terça-feira, 11 de novembro de 2014

A "Legionébola"

A nós portugueses acontece de tudo, mas sobretudo do todo quanto é mau. Agora que estavamos todos de piquete e avisados até ao tutano para o mal do Ébola, febre que vem matando desde a Serra Leoa até aos EUA, e já nos esfrega as fronteiras, o governo da nação, o ministro Macedo mais o incansável porta voz de tais febres - o especialista Francisco George à frente de tal legião- saíram em campanha a equipar os hospitais e unidades de saúde, a consciencializar e a formar técnicos para lidar com o "mal ruim e fatal", a distribuir fardas especiais e escafandros à prova de bactéria com origem em morcegos que saltam de macaco em macaco, mas dos que não entram nos parlamentos, eis que surge um surto de febre cega que não constava das preocupações dos Técnicos diplomados, mas que já matou mais pessoas no país deste sul do sol turístico, do que naquelas terras de onde chegavam notícias e aonde tinham vítimas internadas e sem solução ou soro capaz de os tirar daquele "mal ruim", e que haviam viajado até aos países originários do mal e que lá o pegaram. Está visto que nós em vez de sorte apanhamos é um surto daqueles que nem água a ferver nos descansa, e que julgavamos ser doença medieval, como a tuberculose que ainda há pouco tempo regressou, nos surpreendeu e afligiu. Coincidiu com o aumento da miséria, mas só coincidiu por acaso. Não sei se foi a Ana Salazar quem desenhou os fatos protectores para vestir os técnicos de saúde destacados para o combate ao Ébola e também desconheço se eles foram exibidos nas TVs por craques da bola. Mas se foram podemos estar seguros pois a estilista não deixou buraco ou racha à mostra que permita deixar penetrar a bactéria que não escolhe claque aonde se alojar e pregar uma partida. Enquanto isto, que não é dado como certo, todos os dias, teorizavam nos órgãos de comunicação social os nossos altos responsáveis sobre a tal febre hemorrágica e oriunda lá da selva, e agora que se deparam com uma infecção ou a doença dos legionários, vulgo legionella, andam às aranhas sem saber o que fazer. Com a água que salpica por aí, e com estes Executivos no encalço das gotículas maléficas mas com aspirações, vamos acabar por ter mais mortos do que aquele causado pelo mal africano, e que passará a ser conhecido por "a legionébola". Aqui a nossa originalidade para a qual a Ana Salazar terá que redesenhar novos fatos, e próprios para um país doente e sujeito a todos os perigos internos e externos, com governantes que mesmo lavados com lexívia pura, será sempre reconhecido como uma(s) nódoa(s). De qualquer modo, um dia destes irão surgir nas TVs um e mais outro ministro a dizer que o país está melhor, e as funerárias estão a facturar bem, ao mesmo tempo que na Guarda, em Bragança, em minha casa, todos os dias os pedidos de ajuda para matar a fome aumentam, e se nos derem o pão desejado ficamos receosos de o poder comer à vontade e  acompanhado de água suspeita. Somos mesmo uns nódoas, governados por gente contaminada!





Sem comentários:

Enviar um comentário