terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pôr os acentos nos és


O FCP recebeu e bateu o SLB. Dito de maneira citadina - o Porto bateu por 1-0 o Lisboa. Tal feito foi festejado como se metade do campeonato estivesse já ganho, e este tipo de manifestação, é típico entre os clubes que logo que ganhem ao SLB já se realizaram. Ou seja, para eles o seu campeonato está conseguido. Alguns clubes rejubilam de tal modo que nem que desçam de escalão entendem que a sua prioridade será sempre alcançar a vitória sobre o clube maior de Portugal. Veja-se o que a imprensa teceu logo a seguir ao desafio que opôs dragões e águias e a elevação ao altar do atleta que levou a equipa azul e branca ao triunfo. André André, assim se chama o filho do pai, também este ex-atleta e ex-técnico adjunto do clube que hoje serve de pedestal ao badalado rapaz. A imprensa não fez outra coisa senão puxar para título e assunto principal o feito pela marcação do único golo nos minutos finais do encontro entre tripeiros e alfacinhas. Toda a semana correram na aldeia do nosso futebol, entrevistas, reportagens, biografias, poster´s, estórias de família e origens para a história. Uma semana durou o folhetim. Até ao jogo seguinte. Como tudo, todas as estórias têm um fim ou pelo menos um abrandamento. No caso chegou um travão, logo no jogo com o Moreirense. Após este jogo, o André André não foi ouvido nem achado, e parece ter caído no anonimato, foi esquecido. A exibição do pimpolho do velho André não foi matéria de relevo, nem foi chamado às primeiras páginas dos jornais e as câmaras das TV´s não abriram as objectivas que fazem e desfazem um personagem. Que a elevam e a deitam por terra no take seguinte. Admirável contudo foi o esquecimento que eclipsou por completo, os jogadores que fizeram os golos ao FCP que perdeu dois pontos para o SLB em Moreira de Cónegos, e que provocou o aparecimento de todas as críticas duras ao técnico e aos atletas azuis e brancos. Deles ninguém foi ouvi-los, fotografá-los, tecer-lhes os maiores elogios, apesar deles também terem estórias para contar. Nenhum jornal viu nos golos motivo de eleição dos atletas moreirenses, coisa digna de relevo, feito tão louvável ou mais, atendendo às dimensões dos clubes, quanto o do jogador de dragão ao peito. Com uma comunicação social assim, o que é que podemos esperar dela enquanto órgãos de informação, de esclarecimento, formação de opinião com imparcialidade, objectividade, e veículo de cultura? Só um país e um povo no estado em que se encontra. De nada vão valer as outras Eleições. Mas cada qual tem aquilo que merece!
               

sábado, 26 de setembro de 2015

Redacção

As aulas já se iniciaram e este é o meu 1º TPC cujo tema o professor indicou no quadro da sala - " o que gostarias de ser quando fores grande". A partir dos comentários que oiço à mesa, mais de estar do que de comer, e anotados os comentários que rodopiavam à sua volta que os mais velhos iam largando, escrevi a redacção que a escola exigia para avaliação. Assim, entendo que quando for grande, gostava de arranjar um emprego mas daqueles que não me dessem trabalho. Um emprego do género de CEO de grandes grupos económicos, de telecomunicações extensas, de gigantes laboratórios da farmacologia, de fortes constructores de aviões, ou de automóveis com marca bem implantada no mercado mundial. Um emprego que permitisse, mesmo em caso de meter água, levá-la ao fundo ou levantar gás poluente, e até pusesse em risco a sua viabilidade, dela receber fabulosa indemnização por causa descoberta e à vista de muitos e para mal de todos, no acto de apresentar a demissão. Portanto, por alínea já prevenida e prevista no contrato milionário que une administrador que erra, e gigante da indústria que premeia mesmo quando sai colossalmente prejudicada por ter tal gestor à cabeça. Um cargo do género, presidente Martin da VW, da Banca, Seguradoras, da PT, da TAP, etc. Um Emprego, que não vem anunciado nas páginas dos jornais e no caderno do "procura-se, precisa-se de...para..." que só os operários consultam. Sei que é um pouco difícil pois tais nomeações são dispensadas aos mesmos boys de sempre. Mas já pensei no plano B que me bastava. Quando for grande candidato-me a um lugar na política através d´um partido, que me dê acesso a tomar posse como Executivo superior que sabe deitar a mão aos fundos comunitários, de presidente no parlamento que sabe aposentar-se a tempo e horas, a uma pasta governamental, ou ainda como autarca bem relacionado no meio empresarial, e que ao fim de meia dúzia de anos nessa actividade me proporcione uma choruda reforma, a que juntaria as outras regalias conquistadas pelo meio. Será que vou ter hipóteses quando for grande, se eu mantiver este infantil perfil que não integra um dispositivo abafado ou um software secreto que anule as emissões provocadas pelos compadrios que intoxicam e falseiam as competências e o meio...o meio ambiente na globalidade? Dava-me cá um jeitaço..!


