra só, mesmo que
faça sofrer quem tenha que o aturar. A ele e à matilha que o protege e faz
coro, querendo impor-nos que aquela "uivação" é música de igreja para
o nosso bem estar, e que tornam os dias e as noites mais descansadas e com
maior conforto. Porém todo esse desconcerto desafinado, faz chegar o dia e a
hora do estoiro, em que os ouvidos que ligam a paciência ao coração já não aguentam
mais nota estridente, e corre-se a buscar a caçadeira, e é ali mesmo , naquele
lugar pesado de coleiras apertadas e de tensões presas que se fazem ouvir os
disparos que descarregam toda a raiva e a violência acumulada quanto escusada,
e a teimosia vizinha do desentendimento colhe o cheiro da morte que a pólvora
deixou no ar, vazio de respeito até então entre o dono da besta e o homem
desesperado. A razão perdeu-se mais uma vez, na casota que a sociedade rafeira
e onde a Lei uiva e anda a erguer, e que só nos sufoca com mais ou menos
queixas, lamentos, lágrimas e ganidos, e arrogâncias evitáveis.
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