A nós portugueses acontece de tudo, mas sobretudo do todo quanto é mau.
Agora que estavamos todos de piquete e avisados até ao tutano para o mal do Ébola,
febre que vem matando desde a Serra Leoa até aos EUA, e já nos esfrega as
fronteiras, o governo da nação, o ministro Macedo mais o incansável porta voz
de tais febres - o especialista Francisco George à frente de tal legião- saíram
em campanha a equipar os hospitais e unidades de saúde, a consciencializar e a
formar técnicos para lidar com o "mal ruim e fatal", a distribuir
fardas especiais e escafandros à prova de bactéria com origem em morcegos que
saltam de macaco em macaco, mas dos que não entram nos parlamentos, eis que
surge um surto de febre cega que não constava das preocupações dos Técnicos
diplomados, mas que já matou mais pessoas no país deste sul do sol turístico,
do que naquelas terras de onde chegavam notícias e aonde tinham vítimas internadas
e sem solução ou soro capaz de os tirar daquele "mal ruim", e que
haviam viajado até aos países originários do mal e que lá o pegaram. Está visto
que nós em vez de sorte apanhamos é um surto daqueles que nem água a ferver nos
descansa, e que julgavamos ser doença medieval, como a tuberculose que ainda há
pouco tempo regressou, nos surpreendeu e afligiu. Coincidiu com o aumento da
miséria, mas só coincidiu por acaso. Não sei se foi a Ana Salazar quem desenhou
os fatos protectores para vestir os técnicos de saúde destacados para o combate
ao Ébola e também desconheço se eles foram exibidos nas TVs por craques da
bola. Mas se foram podemos estar seguros pois a estilista não deixou buraco ou
racha à mostra que permita deixar penetrar a bactéria que não escolhe claque
aonde se alojar e pregar uma partida. Enquanto isto, que não é dado como certo,
todos os dias, teorizavam nos órgãos de comunicação social os nossos altos
responsáveis sobre a tal febre hemorrágica e oriunda lá da selva, e agora que
se deparam com uma infecção ou a doença dos legionários, vulgo legionella,
andam às aranhas sem saber o que fazer. Com a água que salpica por aí, e com
estes Executivos no encalço das gotículas maléficas mas com aspirações, vamos
acabar por ter mais mortos do que aquele causado pelo mal africano, e que
passará a ser conhecido por "a legionébola". Aqui a nossa
originalidade para a qual a Ana Salazar terá que redesenhar novos fatos, e
próprios para um país doente e sujeito a todos os perigos internos e externos,
com governantes que mesmo lavados com lexívia pura, será sempre reconhecido
como uma(s) nódoa(s). De qualquer modo, um dia destes irão surgir nas TVs um e
mais outro ministro a dizer que o país está melhor, e as funerárias estão a
facturar bem, ao mesmo tempo que na Guarda, em Bragança, em minha casa, todos
os dias os pedidos de ajuda para matar a fome aumentam, e se nos derem o pão
desejado ficamos receosos de o poder comer à vontade e acompanhado de água suspeita. Somos mesmo uns
nódoas, governados por gente contaminada!
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