terça-feira, 22 de setembro de 2015

A partir de ti...

Se eu soubesse escrever,
a partir de ti
eu encontrava a palavra certa.
Talvez que desse encontro
nascesse um poema
que se pudesse ler
e fosse uma janela aberta
por onde entrasses
como brisa amena.
E com o teu olhar de deusa,
criadora desta terna ilusão
eu pudesse então dizer
que tinha valido a pena
abrir-te o meu coração;
E nessa feliz descoberta
dar connosco a viver
sem medos, e de mão-na-mão,
longe do silêncio rude
que nos separa, cala e desconserta
para cá e p´ra lá do Marão.
Por não saber escrever
a Partir de Ti nasceu este poema,
que foi quanto pude
ou fui capaz de fazer
por não ter encontrado a luz,
a palavra Amor...a palavra certa!
(22/09/2015)


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

E agora, PP&PP?

E agora? Pedro Passos(PP) e Paulo Portas(PP) e todos os pêpês da partidocracia social cristã, são os seres mais inteligentes do Planeta e de todos os géneros humanos, e então os gregos não passam de Homos Naledis a caminho da sua evolução por aquele archipélagos. Atentemos nos resultados saídos das eleições helénicas neste domingo de um tempo de maior crise que se vive naqueles rochedos à beira mar e também desde as falésias algarvias em queda até para lá do Marão. De que valeram os conselhos(!), avisos e ameaças dos nossos actuais governantes, que não tiveram eco mesmo se mil vezes repetidos desde s. Bento ao Partenon, e que não fizeram com que o povo grego os escutasse e emendasse a mão, mudasse o seu sentido de voto, numa de obediência e recomendação ao que Bruxelas desejava? Será que os nossos PP e PP, que todos os dias nos atemorizam com a revisitação do terror se não votarmos neles, pois é neles que se encontra o homo futuris e não um qualquer hominídeo socialista, que tal como eles, anseia por voltar ao leme da jangada lusa, sabendo-se eles filhos renascidos do passado cavaquista e daí julgarem-se mandantes naturais? E agora que vão eles soletrar contra o reeleito e reforçado Tsipras, legitimado 1ºministro de uma nação orgulhosa e com maior história que a dominada pelos afonsinhos deste condado subserviente e "mendigo de si próprio"? E porque não dizem eles que quando chegaram ao poder encontraram um país melhor que aquele que Tsipras recebeu depois de ser governado por gente do calibre e da cor com que eles, Passos e Portas, se familiarizam? Ou será que foi Sócrates quem governou a Grécia até à véspera da vitória do Syriza? Com que lata e sobretudo com que autoridade moral, os nossos PêPês vão encarar Alex Tsipras se se vierem a encontrar nos fóruns onde se reúnem os homo sapiens sapiens? Aguardemos que eles nos ajudem a sair desta jaula da nossa ignorância!


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

...ai ai, Jesus!

Mais importante, relativamente, do que os debates na tv e na rádio, e de saber quem é que ganhou entre os políticos intervenientes, foi o embate entre os Leões de Alvalade e as "lokomotivas" moscovitas, vulgares. A primeira conclusão que se tira é que o "jorgiano" Jesus continua a dar alegria aos benfiquistas. Não são idênticas às que dava durante o seu consulado na Luz enquanto ali tecnicou, mas também não são assim tão diferentes. Quando Jesus pisa terrenos da Europa uefeira, o sermão não lhe sai fluente nem vencedor dos confrontos nem das massas. Em Jesus há um antes e um depois. Primeiro dá-lhe para o intelectual, depois para os tiques "amadorenses". O umbigo dele apresenta-se inchado no primeiro tempo, e acaba deprimido no final do tempo regulamentar. Aqui reaparece um vencedor e reforçado rival. A malta benfiquista apreciou o resultado obtido de 1 a 3 favorável aos russos, nesta 5ª feira na circular de alterne, e como é habitual já sabe até que ponto é que o ex-mister dos encarnados é capaz de avançar. Sabem que ele não vai longe apesar do discurso próprio dos empatas. O seu actual clube pintado a renovada esperança, estava destinado a voos mais altos, mas segundo ele e a sua entourage, foi abatido pelas arbitragens e mandado para uma prova de segunda divisão mas que se haverá de transformar lá mais para o fim numa verdadeira "Champions", aonde, ao que se queixam, também os apitos não lhe vão favoráveis. Isto se lá chegar, como é sua convicção, embora vá adiantando que a sua prioridade seja o Campeonato, que visto agora é mais o plano B. Aqui na Liga Europa, o Pinheiro de Jesus, siô Jorge, mal assim caído, se afirmou candidato entre os candidatos a vencer uma prova bem mais ajustada ao seu chinelo, que a bota estava-lhe a apertar, e daqui até ao Natal logo saberemos se não descarrilhará de tal modo mais, que as batatas com polvo ou bacalhau, serão já comidas na Amadora junto da família natural, e com caracóis e lagartos ao largo a tecer-lhe pragas como membros desavindos, estragando a ceia e o presépio que se afiguravam festivos e cheios de luz - como nunca se houvera visto.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Duas quadras

(ao Tio Afonso)

NO RESFRIAR DA RIMA
É AO LONGE QUE MEÇO;
CABERÁ A DESPEDIDA
NO TAMANHO DE UM VERSO?

A SAUDADE SEMPRE TARDIA
VISTA DAQUI NÃO MENTE,
PARA O TIO, UM ABRAÇO...
PARA O POETA, UM ATÉ SEMPRE.

-( do sobrinho-neto - Luís Moura - ARGENTINA 2015)

Afonso Leal - o Poeta

Morreu o poeta popular,
penafidelense de gema,
sempre em verso a enquadrar
a sua terra - seu mor emblema;
Rimas de saber e cheias de graça,
o Afonso Leal tudo cantava,
"Faz-Tudo" seu apelido na praça
dessa herança não se livrava;
Homem pequeno, grande na arte
do balcão de vendas até à escrita
coleccionador do todo e da parte
adepto azul e branco - portista;
Douto noutros saberes                     
no jogo também actuava
parceiro presente nos deveres
às obrigações nunca faltava;
O tempo marcou-lhe o dia
que o havia de convocar,
Levou atrás muitos amigos
na hora em que foi a enterrar;
A tempestade fez-se presente
chuva e vento a protestar,
O Poeta chamou a gente
para dele sempre se recordar.

    

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Fora com "eles"

A páginas tantas publicam os jornais, de que o "Governo quer reduzir acidentes de trabalho". Tal desejo denuncia uma preocupação e uma tomada de consciência por parte de quem se espera resolva um tal flagelo que empobrece o país e fere muitos corações de sangue. A "estratégia" está em marcha e repetida há muito, e já recomendou aos candidatos a trabalhadores que exibam em mão o passaporte ou o cartão de cidadão em dia. Desde que o actual Governo se esforça por aplicar a ordem de debandada do pessoal desempregado ou mandou destroçar das paradas dos Centros de Emprego os que por cá não encontram trabalho, lhes colocou uma mochila às costas, lhes apontou o caminho da emigração como destino, que as hipóteses de acontecerem acidentes laborais diminuíram. A razão, está bom de ver, e é simples. Os que podem sofrer os acidentes de trabalho no seu território estão dispensados porque não o têm e circulam por aí sãozinhos e rijos como pêros. Os demais que podiam sofrer os acidentes cá, partiram, à procura de melhor vida pelo exercício de uma profissão, e só estão sujeitos agora a tais acidentes nos países que os acolheram e lhes garante o pão, dando-lhes as ferramentas certas que o Governo de cá lhes negou anos a fio. Mas algo mais, de positivo, tem tal medida. É que os que partem à procura de presente e de futuro além fronteiras, para além de deixarem de ser um encargo, também diminuíram as hipóteses de sofrerem qualquer acidente, pois nos países aonde encontram trabalho as condições de segurança e de higiene obedecem a maior rigor e obrigam ao respeito das condições lavradas na legislação laboral que é imposta às Entidades Empregadoras nessas nações de acolhimento. Assim o nosso Governo com assento em Lisboa, pode descansar e continuar a dormir na forma, porquanto resolve por "levas", o problema da taxa do Desemprego Nacional, e ainda garante que os seus cidadãos que partem e deixam terra, família e amigos e levam as lágrimas com eles nos olhos e na mochila reforçada, virão um dia, ricos ou não, vivinhos da silva e com saúde mais cuidada. Chegados cá, encontrarão talvez as suas poupanças, entretanto enviadas, num banco ainda novo ou a cheirar a velho ou a cair de podre. Após tal aventura,terão ainda tempo para fazerem cartazes e ir para a rua a desfazerem-se em agradecimentos aos donos disto tudo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A Foto de Aylan Kurdi (A.K.)

É frase comum e até já banal, dizer-se como uma verdade inquestionável, de que uma Foto vale por mil palavras. Talvez seja por isso que algumas centenas de fotojornalistas percorrem o mundo e perigos, atrás de acontecimentos ou por eles são atraídos, que preencham as condições que ajudem e possam ser fixados no instante momento, no exacto e único minuto que façam dele e da Foto registada um também acontecimento, uma forte e larga notícia, uma celebridade que o unirá à fama, que tal gesto, aventura, amor pelo ofício de recolher uma Imagem que valha tudo aquilo que se diz e se repete valer, por mil palavras. Assim se dispõe fazer e o vem tentando encontrar tal momento difícil e raro, a fotógrafa Nilufer Demi (N.D) tal como o tinha perseguido Alberto Korda(A.K) em guerras passadas, espalhados por montanhas e mares dramáticos, desesperadamente navegados, e outros cenários nunca vistos ou só dados a ver após serem publicados pelos media-mundo. Mas eu venho a este espaço e na calma da leitura do jornal sob a rama densa desta austrália que me ensombra, armado de papel e tinta para discordar do teorema inicial que mede fotos com palavras. Será que é verdade que uma Foto como a que N.D. adormeceu num disparo com uma máquina quase impessoal, curiosa, de um menino de borco, Aylan Kurdi (A.K.), sobre as águas assassinas na orla de um mar tenebroso, levanta esse imenso coro de palavras já que não as apaga uma vez postas a correr? A mim parece-me que não. A Imagem provoca dor, estupefacção e levanta daquelas areias farpadas, um Silêncio gelado. Um Silêncio apenas e só. De nada servem as palavras e as mil legendas, que outros gostam de juntar para fazerem número. Até mil, pelo menos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Enquanto o cão ladra...

Enquanto o cão ladra as mortes acontecem. E o cão não ladra só e já vem ladrando e incomodando faz tempo de sobra. Os avisos velhos dos perturbados idosos pelos latidos das bestas melhoradas para fazerem guarda e companhia, por quem não quer ser visto nem achado, de nada valem e não ecoam junto das autoridades por mais repetidas que se registem nos postos policiais. Às bestas cruzadas juntam-se os defensores de tais feras. O cão não ladra só, mesmo que faça sofrer quem tenha que o aturar. A ele e à matilha que o protege e faz coro, querendo impor-nos que aquela "uivação" é música de igreja para o nosso bem estar, e que tornam os dias e as noites mais descansadas e com maior conforto. Porém todo esse desconcerto desafinado, faz chegar o dia e a hora do estoiro, em que os ouvidos que ligam a paciência ao coração já não aguentam mais nota estridente, e corre-se a buscar a caçadeira, e é ali mesmo , naquele lugar pesado de coleiras apertadas e de tensões presas que se fazem ouvir os disparos que descarregam toda a raiva e a violência acumulada quanto escusada, e a teimosia vizinha do desentendimento colhe o cheiro da morte que a pólvora deixou no ar, vazio de respeito até então entre o dono da besta e o homem desesperado. A razão perdeu-se mais uma vez, na casota que a sociedade rafeira e onde a Lei uiva e anda a erguer, e que só nos sufoca com mais ou menos queixas, lamentos, lágrimas e ganidos, e arrogâncias evitáveis.